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Visvaldas Kulbokas, núncio apostólico na Ucrânia. Foto © Vatican Media

Núncio apostólico na Ucrânia

Rezar para não ficarem “iguais ao agressor”

| 15/08/2022

O núncio apostólico na Ucrânia pede que o diálogo, ou o contacto, não se percam, a fim de se procurar a paz. Foto © Vatican Media

O núncio apostólico na Ucrânia pede que o diálogo, ou o contacto, não se percam, a fim de se procurar a paz. Foto © Vatican Media

 

O núncio apostólico na Ucrânia, Visvaldas Kulbokas, esteve em Odessa a presidir às celebrações da Assunção de Nossa Senhora naquela cidade, que viu recentemente sair os primeiros navios com cereais desde que a guerra no país teve início. Ao Vatican News, o núncio fala de um “passo muito cansativo, porque a Ucrânia não conseguiu assinar nenhum acordo direto com a Rússia”. “Este passo foi alcançado de maneira muito difícil, mas como disse o Papa, é algo positivo tanto em nível global quanto local. Portanto, é um sinal de esperança”, referiu o prelado.

Sobre o conflito, que se mantém muito ativo, mesmo que “os holofotes do mundo se atenuem um pouco sobre ele”, o que Visvaldas Kulbokas considera “compreensível”. “O cardeal Zenari, que é núncio na Síria, também me disse algo semelhante: lá a situação continua dramática, mas o mundo não fala mais sobre isso”.

O núncio apostólico no país, que acabou por nunca abandonar a Ucrânia, mesmo quando responsáveis diplomáticos de outros países o fizeram, fala de uma “grande dor, grande sofrimento” nos testemunhos que vai ouvindo, em número tão grande que “não é possível ouvir todos”. “A situação é dramática, há tantas atrocidades, há torturas, há até mesmo ataques feitos de propósito contra ambulâncias, contra hospitais, contra crianças: atrocidades tais que há a tentação humana de ficar com raiva e perder essa paz interior enchendo-se com ódio”, considera o bispo.

Por isso, é importante, como tem ouvido de vários sacerdotes no terreno, “rezar muito para não nos tornamos iguais ao agressor, para não nos tornarmos iguais aos que semeiam a morte, porque se a vítima se enche de ódio, perdeu de um ponto de vista espiritual”, sustenta.

Visvaldas Kulbokas considera que “a mensagem mais importante do Santo Padre” é de que é “importante fazer todo o possível, o que está na força humana, para que se estabeleça cada vez mais um clima, se não de diálogo, pelo menos de contacto”.

 

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