Na Bósnia e na Croácia

Rupnik faz tábua rasa das proibições que deve cumprir

| 12 Jun 2023

Marko Rupnik, Visão do Inferno, Mosaico, Fátima

Marko Rupnik, Visão do Inferno no painel da Basílica da S.sa Trindade, Fátima. Foto © António Marujo/7Margens

 

O padre e artista jesuíta Marko Rupnik foi visto na Bósnia e Herzegovina e também na Croácia, no início deste mês de junho, apesar de ter os movimentos limitados pela Companhia de Jesus, na sequência de múltiplas denúncias de abusos sexuais e de poder.

Segundo o jornal italiano Domani, citado pelo blog Il Sismografo, num trabalho da jornalista Federica Tourn, o artista esteve na cidade de Mostar, como hóspede da ordem franciscana, em atividade relacionada com o encerramento das obras de restauro da igreja dos Frades Menores de São Pedro e São Paulo.

Na mesma altura, Rupnik terá estado na ilha de Hvar, ao largo da costa da Croácia, no mar Adrático, alegadamente chamado pelo bispo local, que planeia restaurar a capela do paço episcopal.

Tal como tem acontecido ao longo dos últimos anos, são múltiplos os sinais de que o padre e artista prossegue atividades que lhe estão vedadas pelos jesuítas seus superiores, incluindo o dever de não se ausentar da região do Lácio, onde fica Roma, nem realizar trabalhos de âmbito público no campo artístico.

Ultimamente também foi noticiado no 7MARGENS que, desde 2007, o artista possuía uma empresa lucrativa que servia de base aos negócios e encomendas que eram feitos com o Centro Aletti, um pouco por todo o mundo. O superior direto de Rupnik disse, entretanto, desconhecer essa informação, reconhecendo que alguém que faz voto de pobreza não pode ser titular (neste caso com uma leiga consagrada) de uma empresa privada, à revelia da Companhia.

Apesar de a polémica em torno deste padre não ter parado de crescer, desde dezembro último, aparentemente não são tomadas medidas, dando azo a que se diga que Rupnik tem cobertura ao mais alto nível. Um sinal recente, que vários observadores de assuntos do Vaticano consideraram “perturbador” foi o facto de, numa mensagem por vídeo, dirigida aos participantes num congresso na Senhora Aparecida, no Brasil, o Papa Francisco ter recorrido a um mosaico de Rupnik, para explanar um ponto do seu discurso, um gesto que dificilmente resulta da ignorância sobre a autoria da obra.

 

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