
António Matos Ferreira, historiador e investigador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica. Foto © Agência Ecclesia/OC
António de Oliveira Salazar, que liderou o regime autoritário do Estado Novo em regime de ditadura, “sempre teve receio que a Acção Católica fosse a base da criação de um outro partido”, afirma o historiador António Matos Ferreira, do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica.
Numa entrevista à Rádio Renascença e à Agência Ecclesia, o investigador do CEHR considera que a vigília da Capela do Rato, no final de 1972, na qual também participou, foi um acontecimento “significativo” para demonstrar ao poder político que “a autoridade eclesiástica já não controlava a opinião e a acção dos católicos”. [ver 7MARGENS]
Admitindo que o tema “deveria ser mais estudado”, Matos Ferreira acrescenta que há quem sustente que “uma das razões para a ausência” de referências à Acção Católica na Concordata entre Portiugal e a Santa Sé, de 1940, “é porque Salazar sempre teve receio” que aquela estrutura de movimentos católicos “fosse a base da criação de um outro partido que, a existir, de alguma maneira retirava à União Nacional o apoio do sector católico”.
Na entrevista, que pode ser lida e ouvida na íntegra na página da Rádio Renascença, o historiador fala ainda do projecto de investigação sobre o 25 de Abril de 1974, que o CEHR está a desenvolver, intitulado “25 de Abril: Permanências, ruturas e recomposições”, que promove novas reflexões entre investigadores.
“A partir de Humberto Delgado”, diz Matos Ferreira, notou-se o “crescendo de sectores católicos que passaram a ser oposição”. Após a II Guerra Mundial surge uma geração católica de onde vai emergir “uma lenta e clara oposição ao regime”. Nessa medida, o 25 de Abril faz parte de “um grande processo de mutação”.
Referindo-se aos frutos do Concílio Vaticano II (1962-65), o historiador sublinha que “literatura produzida no Concílio foi lida em Portugal e foi considerada – havia uma elite que lia –”, mas “o grande problema está no facto de a hierarquia e uma parte significativa católica não terem acompanhado esse processo de renovação”.









