O velho adágio “se queres a paz, prepara a guerra” deve ser substituído por outro: “se queres a paz, prepara a paz”. É esse o apelo da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), numa mensagem divulgada esta segunda-feira, 29 de dezembro, e inspirada na mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz, que se assinala no dia 1 de janeiro.
Recordando que o Papa, no seu texto, denuncia o incremento de despesas militares no mundo inteiro, a mensagem da CNJP evidencia que “um incremento sem precedentes” está igualmente previsto “para o nosso país e para os outros membros da União Europeia”. E sublinha a contradição: “Esta união de Estados nascida como alternativa a um passado de guerras contínuas parece preparar-se para a inevitabilidade da guerra. E fá-lo através da dissuasão, segundo o velho adágio: ‘se queres a paz, prepara a guerra’“.
Ao contrário, Leão XIV “rejeita esta lógica como alicerce da paz autêntica”, sublinha a CNJP, acrescentando que “a paz a que aludiu Leão XIV na sua primeira alocução e a que também alude nesta mensagem não é uma construção puramente humana, é a paz que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos (‘Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz’) é a ‘paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante’, que ‘provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente'”.
A Comissão frisa ainda que “os apelos desta mensagem não se dirigem apenas aos responsáveis políticos”. Na verdade, eles “dirigem-se a todas as pessoas”. Até porque, assinala a CNJP, “a polarização que hoje exacerba muitos conflitos (e também entre nós) não se limita às relações entre políticos e entre governos, invade muitos âmbitos socias”. Assim, “o desarmamento que propõe esta mensagem é, antes de tudo, o ‘do coração, da mente e da vida'”.
Ainda na linha da mensagem de Leão XIV, o organismo da Conferência Episcopal Portuguesa denuncia “políticas educativas que reforçam a ideia da inevitabilidade das guerras” e identifica como “alternativas que servem para construir essa paz autêntica” a implementação do direito internacional, a cooperação entre os Estados, o desenvolvimento dos povos, e as mudanças de regime por meios pacíficos (mudanças que a história recente também regista).
Sem esquecer que, “para esse ‘desarmamento’, devem contribuir as várias religiões”.










