Risco de fome atinge “novos máximos a nível mundial”, alerta ONU

| 10 Nov 20

fome iémen, Foto_ PAM _ Marco Frattini

Burkina Faso, Nigéria, Sudão do Sul e Iémen são os quatro países onde a situação é mais grave, estando já na “iminência de fome”, afirmam a FAO e o PAM. Foto © PAM / Marco Frattini.

 

Um novo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) revela que “as taxas de insegurança alimentar aguda estão a atingir novos máximos a nível mundial” e alerta para a necessidade de tomar medidas imediatas; caso contrário, a situação irá “deteriorar-se rapidamente nos próximos meses”. Foram identificados 20 países onde o cenário é particularmente grave, dos quais quatro estão já na “iminência de fome”: o Burkina Faso, na região africana do Sahel, a Nigéria, o Sudão do Sul e o Iémen.

A “Análise de Alerta Precoce de Pontos de Insegurança Alimentar Aguda”, publicada na sexta-feira, 6 de novembro, mostra que o Burkina Faso foi o país que registou o maior crescimento do número de pessoas em situação de fome, o qual praticamente triplicou relativamente a 2019. Na origem deste aumento estão os conflitos no país, a quantidade de população deslocada e os impactos da pandemia sobre o emprego e o acesso aos alimentos.

O estudo destaca ainda a situação da República Democrática do Congo, onde cerca de 22 milhões de pessoas enfrentam atualmente insegurança alimentar aguda. O número é o mais elevado já registado num único país.

Os outros países que correm um risco elevado de aumento dos níveis de fome aguda são a Venezuela, Haiti, Etiópia, Somália, Camarões, República Centro-Africana, Mali, Níger, Serra Leoa, Moçambique, Zimbabué, Sudão, Líbano, Síria e Afeganistão.

A evolução da situação nestes países dependerá “da dinâmica dos conflitos, dos preços dos alimentos e da miríade de impactos da pandemia de covid-19 nos seus sistemas alimentares, chuvas e resultados de colheita”, aponta o relatório.

Nesse sentido, a FAO e o PAM realçam que “o diálogo com grupos armados e forças de segurança deve ser fortalecido para salvaguardar a resposta humanitária e facilitar o acesso a alimentos, cuidados médicos e outros meios essenciais de sobrevivência para os civis”.

“Quando uma fome é declarada, significa que muitas vidas já foram perdidas”, afirma Margot van der Velden, diretora da Divisão de Emergências do PAM, citada pelo Vatican News. “Se esperarmos para ter certeza desta situação, muitas pessoas já estarão mortas”, aponta, e lembra que “em 2011 a Somália foi atingida por uma fome que matou 260.000 pessoas”. O estado de emergência foi declarado em julho, mas a maioria das pessoas já tinha perdido as suas vidas antes de maio. Não podemos deixar que esta tragédia aconteça uma segunda vez”.

 

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