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Crianças artigo religiões. Foto DR
Cinco crianças, cinco credos e um desejo comum: serem escutados.

Dia Internacional da Criança

“Se somos o futuro, então temos de ser ouvidos”: cinco crianças falam de religião, direitos e paz

| 31/05/2026

Celebra-se esta segunda-feira, 1 de junho, o Dia Internacional da Criança*. E se durante o resto do ano os mais novos têm pouco espaço nos média, o 7MARGENS faz questão de assinalar esta data dando-lhes voz.

Fomos ao encontro de cinco crianças e jovens de diferentes religiões que frequentam escolas da Grande Lisboa, entre o 5.º e o 12.º ano, e conversámos com eles sobre aquilo em que acreditam, como vivem a fé no seu dia a dia, como olham para as religiões dos outros e o que pensam sobre os seus direitos, que nem sempre são respeitados, em Portugal e no mundo.

Entre um jovem sique vindo da Índia, um muçulmano do Bangladesh, uma adolescente bahá’í portuguesa e duas crianças cristãs – uma católica de Angola e outra evangélica nascida em Portugal – surgem diferenças profundas de tradição e cultura, mas também muitos pontos de encontro. Veem Deus de modos distintos, oram de maneiras diversas, têm dias e locais de celebração próprios. Mas todos insistem na mesma ideia: a religião não deveria servir para dividir pessoas, e sim para aprender a viver com mais respeito, amor, paz e humanidade.

E deixam um alerta claro: os adultos precisam de os escutar. A avaliar pelo que disseram ao 7MARGENS, certamente que, se o fizessem, o mundo seria um lugar melhor.

 

Muitos se surpreendem quando Matilde, 16 anos, diz que é bahá’í. Mais do que surpresa, mostram desconhecimento. Afinal de contas, são poucos os seguidores desta religião em Portugal (a comunidade bahá’í nacional conta com cerca de dois mil crentes, agrupados em 11 assembleias espirituais locais, e há cerca de seis milhões de seguidores desta fé em todo o mundo).

Nascida na Pérsia, no século XIX, a fé bahá’í defende a unidade da humanidade e de todas as religiões. Os bahá’ís acreditam que Deus se revelou ao longo da história através de diferentes mensageiros – como Abraão, Buda, Moisés, Jesus, Maomé ou o seu fundador, Bahá’u’lláh – e que cada um deles trouxe ensinamentos de Deus adaptados ao seu tempo.

Por isso, Matilde explica a fé bahá’í como sendo “a união de todas as religiões”. Nas escolas que frequentou, entre Lisboa e a Margem Sul, foi sempre “a única bahá’í”, mas diz nunca ter sentido vergonha nem discriminação pelas suas crenças: “As pessoas ficam curiosas e eu explico. É sempre uma alegria contar”, diz com sorriso e voz doces.

Matilde tem 16 anos e é bahá'í. Foto DR (1200 x 900 px)

Matilde tem 16 anos e foi sempre “a única bahá’í” da turma. Foto: Direitos reservados

Veer tem a idade de Matilde e identifica-se com ela: no seu caso, quando partilha que professa o siquismo, a expressão de quem o escuta é, regra geral, de estranheza. Oriundo do Punjab, região do norte da Índia onde nasceu também a religião que pratica, Veer veio para Portugal com a sua família em 2017.

O siquismo é mais antigo que a fé bahá’í – foi fundado no século XV – e centra-se na igualdade entre todas as pessoas, na justiça social e no serviço aos outros. “É uma religião de guerreiros”, mas não nasceu para fazer a guerra, salvaguarda: “Foi criada para ajudar os outros e lutar contra a injustiça e desigualdade que existia na Índia”. Tanto que um dos seus “mandamentos” é que todos os crentes partilhem o mesmo apelido: Singh (que significa “leão”) é atribuído aos homens, e Kaur (que significa “princesa”) às mulheres. “Estes apelidos foram estabelecidos pelo guru Gobind Singh [o décimo e último guru humano do siquismo] para promover a igualdade, a dignidade e abolir o sistema de castas”, explica Veer.

Logo a seguir, o seu olhar tímido ilumina-se quando aponta para a cabeça e fala do turbante, que leva a que muitas pessoas achem que é muçulmano. Divertido, Veer diz ao 7MARGENS que precisa mesmo de o usar todos os dias para “organizar o cabelo”. É que uma das práticas tradicionais do siquismo é não cortá-lo e o adolescente explica com orgulho que isso resulta da convicção de que “Deus fez tudo perfeito”, pelo que os seres humanos não devem alterar o corpo. Apesar desse adereço não estar propriamente na moda entre os adolescentes em Portugal, Veer diz nunca ter sentido discriminação desde que chegou: “Quando vim para cá, as pessoas perguntavam o que era o turbante e eu explicava.”

Veer, jovem sique. Foto Clara Raimundo

Veer, jovem sique, gosta de explicar porque é que usa turbante. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

De resto, e apesar da timidez, Veer gosta especialmente de conversar com amigos de outras religiões e acredita que há muito mais em comum entre elas do que se possa pensar. “A maioria das religiões tem uma coisa similar: só existe um Deus. A mensagem é igual, só que os nomes são diferentes”, afirma.

