
“Uma vontade de avivar lembranças atraiçoadas pelas ilusões mundanas dos dias falhos.” Foto © Jon Tyson / Unsplash
A saudade é a estranha penumbra
desabotoada no gélido crepúsculo da memória.
Acontece quando os odores se desfazem
e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.
Uma vontade de avivar lembranças atraiçoadas
pelas ilusões mundanas dos dias falhos.
A saudade vai-se tornando despedida vagarosa
de tudo o que está prestes a ser esquecido.
A saudade é a mãe ausente
da infância remota
e não mais celebrada.
A saudade é cruel
porque nos traz a leveza,
e a ausência do amor quer tortura,
não quer leveza.
A saudade é culpa de te esquecer às vezes;
tudo o que és,
porque “ser” é verbo
que ninguém deveria conjugar
nos pretéritos.
Ana Sofia Brito é performer e artista de rua por opção, embora também mantenha a arte de palco; frequentou o Chapitô e estudou teatro físico na Moveo, em Barcelona.










