Modos de envelhecer (16)

“Se eu me cansasse de viver talvez pedisse para morrer…”

| 10 Jun 2024

Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo sexto depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Conheço pessoas esmagadas pelo sofrimento durante muitos anos. Não acredito que tal sofrimento tenha algo de bom.” Foto © Age Cymru/Unsplash (trabalhada)

 

Júlia, 44 anos

 

A primeira coisa que eu quero é saúde, é não sofrer.

Há dor suportável e dor insuportável. Sei que na vida há sempre as dores como componentes inevitáveis da própria vida. Até se diz que se aprende com o sofrimento…

Conheço pessoas esmagadas pelo sofrimento durante muitos anos. Não acredito que tal sofrimento tenha algo de bom.

Outra coisa que eu quero é estar em paz. Sentir que fiz o que devia, saber que fiz o melhor.

Não quero ter luxos, mas ter o necessário.

Não tenho filhos e queria aos 90 anos fazer as minhas coisas.

Se eu estiver em situação de grande sofrimento preferia morrer.

Se tiver algo que suporte e dê para viver quero continuar. Se estiver em grande sofrimento deixa de ter sentido viver. Se houver uma esperança eu ainda tento viver, mas se estiver muito mal quero morrer.

A parte monetária não me interessa. Gosto de viver uma vida simples e digna.

Não sei se se sou a favor ou contra a eutanásia…mas se entro em coma  e posso acordar como um vegetal, então é melhor não continuar esta hipótese de vida.

Tive um gato que mandei “eutanasiar”. Ainda hoje tenho remorsos.

Não sei se alguém me pedisse para ajudar a morrer eu seria capaz de o fazer.

Se for pessoa com saúde quero continuar até tarde, em paz e tranquilidade. Mas se estiver dependente não faço ideia do que quererei nesse momento.

Também não sei se será melhor estar numa instituição ou em casa.. Nunca pensei nisso.

Se eu me cansasse de viver talvez pedisse para morrer…

 

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo”

Na Casa de Oração Santa Rafaela Maria

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Estamos neste mundo, não há dúvida. Mas como nos relacionamos com ele? E qual o nosso papel nele? “Estou neste mundo como num grande templo”, disse Santa Rafaela Maria, fundadora das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em 1905. A frase continua a inspirar as religiosas da congregação e, neste ano em que assinalam o centenário da sua morte, “a mensagem não podia ser mais atual”, garante a irmã Irene Guia ao 7MARGENS. Por isso, foi escolhida para servir de mote a uma tarde de reflexão para a qual todos estão convidados. Será este sábado, às 15 horas, na Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, e as inscrições ainda estão abertas.

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Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja

A um mês da ordenação de dois bispos

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O patriarca de Lisboa, Rui Valério, escreveu uma carta a convocar “todos – sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos” da diocese para estarem presentes naquele que será o “momento raro da ordenação episcopal de dois presbíteros”. A ordenação dos novos bispos auxiliares de Lisboa, Nuno Isidro e Alexandre Palma, está marcada para o próximo dia 21 de julho, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos).

O exemplo de Maria João Sande Lemos

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Se há exemplo de ativismo religioso e cívico enquanto impulso permanente em prol da solidariedade, da dignidade humana e das boas causas é o de Maria João Sande Lemos (1938-2024), que há pouco nos deixou. Conheci-a, por razões familiares, antes de nos encontrarmos no então PPD, sempre com o mesmo espírito de entrega total. [Texto de Guilherme d’Oliveira Martins]

“Sempre pensei envelhecer como queria viver”

Modos de envelhecer (19)

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O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo nono depoimento do total de vinte e cinco. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

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