Acordo não inclui bispo Álvarez

Santa Sé acolhe 12 padres que estavam detidos na Nicarágua

| 19 Out 2023

A atual situação na Nicarágua vista pelo cartoonista PxMolina. Imagem retirada do Twitter do autor. https://twitter.com/pxmolina

A atual situação de perseguição religiosa na Nicarágua vista pelo cartoonista PxMolina. Imagem reproduzida a partir da conta de X do autor.

 

O Governo da Nicarágua, liderado por Daniel Ortega, libertou esta quarta-feira, 18 de outubro, 12 padres que haviam sido detidos pela polícia estatal, autorizando que estes viajassem para o Vaticano, onde serão acolhidos. Entre os religiosos, cuja libertação acontece após um acordo com a Santa Sé, não se encontra o bispo Rolando Álvarez, condenado em fevereiro a 26 anos de prisão.

Através de um comunicado, citado pelo jornal Religión Digital, o Governo da Nicarágua explicou que “depois de manter conversações frutuosas com a Santa Sé” foi alcançado um acordo para a transferência para o Vaticano de 12 padres que, por diferentes razões, foram processados, e que viajaram para Roma, Itália, esta tarde”.

Na nota, o Executivo nicaraguense afirmou que “este acordo alcançado com a intercessão de altas autoridades da Igreja Católica da Nicarágua e do Vaticano representa a vontade e o compromisso permanente de encontrar soluções, em reconhecimento e encorajamento de tanta fé e esperança que sempre encoraja os crentes nicaraguenses, que são a maioria”.

Questionado pelos jornalistas nesta quarta-feira, 19, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, confirmou que “foi solicitado à Santa Sé que recebesse 12 sacerdotes da Nicarágua que foram recentemente libertados da prisão. A Santa Sé aceitou”. Bruni acrescentou: “Serão recebidos por um funcionário da Secretaria de Estado à tarde e alojados em diversas instalações da Diocese de Roma”.

Recorde-se que, em março deste ano, o Ministério das Relações Externas da Nicarágua pediu à Santa Sé o encerramento das suas missões diplomáticas no país. Um ano antes, o núncio apostólico em Manágua, o arcebispo Waldemar Stanisław Sommertag, que havia defendido a libertação de centenas de opositores presos em 2018 e 2019, foi expulso.

Ao longo dos últimos meses, o Governo de Ortega tem intensificado a repressão contra o clero católico e as instituições ligadas à Igreja. Ainda no início de outubro, o 7MARGENS dava conta de que, em apenas uma semana, a Polícia Nacional da Nicarágua havia prendido quatro padres católicos, e de que nos primeiros oito meses de 2023 haviam sido registados mais de 200 ataques à Igreja e comunidade católicas por parte do regime ditatorial de Ortega.

A libertação destes 12 padres ocorre num momento em que os opositores ao Governo continuam a denunciar o que classificam como violações dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no país, e depois de o Tribunal Interamericano de Direitos Humanos ter instado o Estado da Nicarágua a “cessar a perseguição contra a Igreja Católica”.

A propósito deste acordo, não foi feita qualquer referência à situação do bispo de Matagalpa, Rolando Álvarez, condenado em fevereiro a 26 anos e quatro meses de prisão “por traição à pátria”, depois de ter recusado o exílio nos Estados Unidos da América juntamente com outros 222 presos políticos expulsos do país.

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