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Marko Ivan Rupnik, padre jesuíta, arte

Decisão admite recurso

Rupnik foi expulso da Companhia de Jesus… por desobediência

| 15/06/2023

Marko Ivan Rupnik, padre jesuíta, arte

Marko Ivan Rupnik, padre jesuíta, artista e teólogo, sob suspeita de ter abusado de mulheres e de ter criado uma empresa, iniciativa interdita ao clero. Acaba por ser a desobediência a ditar a sua expulsão. Continua a ser padre e a poder fazer o que entender. Foto © Centroaletti, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

 

O padre e artista Marko Rupnik foi expulso da Companhia de Jesus, “devido à sua recusa obstinada em observar o voto de obediência”. Depois do voto de castidade, com os abusos sexuais sobre religiosas, e do voto de pobreza, com a empresa secreta que criou, estilhaçou-se agora o voto de obediência.

A notícia da decisão foi dada esta quinta-feira, 15 de junho, pelo padre Johan Verschueren, conselheiro geral e delegado para as Casas e Obras Interprovinciais dos Jesuítas em Roma, e também superior direto do visado.

O comunicado emitido sobre o caso refere que a Companhia recebeu em fevereiro deste ano um dossiê relativo às “numerosas queixas de todos os tipos” que lhe haviam chegado, relativas ao padre Rupnik.

Essas queixas eram “provenientes de fontes muito diferentes e relativas a acontecimentos que tiveram lugar ao longo de um período de mais de 30 anos”.

“Como superiores, prossegue o comunicado, considerámos que o grau de credibilidade do que foi relatado ou testemunhado era muito elevado, e aderimos às indicações e recomendações que nos foram dadas pela Equipa de Referência nas suas considerações finais”.

Na sequência disso, foi decidido impor a Rupnik a mudança de comunidade e a aceitação de uma “nova missão”, na qual lhe era oferecida “uma última oportunidade, como jesuíta, de se reconciliar com o seu passado e de dar um sinal claro às muitas pessoas ofendidas que testemunhavam contra ele, a fim de entrar num caminho de verdade”. Rupnik recusou-se e a solução foi demiti-lo da Companhia de Jesus.

Só depois de terminados 30 dias que lhe são concedidos para recorrer da decisão, e que terminam a 9 de julho, poderá haver “mais pormenores” e se poderá dar a conhecer “mais coisas”, quando e se a demissão de Rupnik se tornar definitiva, admite o comunicado dos jesuítas.

Comentando esta notícia, os editores do site Il Sismografo consideram que ela será “um grande resultado” para Rupnik, ele que “conseguiu escapar à justiça canónica durante décadas”, porque “continuará a ser padre, mesmo que já não seja jesuíta”.

Deixando a Companhia de Jesus, acrescenta Il Sismógrafo, “poderá desobedecer a todas as sanções que lhe foram impostas pelos jesuítas, e poderá fazê-lo sem consequências. Portanto, salvo alguma reviravolta do destino, o mosaicista esloveno continuará a ser padre, incardinado talvez numa qualquer diocese da Bósnia-Herzegovina, e continuará também a gerir muito dinheiro pessoal e, finalmente, a fazer tudo o que fez na sua vida”.

Nessa linha, o caso não ficaria encerrado, pelo menos para as vítimas do padre Rupnik, nem para a opinião pública, nem para milhares de outras vítimas de poder e consciência e de abuso sexual. “A benevolência com Rupnik é um golpe devastador para a credibilidade da luta da Igreja contra os abusos”, na opinião dos editores do site, que deixam uma pergunta: “Qual foi o verdadeiro papel do Papa neste caso?”

 

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