 

Com ou sem jejum, na catequese ou na escola dominical… os mesmos valores

Um dos amigos de Veer é Sunny, um jovem muçulmano do Bangladesh que completou recentemente 18 anos, e que chegou a Portugal há pouco menos de três. Também ele diz sentir-se bem acolhido em Portugal e fala com entusiasmo da escola, dos amigos e dos professores portugueses. “Quando cheguei a Portugal fiquei chocado – no bom sentido – porque as pessoas eram mesmo muito simpáticas comigo e não estava à espera de ser assim tão bem recebido”, recorda. “A maior parte das pessoas gosta de mim e entende-me pelo que eu sou e pela forma como me comporto.”

Na escola, responde frequentemente às perguntas dos colegas sobre o islão. Embora todos já tenham ouvido falar daquela que é a segunda religião mais seguida em todo o mundo (cerca de 1,9 mil milhões de pessoas) e de muitos saberem que se baseia na fé num único Deus (ou Allah, em árabe) e nos ensinamentos do profeta Muhammad, transmitidos no Alcorão, há alguns preconceitos e dúvidas, que surgem sobretudo durante o Ramadão, o mês sagrado em que os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol e procuram dedicar mais tempo à oração, à partilha e à reflexão espiritual. “Eles veem que eu não como nem bebo nada durante o dia e ficam preocupados. Perguntam como é que eu consigo aguentar! Eu explico que não custa nada: como antes do sol nascer e depois de ele se por. É mais do que suficiente, até porque nesse mês também procuro ter uma vida mais calma, de maior reflexão e oração”, conta.

Sunny tem 18 anos, veio do Bangladesh e é muçulmano. Foto © Clara Raimundo 7MARGENS

Sunny veio do Bangladesh e é muçulmano. Quis ser fotografado junto a um cartaz feito por alunos da sua escola, que fala de paz. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Fora do Ramadão, Sunny também reza bastante: pelo menos cinco vezes por dia, a horas certas, mas que diz serem fáceis de conjugar com as aulas, até porque normalmente tem as tardes livres. “Basta procurar um lugar tranquilo voltado para Meca, e posso fazer as minhas orações. Se tiver de ser ao ar livre, as pessoas às vezes olham, mas não dizem nada”, refere. Às sextas-feiras, sempre que pode, vai à Mesquita Central de Lisboa com os seus pais para a Oração de Jumu’ah. “Gosto de ouvir o sermão proferido pelo imã e de rezar em conjunto com outros muçulmanos”, conta. Mas faz questão de sublinhar: “O islão ensina-nos a respeitar todas as religiões e converso muitas vezes sobre isso com os meus colegas e amigos, a maior parte deles cristãos”. Sobre Jesus, acrescenta: “Nós acreditamos que foi um profeta.”

Para Mateus, de 11 anos, Jesus é mais do que isso: é o verdadeiro filho de Deus, que “morreu por nós, para nos salvar”. Mas, sendo português e cristão, na realidade também ele pertence a uma minoria: cresceu numa família evangélica, ligada há várias gerações ao movimento pentecostal das Assembleias de Deus.

Na escola, a maioria dos colegas é católica, mas isso nunca foi um problema, assegura. “Aceitam-me como eu sou e não há diferença só porque sou de outra confissão religiosa. Vamos brincar e até nos esquecemos disso”, reconhece.

Enquanto muitos dos amigos andam na catequese, Mateus frequenta a escola dominical da sua igreja, onde as crianças se reúnem por grupos etários para conversar sobre temas bíblicos, ver vídeos e refletir sobre a vida de Jesus. As aulas decorrem aos domingos, durante o culto, enquanto os pais ficam a ouvir a pregação, e Mateus adora lá ir. O templo é sobretudo um lugar onde se sente “confortável e feliz”, resume. “É um lugar onde eu gosto de estar. Sinto-me melhor quando lá vou e depois quando saio.”

Mateus tem 11 anos e é evangélico. Foto © Clara Raimundo 7MARGENS

Mateus tem 11 anos e é evangélico. O templo é um lugar onde se sente “confortável e feliz”. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Em casa, na escola dominical – e também nas aulas de Educação Moral Religiosa Evangélica, que este ano está a frequentar pela primeira vez –, Mateus tem aprendido valores que considera centrais na sua vida: o respeito pelos outros, a solidariedade e a importância de não julgar quem pensa de forma diferente.

Exatamente os mesmos valores que Nacamura, 12 anos, tem aprendido na Igreja Católica. Nascido em Benguela (Angola), chegou a Portugal há dois e só aqui começou a frequentar a catequese, todos os domingos antes da missa. Mas lembra que a fé o acompanha desde muito pequeno, graças sobretudo à avó paterna. Foi ela quem lhe falou de Jesus, quem lhe ensinou as primeiras orações, e quem o habituou a rezar.

Hoje, faz oração antes das refeições, antes de dormir e antes dos jogos de basquetebol, desporto que pratica e pelo qual é apaixonado. Se alguém lhe pergunta porque está a rezar, explica sem complexos: “É que eu não preciso de sorte, preciso que Jesus me ajude e de lhe agradecer por todas as coisas boas que tenho.”

Nacamura tem 12 anos, veio de Angola e é católico. Foto © