
O Papa Francisco, Martin Scorsese e a sua mulher, Helen, no Vaticano, 27 de maio, 2023. Foto © Vatican Media)
Trinta e cinco anos depois de A Última Tentação de Cristo, o realizador Martin Scorsese acaba de anunciar que tem em curso um projeto com vista a realizar um novo filme sobre Jesus, em resposta a um apelo do Papa.
“Respondi ao apelo que o Papa fez aos artistas da única maneira que sei: imaginando e escrevendo um argumento para um filme sobre Jesus e estou pronto para começar a fazê-lo”, adiantou o cineasta à revista La Civiltà Cattollica, uma publicação da responsabilidade dos jesuítas.
Realizador de filmes como A Cor do Dinheiro, Tudo Bons Rapazes, A Idade da Inocência, Gangues de Nova Iorque ou A Última Tentação de Cristo. Este último, baseado num homónimo de Nikos Kazantzakis, provocou, na altura, acesas polémicas, motivadas sobretudo pela forma como Jesus foi retratado.
Refira-se que o realizador norte-americano acaba de conhecer um grande sucesso no Festival de Cannes, com o seu último filme Killers of the Flower Moon, sobre o morticínio dos índios Osage, na América dos anos 20, do século passado. O filme foi mesmo considerado o grande ou, pelo menos, um dos grandes acontecimentos da edição de 2023 do conhecido certame cinematográfico.
O realizador e a esposa foram recebidos em audiência pelo Papa, no último sábado, depois de ele ter participado num encontro de 40 católicos criativos, em Roma, sobre “A estética global da imaginação católica”, patrocinada por La Civiltà Cattolica e pela Universidade de Georgetown, em Washington.
Nesse encontro, o Papa pediu aos artistas que ajudem a “abrir a nossa imaginação para que ela possa transcender as nossas perspetivas estreitas e abrir-se ao santo mistério de Deus”.
Segundo reportagem publicada pela revista America, Francisco apelou ainda a que “continuem a sonhar, a ser inquietos, a evocar palavras e visões que possam ajudar a interpretar o mistério da vida humana e orientaras nossas sociedades em direção à beleza e à fraternidade universal”.
“Continuem a abraçar, poeticamente, os anseios presentes no coração humano, para que não arrefeçam e desapareçam”, disse o Papa. “Fazer isso permite que o Espírito aja, crie harmonia nas tensões e contradições da vida, alimente nossa paixão pelo bem e promova o crescimento da beleza em todas as suas formas, aquela beleza que encontra expressão privilegiada nas artes”, acrescentou o Papa.









