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Fátima, 13 Maio 2020. Peregrinação pandemia

Santuário de Fátima chegou à “parte mais dolorosa” da reestruturação e dispensa trabalhadores

| 03/09/2020

Fátima, 13 Maio 2020. Peregrinação pandemia

Peregrinação simbólica de 13 de Maio: as restrições de ajuntamentos em vigor afastaram os peregrinos e as consequências económicas fazem-se sentir, argumenta o Santuário. Foto © Joaquim Franco, cedida pelo autor.

 

O Santuário de Fátima está a executar um “plano de reestruturação” com o objectivo de reduzir custos fixos e chegou agora a “parte mais dolorosa que é a redução de postos de trabalho”: todos os 308 trabalhadores da instituição foram convidados “a reflectir sobre a sua situação pessoal e a tomar a iniciativa de encontrar voluntariamente a situação que melhor se enquadra na sua vida pessoal”. Isto pode significar rescisão amigável, trabalho parcial, licença sem vencimento ou reforma antecipada.

“A iniciativa está do lado dos colaboradores e cada caso será um caso”, diz ao 7MARGENS a porta-voz do Santuário de Fátima, Carmo Rodeia, adiantando que todos os actuais 308 assalariados foram chamados para reuniões de uma hora nas quais os responsáveis apresentaram a situação actual e as alternativas que se colocam.

Vivendo dos donativos dos peregrinos e perante a situação de pandemia, que reduziu praticamente a zero a presença de pessoas no recinto, entre Março e o final de Maio, o Santuário equacionou o que se avizinha, com os números da pandemia a crescer de novo e os piores cenários económicos a confirmarem-se. Perante este quadro, tratou-se de preparar os próximos tempos.

O Santuário já cancelara várias acções que tinham ganho espaço regular no seu calendário, diz Carmo Rodeia: simpósio, retiros, encontros do movimento da Mensagem de Fátima, actividades com jovens e jovens deficientes.

Agora, chegou a altura de cortar o necessário e suficiente “para garantir a sustentabilidade” e sem nunca pôr em causa “a sua principal missão que é acolher peregrinos”. “Esse será o critério a seguir, atendendo à circunstância pessoal de cada colaborador. Não serão cortes cegos.”

 

“Não chegará à meia centena”, mas desde Maio já terá havido 44 saídas

Santuário de Fátima

O recinto do santuário de Fátima, 26 Janeiro 2019, à noite: pairam sombras sobre o fututo de parte dos 308 funcionários funcionários. Foto © António Marujo/7MARGENS

 

“No final de todo o processo, que se espera rápido, não chegará à meia centena” de pessoas dispensadas, diz Carmo Rodeia. Mas no dia 12 de Maio, na conferência de imprensa que antecedeu a peregrinação simbólica e sem peregrinos, o bispo de Leiria-Fátima, cardeal António Marto, situava em cerca de 350 pessoas o número de trabalhadores da instituição. A TVI, que avançou com a primeira informação na terça, dia 1, à noite, contabilizava desse modo um número próximo da centena que, em cerca de meio ano, deixaria de trabalhar para o Santuário, pois 44 pessoas já teriam visto chegar ao fim os seus contratos a termo.

Entre os actuais 308 assalariados, que têm até dia 15 para apresentar alguma proposta, se assim o entenderem, os departamentos com trabalhadores indiferenciados ou com tarefas especificas de vigilância, manutenção e hospedagem são os que têm mais gente, esclarece a porta-voz. Carmo Rodeia acrescenta que, no passado, o Santuário de Fátima “assegurava muitas tarefas internas através da prestação de serviços externos que, no seu conjunto, eram mais onerosos”. E em vários casos, “optou-se por contratar profissionais que assegurassem internamente essas áreas, sempre que isso se revelou economicamente mais vantajoso”.

Significa isto que o Santuário pode reforçar, agora, o seu quadro de voluntários (actualmente, 350)? “Os voluntários são, como sempre foram, uma parte essencial dos colaboradores” da instituição, diz Carmo Rodeia, sobretudo na liturgia e no acolhimento. O coro, por exemplo, continua a ser composto, maioritariamente, por voluntários, e há voluntários em todos os serviços.

Questionada sobre se o santuário se sente confortável ao tomar esta decisão, quando o Papa tem insistido, mesmo desde o início da pandemia, na importância de não despedir pessoas para salvar as entidades empregadoras, Carmo Rodeia diz que “ninguém se sente confortável com cortes”. Mas acrescenta, defendendo a falta de alternativa: “A responsabilidade da equipa que dirige uma instituição desta natureza é a de garantir a sua sustentabilidade. É também a esse dever que nos convoca o Papa Francisco quando nos pede para sermos administradores – e bons administradores – da Casa Comum.”

A porta-voz insiste: “O Santuário é um espaço de acolhimento de peregrinos. Essa é a sua principal função. Garantir que ela não fique nem beliscada nem comprometida exige actos de gestão, que como disse não serão cegos e terão em conta a realidade de cada pessoa, de cada trabalhador sem pôr em causa o bem comum.”

 

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