Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo sexto depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Conheço pessoas esmagadas pelo sofrimento durante muitos anos. Não acredito que tal sofrimento tenha algo de bom.” Foto © Age Cymru/Unsplash (trabalhada)
Júlia, 44 anos
A primeira coisa que eu quero é saúde, é não sofrer.
Há dor suportável e dor insuportável. Sei que na vida há sempre as dores como componentes inevitáveis da própria vida. Até se diz que se aprende com o sofrimento…
Conheço pessoas esmagadas pelo sofrimento durante muitos anos. Não acredito que tal sofrimento tenha algo de bom.
Outra coisa que eu quero é estar em paz. Sentir que fiz o que devia, saber que fiz o melhor.
Não quero ter luxos, mas ter o necessário.
Não tenho filhos e queria aos 90 anos fazer as minhas coisas.
Se eu estiver em situação de grande sofrimento preferia morrer.
Se tiver algo que suporte e dê para viver quero continuar. Se estiver em grande sofrimento deixa de ter sentido viver. Se houver uma esperança eu ainda tento viver, mas se estiver muito mal quero morrer.
A parte monetária não me interessa. Gosto de viver uma vida simples e digna.
Não sei se se sou a favor ou contra a eutanásia…mas se entro em coma e posso acordar como um vegetal, então é melhor não continuar esta hipótese de vida.
Tive um gato que mandei “eutanasiar”. Ainda hoje tenho remorsos.
Não sei se alguém me pedisse para ajudar a morrer eu seria capaz de o fazer.
Se for pessoa com saúde quero continuar até tarde, em paz e tranquilidade. Mas se estiver dependente não faço ideia do que quererei nesse momento.
Também não sei se será melhor estar numa instituição ou em casa.. Nunca pensei nisso.
Se eu me cansasse de viver talvez pedisse para morrer…










