
O cardeal António Marto ao centro, na conferência de imprensa deste dia 12, ladeado pelo bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal, José Ornelas e pelo reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas. Foto © António Marujo/7MARGENS
Entre acordos amigáveis de rescisão, “todos por iniciativa” dos trabalhadores, demissões de funcionários e não renovações de contratos a termo certo, “parte dos quais de estudantes” que trabalhavam a tempo parcial, o Santuário de Fátima ficou até agora sem 47 trabalhadores desde que, em Setembro, surgiram notícias de que haveria um plano de despedimentos para redução de custos com salários.
Não houve despedimentos, garantiu o reitor do Santuário de Fátima, nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, em Fátima, antes do início oficial da última grande peregrinação do ano. O padre Carlos Cabecinhas acrescentou uma “curiosidade”: dos trabalhadores que se demitiram, vários inscreveram-se como voluntários no santuário, diz. E alguns desses estão mesmo a trabalhar no acolhimento nesta peregrinação de Outubro, limitada à participação máxima de seis mil peregrinos e com apertadas medidas de distanciamento físico, conforme as decisões acertadas com a Direcção-Geral da Saúde.
Até agora houve 14 acordos de rescisão, 15 demissões e 18 não renovações de contratos a termo. Se a estas 47 saídas e rescisões se juntarem quatro pessoas que passaram à situação de reforma, a instituição já deixou de contar ou dispensou, nos últimos meses, com um total de 51 trabalhadores. Mas esta redução de pessoal, acrescenta o reitor, foi a “última medida” tomada pelo santuário católico no âmbito do seu plano de reestruturação desde que, em meados do ano, se “tomou consciência” de que a crise iria “durar mais tempo do que parecia” e assumindo também “que os recursos não são inesgotáveis”.
As “medidas de redução dos custos fixos” incluíram o cancelamento de actividades ou a reestruturação de orçamentos. “Para evitarmos despedimentos, tivemos de equacionar ajustamentos, procurar soluções, sempre com um horizonte de responsabilidade social”, alegou o padre Cabecinhas. “Nunca estiveram em causa as condições para cumprir a missão do santuário, de acolhimento aos peregrinos”, acrescentou, refutando ainda afirmações do Sindicato de Hotelaria do Centro, que no início de Setembro disse que estaria a haver “pressões” sobre os trabalhadores.
São declarações “falsas”, diz o reitor, não só porque houve reuniões com grupos de pessoas para que ninguém se sentisse pressionado individualmente, como porque o sindicato nunca procurou os responsáveis da instituição religiosa: “É muito fácil propagar a informação de que o santuário está a despedir, é fácil, vende bem. Mas não é verdade.”
O cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, também reafirmou ser um “ponto de honra” não proceder a despedimentos, como disse em Maio. “Não houve nenhum plano para fazer despedimentos, houve um plano de reestruturação para uma administração e gestão rigorosa, em tempos de emergência”, afirmou.
Este ano de 2020 foi um “ano especial, diferente”, que trouxe uma “drástica redução” do número de peregrinos por causa da pandemia. “O ano de 2020 tem sido um dos mais difíceis, no Santuário de Fátima, sem peregrinos e com uma diminuição drástica do fluxo de trabalho”, acrescentou Carlos Cabecinhas.
O reitor exemplificou com alguns números: entre Março e Agosto, houve 436 grupo que cancelaram peregrinações; em Outubro e Novembro há “apenas 97 grupos inscritos” – 33 de Portugal, 22 de Espanha, 11 da Polónia, 9 da Itália, 8 da França e um de países como a Alemanha, Eslovénia, México, Hungria, China, Canadá e Bélgica. Em 2019, só em Outubro, houve 733 grupos que vieram a Fátima. E não é certo que os 97 inscritos para estes dois meses concretizem a viagem.
Dados como estes, explicam que as receitas e donativos tenham caído para metade até final de Setembro. Mas a ausência de peregrinos “afecta não apenas o santuário de forma directa, mas toda a cidade e imediações” e o reitor defende que a instituição tem estado atenta a esse problema, tendo aumentado em 60% os apoios sociais a pessoas e famílias com mais problemas económicos, no valor total de 800 mil euros.

O recinto de oração do santuário de Fátima, na tarde de 12 de Outubro. Foto © António Marujo /7MARGENS.










