Rui Araújo, repórter em guerra: Os conflitos são todos iguais. E as vítimas também…

| 10 Set 19 | Destaques, Estado, Política e Religiões, Newsletter, Sociedade - homepage, Últimas

De Kos, na Grécia, a Kigali, no Ruanda, passando por uma memória sérvia e por imagens da Líbia, Síria e República Centro-Africana – uma crónica de guerras vividas em reportagem. Em que o jornalista desfia tragédias, silêncios, horrores – ou quotidianos como a necessidade de dormir… E conclui que os conflitos são todos iguais. E, tristemente, as vítimas que eles provocam também.

Marsal Ziaee, refugiada afegã na Grécia: “Queriam matar-nos. Decidimos vir para a Europa para termos uma vida boa e segurança. Quero estudar Medicina para poder ajudar os outros, aqueles que sofrem e não têm nada…” Foto © Rui Pereira

 

Ilha de Kos, Grécia, um dia destes. No quarto bafiento do hotel em ruínas, Marsal, acocorada junto da porta, abana mansamente a cabeça e fita-me. Tem olhos negros, buliçosos, quiçá enigmáticos, e ao mesmo tempo selvagens.

— Estamos a gravar… – profere Rui Pereira, o meu companheiro.

Um silêncio ponderoso apodera-se do cubículo. Faço sinal à moça para começar a contar.

— Eles mataram a minha avó e o meu avô. E queriam matar-nos. Aí, decidimos vir para a Europa para termos uma vida boa e segurança.

— E agora? – questiono.

A rapariga de dezoito anos sorri-me. Um sorriso bonacheirão, salpicado de afoiteza. E esfrega as mãos.

— Como é que imagina a sua vida, amanhã?

— Quero estudar Medicina. Quero ser médica para poder ajudar os outros, aqueles que sofrem e não têm nada. Médica…

Apetece-me dizer “Inch’Allah”, mas quedo-me calado. Uma sineta rachada soa ao longe. Lá fora, a terra arde. Marsal Ziaee agarra-se ao seu sonho com o desespero da esperança, e dá-lhe corpo. Há doze dias, ela, o pai, a mãe e seis irmãos apanharam uma lancha em Bodrum para chegar aqui. Pagaram oito mil dólares ao passador da máfia turca por meia dúzia de milhas e outras tantas horas de navegação. Cabul pertence irremediavelmente ao passado e o tempo para esta gente do “cemitério dos impérios” ganha outra dimensão.

Hoje, a família vegeta no Captain Elias, um hotel abandonado (longe do centro de Kos e dos olhares dos turistas), sem electricidade, sem água potável, sem portas e janelas, sem apoios. Só os Médicos Sem Fronteiras e os voluntários gregos de Kos Solidarity se dignam aparecer, uns para tratarem do corpo e da alma, os outros para darem sandes, única refeição a que têm direito por dia. Como eles há, aqui, mais quatro ou cinco centenas de refugiados, afegãos, iraquianos, somálios, eritreus, náufragos de uma tragédia humana que nos ultrapassa. Todos esperam o salvo-conduto que lhes permitirá entrar na Alemanha.

Deslocados na Síria. Foto © Rui Araújo

 

As lágrimas e as imprecações de pouco ou nada valem agora. A Europa da solidariedade é um mito. A islamofobia alastra pelo continente há mais de duas décadas. A política externa europeia para o mundo árabe foi indexada à de Washington em nome do pragmatismo, da conivência e da exportação da democracia (como se de uma mera mercadoria se tratasse) ou mais prosaicamente de interesses inconfessados. Puseram a ferro e fogo o Próximo e o Médio Oriente: Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria. E aquilo que está a suceder, hoje, é, em parte, a consequência directa do seguidismo face ao “polícia do mundo” e da falência dos princípios éticos, se alguma vez os houve.

As imagens e os relatos dos refugiados (ou dos migrantes, porque a semântica é incómoda) atordoaram e atordoam muitas consciências. Nem a mim, que pensava estar vacinado – passei pelos conflitos de Timor, durante a ocupação indonésia, do Zaire (actual República Democrática do Congo), de Moçambique, da Bósnia, do Ruanda e da Líbia – me deixaram indiferente. O sofrimento não pode ser reduzido a palavras.

 

Esfaqueados e esquartejados

Crianças-soldado na República Centro-Africana. Foto © Rui Araújo

 

Foi ontem. Só dei por ele tarde e a más horas. A camisa branca, vermelha de sangue, destoava naquele cenário. Estaquei o jipe. O miúdo negro sentado na terra ocre do caminho, encostado a uma parede sem cor, pregou os olhos nos meus.

