Santa Sofia vai voltar a ser mesquita. UNESCO teme perda de “valor universal” do monumento

| 10 Jul 20

Mosaicos cristãos e símbolos muçulmanos juntos no interior de Hagia Sophia. Foto © António José Paulino 

 

O Supremo Tribunal turco reverteu esta sexta-feira, 10 de julho, uma decisão judicial de 1934 que tinha convertido a antiga Basílica de Santa Sofia num museu, e o Presidente Recep Tayip Erdogan já informou que vai transformá-la numa mesquita. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) teme que o “valor universal” do monumento, classificado como Património Mundial da Humanidade, possa ser alterado.

“Foi decidido que Santa Sofia será colocada sob a administração da Diyanet [a autoridade para os assuntos religiosos] e será reaberta às orações”, afirmou Erdogan através da sua conta na rede social Twitter.

A já anunciada intenção do Pesidente turco instalou o debate entre grupos nacionalistas, conservadores e líderes religiosos. Uns concordam que o monumento deve ser reconvertido numa mesquita, outros acreditam que este edifício deve permanecer um museu para que não se torne “causa de rutura” entre o mundo cristão e muçulmano, como defendeu o patriarca ortodoxo de Constantinopla (Istambul), Bartolomeu. Outros ainda, entre eles o patriarca arménio de Constantinopla, Sahak Mashalian, propunham que fosse utilizado como local de culto simultaneamente por muçulmanos e cristãos.

No mesmo dia em que Erdogan anunciou a sua decisão, a UNESCO divulgou um comunicado, alertando a Turquia para o “valor universal excecional” de Santa Sofia, que nenhum estado deve modificar, e convidando as autoridades turcas ao “diálogo, antes de tomar qualquer decisão que possa ter impacto no valor universal do monumento”.

“A participação efetiva, inclusiva e equitativa de comunidades e de outros agentes relacionados com a propriedade é uma condição necessária para a preservação do património e para o desenvolvimento do seu caráter único”, acrescentou a UNESCO.

A atual estrutura da basílica, também conhecida como Hagia Sophia, foi construída entre 532 e 537 por ordem do imperador Justiniano I para ser a catedral de Constantinopla (atual Istambul), depois de as duas anteriores terem sido destruídas por incêndios que as arrasaram em 404 e 532. Foi convertida em templo católico romano durante o Patriarcado Latino de Constantinopla, e utilizada como mesquita de 1453 a 1931, altura em que foi secularizada. Desde 1934, funcionava apenas como museu e atração turística.

 

Artigos relacionados

Precisamos de nos ouvir (24) – Ivo Neto: O que aprendemos na saúde mental com a pandemia?

Precisamos de nos ouvir (24) – Ivo Neto: O que aprendemos na saúde mental com a pandemia? novidade

A avó estava a dias de fazer 90 anos e a mesa para juntar a família reservada, não muito longe de casa para ela não se cansar. Tinha começado há dias no Público e a Rita estava animada com a viagem aos Açores marcada para Maio. Ela foi a primeira. Veio para casa a pensar que na quarta-feira regressava ao trabalho, ao ginásio e, no fundo, à vida normal. Mas não. Na semana seguinte foi a minha vez de fazer da casa, a redacção.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Comissão Europeia reduz metas da luta contra a pobreza

A Comissão Europeia (CE) reduziu o objetivo europeu quanto ao número de cidadãos que pretende tirar da pobreza daqui até 2030: a meta são agora 15 milhões no lugar dos 20 milhões que figuravam na estratégia anterior [2010-2020]. O plano de ação relativo ao Pilar dos Direitos Sociais proposto pela CE inclui ainda a “drástica redução” do número de sem-abrigo na Europa, explicou, em entrevista à agência Lusa, publicada nesta sexta-feira, dia 5 de março, o comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit.

Hino da JMJ Lisboa 2023 em língua gestual portuguesa

Há pressa no ar, o hino da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, tem agora uma versão em língua gestual portuguesa, interpretada por Bruna Saraiva, escuteira do Agrupamento 714 (Albufeira) do Corpo Nacional de Escutas.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

É notícia

Entre margens

Arte de rua: amor e brilho no olhar

Ouvi, pela vida fora, incontáveis vezes a velha história da coragem, a mítica frase “eu não era capaz”; é claro que não, sempre que o preconceito se sobrepõe ao amor, não é possível ser-se capaz. Coragem?? Coragem eu precisaria para passar pela vida sem realizar os meus desejos, nesse louco trapézio entre doses paralelas de coragem e cobardia.

Eternidade

A vida segue sempre e nós seguimos com ela, necessariamente, como se fôssemos empurrados pela passagem inexorável do tempo. Mas enquanto uns aceitam esse empurrão inexorável como um impulso para levantar voo – inclusive até lugares onde o tempo não domina –, outros deixam-se arrastar por ele até ao abismo. Porque quando o tempo não serve para moldar e edificar pedaços de eternidade, ele apenas dura e, portanto, a nada conduz (a não ser à morte), pois a sua natureza é durar, sem mais.

França: a Marianne de barrete frígio ficou traumatizada

Os políticos europeus em geral não sabem nada do fenómeno religioso. Pior. Fingem que sabem e não se rodeiam de quem os possa esclarecer. Entretanto, a França parece querer trilhar um caminho perigoso. Quando o governo coloca as leis republicanas ao mesmo nível da lei de Deus, faz da república uma deusa e do secularismo uma religião.

Cultura e artes

Canções para estes tempos de inquietação 

No ano em que Nick Cave se sentou sozinho ao piano, para nos trazer 22 orações muito pessoais, desde o londrino Alexandra Palace para todo o mundo, numa transmissão em streaming, o australiano dedicou-se também à escrita de 12 litanias a convite do compositor neoclássico belga Nicholas Lens.

Franz Jalics, in memoriam: a herança mais fecunda

Correr-se-ia o risco de passar despercebido o facto de ser perder um dos mais interessantes e significativos mestres da arte da meditação cristã do século XX, de que é sinal, por exemplo, o seu reconhecimento como mestre espiritual (a par de Charles de Foucauld) pela conhecida associação espanhola Amigos del Desierto, fundada por Pablo d’Ors.

A luta de Abel com o Caim dentro dele

Como escrever sobre um filme que nos parece importante, mas nem sequer foi daqueles que mais nos entusiasmou? E, no entanto, parece “obrigatório” escrever sobre ele, o último filme de Abel Ferrara, com o seu alter-ego e crístico Willem Dafoe: Sibéria.

Sete Partidas

Vacinas: Criticar sem generalizar

Alguns colegas de coro começaram a falar dos espertinhos – como o político que se ofereceu (juntamente com os seus próximos) para tomar as vacinas que se iam estragar, argumentando que assim davam um bom exemplo aos renitentes. Cada pessoa tinha um caso para contar. E eu ouvia, divertida.

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This