Rumi, Al-Sistani e o Papa Francisco

| 19 Mar 2021

A Suas Simplicidades,
o Ayatollah Al-Sistani e o Papa Francisco,
um belo poema de Rumi, poeta e místico sufi

Uma ilustração representando o poeta Yalal ad Din Muhammad Rumi. 

 

O sufismo designa a diversificada corrente mística do Islão, que surgiu logo no início em consequência das lutas de sucessão no poder a seguir a Maomé (Muhammad). Foi alimentado pelo platonismo e cristianismo, nomeadamente pela ideia de Logos e pela vida ascética dos Padres do Deserto. Contudo, Maomé não favorecia o desapego místico para com o mundo: defendia a luta (interior e exterior) pelo bem e contra o mal, manifesta na melhor organização da sociedade.

Algumas das tendências espirituais que se encontram em diversas escolas sufistas: não procurar êxtases; Deus transforma o momento de cada vida; Deus é o guia interior das nossas boas acções; experiência de Deus (mais ou menos visionária); obediência estricta; Deus encontra-se no trabalho de cada dia.

O poeta sufi Rumi (1207-1273) deixou algumas frases célebres:

“A minha religião é viver pelo amor.” “A minha morte são as minhas núpcias com a eternidade.” “Se o teu espelho te mostra uma cara feia, não adianta nada espatifar o espelho com o teu punho.”

Formou um grupo à sua volta, guiado pela simplicidade, alegria e amor.

A propósito do encontro entre o Papa Francisco e o Ayatollah Ali al-Sistani, no Iraque, traduzo este poema da tradução inglesa sobre o original, que já referia a dificuldade de penetrar nesse mundo interior. Esforcei-me por manter uma fundamentada empatia e um fraseado elegante. Utilizei especialmente as seguintes obras: The Religious Experience of Mankind (Ninian Smart, Collins, 1971); The Message and the Book (John Bowker, Yale University Press, 2012 – donde o poema, p. 156-157):

Se andas à procura, vem alegre ter connosco
Pois nós vivemos no reino da alegria.
A nada mais deixes entregue o coração
Senão ao amor que traz plena alegria.
Nem te deixes perder nos arrabaldes do desespero.
Em toda a parte há esperança: ela é real, ela existe.
Eu te juro: em toda a parte existe sol.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Sinodalidade como interpelação às Igrejas locais e à colegialidade episcopal

Intervenção de Borges de Pinho na CEP

Sinodalidade como interpelação às Igrejas locais e à colegialidade episcopal

Há quem continue a pensar que sinodalidade é mais uma “palavra de moda”, que perderá a sua relevância com o tempo. Esquece-se, porventura, que já há décadas falamos repetidamente de comunhão, corresponsabilidade e participação. Sobretudo, ignoram-se os princípios fundacionais e fundantes da Igreja e os critérios que daí decorrem para o ser cristão e a vida eclesial.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This