— Ajude-me! – implorou em francês, enquanto “abria os braços no grande gesto das coisas que brilham e se apagam”, como diria Miguel Torga.

Espreitei pelo retrovisor quantos carros parados havia. Cinco. A imobilidade naquela posição significava a morte. A vulnerabilidade da coluna era total. Para eu salvar um, podiam perder a vida os quinze ou vinte que iam atrás de mim. Encolhi os ombros, resignado, e arranquei com presteza. Condenei o rapaz. E, do mesmo modo, condenei-me a mim próprio. Aqueles malditos segundos perseguem-me há mais de duas décadas. Para mal dos meus pecados…

Jovens da República Centro-Africana. Foto © Rui Araújo

 

É ontem. 12 de Abril de 1994. Kigali. Ruanda.

Era noite cerrada quando o C-130 das tropas especiais belgas que me deram boleia aterrou no aeroporto Grégoire Kayibanda.

— Está toda a gente a fugir deste inferno. O que vêm para cá fazer?

Meditei na pergunta e expliquei-lhe, com algum menosprezo, que tinha razão, mas não éramos turistas.

— Devem estar loucos! – tornou o sujeito, cada vez mais histérico.

— So-mos jor-na-lis-tas! – respondeu Alfonso Armada, grande repórter do El País, saindo subitamente do seu mutismo.

O responsável branco das evacuações, compadecido, desatou a correr, desenfreadamente, pela placa do aeroporto fora, destino a parte alguma.

Era, de facto, o pior momento para se estar ali. Cinco dias antes, dez pára-comandos (integrados no contingente MINUAR da ONU, chefiado pelo general Roméo Dallaire, com a missão de proteger a primeira-ministra moderada Agathe Uwilingiyimana, tinham sido executados por elementos das Forças Armadas Ruandesas (FAR) a pretexto de os belgas terem abatido na véspera o bireactor Mystère Falcon do presidente do Ruanda, Juvénal Habyarimana, durante a aproximação à pista.

Os capacetes azuis belgas foram capturados diante da residência da primeira-ministra. Seguidamente, viram-se conduzidos para o Campo Kigali. Seis foram esfaqueados e esquartejados. Os outros, comandados pelo Tenente Lotin, resistiram algumas horas. Às três da tarde, uma granada rebentou com eles. Ironicamente, foi o centro de decisão da MINUAR situado a escassas centenas de metros, que os desarmou… psicologicamente. A indecisão, a irresponsabilidade do comando poderão explicar o massacre…

Os sacos de plástico que eu tinha visto ao lado de um C-5 norte-americano, no aeroporto de Nairobi, eram os dos corpos deles. Quando os foram buscar à morgue encontraram-nos uns em cima dos outros, nus e despojados de tudo.

No dia 7 de Abril, mal o Sol rompeu, dois mil homens das unidades de elite das FAR, apoiados por dois mil elementos das milícias, iniciaram a “limpeza” dos Tutsi e dos Hutu moderados, de acordo com listas previamente elaboradas.

A 21, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu reduzir a presença da MINUAR no país. O contingente passou de 2.500 para 250 homens.

Passados nove dias, a ONU debateu a crise ruandesa durante oito horas. A resolução a condenar os massacres omitiu o termo “genocídio”, o que teria implicado uma intervenção.

 

No epicentro da chacina

Casa em destroços na Líbia. Foto © Rui Araújo

 

As rajadas tracejantes iluminavam a noite. De repente, surgiram diante do edifício principal da aerogare, camiões e pick-upscarregados de miúdos. Eram uns 50, sobretudo órfãos. Feridos, incapacitados, perdidos numa guerra que não entendiam…

A violência alastrava à medida dos ódios e do sentimento de impunidade. Era fartar vilanagem: mulheres violadas, mutiladas, bebés atirados ao ar e decepados à catanada, homens enterrados vivos. Únicos crimes confessos: pertencerem à etnia errada ou serem moderados. No espaço de 100 dias 75% da população Tutsi desapareceu do mapa. Feitas as contas, perderam a vida, pelo menos, umas 800.000 pessoas.

Quando o Hércules C-130 com as crianças descolou de Kigali, dei de caras com uma figura anacrónica naquele caos: um tipo, sentado no chão, lia um livro à luz de um cubo para aquecer rações. Confiei-lhe a mochila e o equipamento.

