
Os jovens que visitaram Fátima no contexto da JMJ constituíram 17% do número global de peregrinos. Foto © Santuário de Fátima
O Santuário de Fátima recebeu 6,8 milhões de peregrinos ao longo do ano 2023, um número que representa um aumento de 39% face ao de 2022 e que se situa na média do que vinha sendo registado no período anterior à pandemia de covid-19. Houve, no entanto, uma elevada quebra no saldo das suas contas, que passaram de um resultado positivo de 1,1 milhão de euros, em 2022, para pouco mais de 110 mil euros, devido sobretudo aos gastos com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Os números foram divulgados esta quinta-feira, 8 de fevereiro, pelo reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, durante o 45. º Encontro de Hoteleiros e Responsáveis de Casas Religiosas que Acolhem Peregrinos em Fátima.
“Desde 2010, ano do início das comemorações do Centenário das Aparições, que a média de peregrinos se situava entre os cinco e os sete milhões, com exceção do próprio ano de 2017 — ano do Centenário, com a presença do Papa Francisco e a canonização dos Santos Francisco e Jacinta Marto —, em que a afluência ao Santuário de Fátima se quantificou em mais de nove milhões de pessoas”, assinala o Santuário através de um comunicado divulgado no mesmo dia.
A JMJ, que decorreu em agosto, desempenhou um papel relevante no aumento do número de peregrinos, sendo que os jovens que visitaram Fátima no contexto daquele evento constituíram 17% do número global de peregrinos em 2023.
Mas foi também devido à JMJ que a margem de lucro foi bastante mais reduzida no ano que passou, dado que os gastos diretos do Santuário com o evento ultrapassaram 1,4 milhões de euros, revelou o responsável pelo Santuário.
Entre os custos com a JMJ, incluem-se o donativo à organização, o aluguer de tendas e estruturas para a ‘Aldeia Jovem’, a montagem da sala de imprensa, a exposição organizada em Lisboa, a produção de um filme de animação, a preparação de estruturas e espaços para acolhimento dos jovens, a logística da visita do Papa à Cova da Iria, e ainda a contratação de serviços externos, nomeadamente vigilância para este período.
“Havia clara consciência de que aqui importava fazer um investimento porque pensamos que é um investimento para o futuro. Muitos dos jovens regressarão a Fátima e são já, nos lugares de origem, difusores de Fátima. Em relação ao exercício, este até nos deixa muito tranquilos”, salientou, realçando que o Santuário, em cada ano, tenta que haja um “grande equilíbrio entre rendimentos, “fundamentalmente de donativos”, e os gastos. E concluiu: “O Santuário não existe para dar lucro, se nós conseguirmos em cada ano um saldo neutro é ótimo”.









