Saída de dois responsáveis da Agência de Informações Financeiras do Vaticano agrava situação do organismo

| 22 Nov 19

O agora ex-presidente da Autoridade sobre Informações Financeiras (AIF), René Bruelhart, diz que não há um mandato com tempo determinado para o responsável máximo da AIF, e que isso significa que de facto ele se demitiu e não que ficou com o mandato por completar, ao contrário do que anunciou a Santa Sé.

Bruelhart deixou o cargo segunda-feira, 18 de novembro, no mesmo dia em que se demitiu um outro membro da AIF, por causa de buscas efectuadas pela polícia. Mas Bruelhart, que o Vaticano fez saber na segunda-feira que não tinha sido reconduzido pelo Papa, saiu alegando outra razão: Tomazo di Ruzza, o seu número dois, foi “suspenso por precaução”, depois de notícias dando conta do facto de estar a ser investigado, por alegadamente ter adquirido um andar de luxo em Londres, supostamente através de fundos da Santa Sé.

Durante o inquérito, o presidente do AIF defendeu abertamente o trabalho de Tomaso di Ruzza na AIF. Mas há outros quatro funcionários da AIF igualmente suspensos, neste organismo que depende da tutela da Secretaria de Estado do Vaticano.

Por seu turno, Marc Odendall, o outro elemento da membro da entidade de regulação financeira do Estado do Vaticano, demitiu-se na sequência de buscas efetuadas pela polícia. Odendall, banqueiro franco-alemão, anunciou a sua demissão também na mesma segunda-feira à noite, horas depois de ter sido anunciada a “não renovação” do mandato do presidente da AIF.

Odendall explicou que a razão para a sua demissão, de acordo com uma notícia da agência Associated Press citada pelo Observador, se deveu ao afastamento de Bruelhart e à decisão tomada pelo Egmont Group, consórcio composto por agências de 130 países, de suspender a participação da AIF no sistema de comunicações, devido às buscas realizadas pela polícia do Vaticano às instalações do organismo no passado dia 1 de outubro.

Várias dúvidas foram expressas nos média a propósito da demissão do agora ex-presidente Bruelhart. As investigações e a suspensão de Di Ruzza coincidiram com uma auditoria extensa e quando o promotor de Justiça estava sob escrutínio (da AIF e outras instituições) devido à sua incapacidade de julgar os casos de lavagem de dinheiro. Esta luta de interesses resultou num enfraquecimento da AIF, adiantam alguns comenntários.

O Crux recorda que, além de todos estes casos a ocorrer em simultâneo, ninguém dentro do AIF tinha recebido o inventário dos documentos apreendidos durante as investigações de 1 de outubro. Deste modo, pode argumentar-se, adianta a notícia, que o Vaticano está quebrar os acordos existentes para as investigações judiciárias, caso não se saiba onde estão os documentos, quem os possui e que usos lhes foram dados. Com tudo isto, e sem ter justificado a manipulação que considera ter acontecido  durante a investigação, Bruelhart considerou que a decisão mais sensata era resignar-se e afastar-se.

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