As tropas das FAR ocupavam o aeroporto e parte da capital. Os rebeldes da FPR cercavam-nos. E estavam a ganhar a guerra. O tiroteio prosseguiu, interrompido apenas por gritos ocasionais de crianças feridas. Um militar abeirou-se e meteu conversa comigo.

— É tarde. Porque é que não vai dormir?

Eu não podia.

— Qual é exactamente o ponto da situação, aqui, capitão? –  perguntei.

— Complicado. Temos um golpe de Estado para colocar no poder uma facção política radical e acabar com o processo de paz e de transição para a democracia, mas…

Ninguém impedia aquele jogo de massacre. No átrio do aeroporto, o tema das conversas era o mesmo. As operações da ONU para salvar o mais importante – as vidas e os princípios – eram uma autêntica fraude. Qualquer semelhança com a actual postura dúbia da Europa é, obviamente, uma coincidência…

Entrada na “Líbia livre”. Foto © Rui Araújo

 

Por volta da meia-noite, um coronel carrancudo convocou-nos para uma reunião.

— Ponto um…

Puxámos imediatamente dos blocos (que era o que havia naquela altura) e gatafunhámos: 12 jornalistas autorizados a integrar a última missão atribuída às tropas especiais belgas ou, por outras palavras, autorizados a reportar a evacuação de um grupo de freiras “perdidas” no interior do país. A partida da coluna estava prevista, impreterivelmente, para o nascer do Sol.

— Ponto dois…

Pediu-nos a lista dos 12 eleitos. Éramos 23; 23 loucos, dispostos a perder a vida a troco de nada para contar a guerra; 23 viciados em adrenalina e no resto; 23 tipos perdidos naquele inferno à procura de uma verdade, porque ali não dava para mentir.

Decidimos sortear a invejável viagem com palhinhas: quatro lugares para a imprensa escrita, quatro para a rádio e outros tantos para a televisão e para os fotógrafos.

— Simone Reumon, RTBF. Alfonso Armada, El País…

Eu sorri com o embuste. Como o nome do meu companheiro galego saiu na rifa iam ter de abrir jogo.

— Não pode ser! Ele não é belga. Isto é uma operação militar da Bélgica só para jornalistas belgas! – rosnou um jornalista necessariamente belga.

— É uma operação belga! – reforçou o coronel.

Toda a gente – ou quase – concordou. Era de esperar. Encolhi os ombros e provoquei:

— Pensava que aqui só havia jornalistas, mas, pelos vistos, enganei-me. O jornalismo com bandeira é que conta. E como isto é uma farsa, não vale a pena perdermos mais tempo com fingimentos…

— Eu passo-te as minhas imagens, não há problema – disse-me, apaziguadora, Simone Reumon, da RTBF, a televisão pública francófona de Bruxelas.

Puxei do cigarro, calma e profundamente, e reprimi um suspiro. Tinha sido confrontado com cenas idênticas noutros teatros de guerra, mas teimava em continuar a indignar-me. Longe dos grandes “circos mediáticos” e sem tecnologia, só me restava acreditar na sorte e improvisar…

Inseri dois tampões nos ouvidos (por causa do ruído do tiroteio), assentei praça no alcatrão tépido e adormeci. O cameramandespertou-me pouco depois.

— Como é que consegues dormir no meio dos tiros?

— Dormir é preciso. É como navegar… – ironizei.

O grupo dos jornalistas embandeirados abalou às seis. Alfonso Armada arranjou boleia dos militares italianos. A meio da manhã, foi constituída uma coluna que não estava prevista no programa.

— Qual é a missão?

— É preciso resgatar três gajos no centro de Kigali! – respondeu-me o oficial.

O tipo devia estar a brincar. A cidade estava a ferro e fogo, era o epicentro da chacina. Guerrilheiros e tropas governamentais disputavam troço a troço, rua a rua, prédio a prédio, apartamento a apartamento…

— Não tenho lugar para si. Se arranjar carro, pode acompanhar-nos! Não tem medo da morte? – indagou em tom de desafio.

— Tenho, mas preciso de uma reportagem. Televisão é imagem. Dê-me cinco minutos – retorqui.

Larguei a correr em direcção ao parque, repleto de carros abandonados. Dei com uma carrinha Volkswagen. Pedi a um soldado para rebentar um vidro com a coronha da espingarda automática. À falta de chave, optei pela ligação possível, a directa, mas a carripana deu um solavanco e foi-se abaixo: faltava gasóleo. E o tempo corria. Aproximei-me de um jipe branco novinho em folha. Bingo. Depósito cheio. Pedi ao solícito militar para partir o vidro do pendura para o cameraman poder filmar.

