
Protesto contra o golpe de estado militar na Birmânia, em Fevereiro: a população não desiste de pedir democracia. Foto © Ninjastrikers-CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
Pelo menos 114 pessoas, incluindo algumas crianças, foram mortas neste sábado, 27 de março, pelas forças militares que dispararam indiscriminadamente sobre manifestantes que saíram à rua em Rangum e noutras cidades da Birmânia (Myanmar) em protesto contra o golpe militar de 1 de fevereiro, noticiou o Myanmar News.
De acordo com vários observadores independentes, desde o início de fevereiro estão detidas mais de 2.900 pessoas e o número total de mortos já supera as quatro centenas. No sábado, o embaixador americano, Thomas Vadja, escreveu um twitt, dizendo que “no dia das Forças Armadas de Myanmar, os militares estão a massacrar civis desarmados, incluindo crianças, aquelas mesmas pessoas que juraram proteger”.
A Igreja Católica e outras comunidades religiosas têm condenado os autores do golpe, solicitado o regresso das liberdades democráticas e a retoma do diálogo entre militares e civis.
Também neste sábado, os bispos católicos da Tailândia dirigiram uma carta aberta à Igreja e a todos os birmaneses: “Com profunda tristeza e grande pesar seguimos os recentes acontecimentos em Myanmar”, escrevem, numa carta citada pela agência Fides. “Vemos demasiado ódio, demasiada violência, demasiado derramamento de sangue e demasiado sofrimento. “Vemos a dor infligida a um povo amante da paz que só exige democracia e os seus justos direitos.”
Respondendo a apelos internacionais vindos de vários setores, os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram na quinta-feira passada sanções aos dois principais conglomerados económicos geridos por altas patentes militares de Myanmar que controlam a quase totalidade do comércio externo do país.
O golpe que depôs o governo liderado pela Liga Nacional para a Democracia, da prémio Nobel da Paz [1991] Aung San Suu Kyi, teve lugar pouco mais de três meses após aquele partido ter registado uma esmagadora vitória nas eleições legislativas de novembro de 2020. O paradeiro de Suu Kyi, presa pelos militares, continua desconhecido.