Um tanque de guerra na Líbia. Foto © Foto Rui Araújo

 

A procissão lá partiu – depois de eu dar boleia a outras seis “sentinelas do desastre” que, como eu, tinham ficado apeadas. Juan Mirales (La Dernière Heure, Bélgica) e Vincent Dudant (freelance) sorriram, irónicos.

No caminho, zizagueámos entre troncos, pedregulhos e mortos. Tropas governamentais e rebeldes disputam o troço, restam ainda alguns corpos na estrada de adolescentes abatidos à catanada, corpos despedaçados.

Avistámos o cadáver de uma menina prostrada na picada. Depois, evitámos um homem esquartejado – os cães famintos começam sempre pelas pernas.

No domicílio do diplomata egípcio que procurávamos não vislumbrámos vivalma. A primeira emboscada ocorreu instantes depois: rajadas de AK-47. Eles não estavam longe. A coluna parou. Por um longo, estúpido momento, fiquei petrificado. Abri a porta, atirei-me ao chão e rastejei para o outro lado. Os soldados belgas responderam de imediato ao fogo inimigo. O meu cameramannão estava a filmar.

— Então? Não gravas imagens? – questionei.

— Nunca estive numa guerra!

Era uma desculpa de mau pagador. Ou talvez não. Eu também tinha medo, felizmente, mas tentava controlar as emoções. Deitei a mão ao bolso, saquei de um cigarro, mas não encontrei o meu Zippo de estimação. O isqueiro estava diante da minha porta, do outro lado do jipe. Fui recuperá-lo. Enfiei um Peter nos lábios. Instantes depois, passou uma coluna da UNAMIR com tropas africanas e a saraivada cessou. Ao fim daquele interminável quarto de hora retomámos a marcha forçada.

Mal chegámos ao hotel Méridien, onde se encontravam alguns capacetes azuis, sofremos o segundo ataque da manhã: morteirada com fartura, incluindo no jardim. Decididamente, preferia o som das Kalashnikov ou, em alternativa, o tac-tac-tac das “costureirinhas”. Arrancámos em direcção ao estádio de triste sina: campo de detenção e extermínio – ali como na América Latina…

Como o recinto estava cercado não parámos. Mais adiante sofremos nova emboscada. Os atacantes usavam espingardas automáticas. A estrupada de 7.62 tinha um som especial? Era urgente optar por outro percurso. Metemos por um troço de terra batida. Foi aí que dei de caras com o miúdo ferido.

No aeroporto encontrei Alfonso Armada. Tinha uma reportagem do arco-da-velha.

— Foi fascinante, mas muito triste – confidenciou-me em galego-português.

Alfonso sacou um scoopde triste memória. Fora o único repórter a conseguir entrar em Musha. 1.180 aldeões massacrados só porque eram da etnia errada, Tutsi. Decidi entrevistar o pároco Litric Danko, um dos raros sobreviventes.

— Eram seis e meia da manhã quando começaram a matar toda a gente com granadas de mão, espingardas, forquilhas e catanas. No dia seguinte fui à igreja. Havia um grupo de 50 crianças com as mães. Viraram-se para mim e disseram: “Padre, Padre, Padre…” O que é que eu podia fazer? – narrou.

— De onde é?

— Sérvia. Sérvia…

Outra tragédia que eu conhecia bem. 45 dias de reportagem na Bósnia, Sérvia e Croácia, mais uma guerra igual às demais.

Naquele dia, em Kigali, em vez de ficar-me pelas lamúrias patéticas e a indignação bem pensante, pedi uma arma para matar. Acabei por regressar sem ter dado cabo de ninguém, nem sequer do Diabo dentro de mim. Tento escapar aos pesadelos. Jurei que nunca mais faria reportagens de guerra. Promessa ou intenção inútil. Desde então, estive noutras. Pensava que pior que o Ruanda era impossível, mas cheguei à conclusão – veja-se o que está a acontecer hoje na Europa com os refugiados – que os conflitos são todos iguais. E as vítimas também…

 

Foto © Rui Pereira

Rui Araújo é jornalista da TVI e colaborador de vários media internacionais; texto publicado inicialmente na revista Luzes. O 7MARGENS agradece a Rui Araújo a cedência do texto e das fotografias.

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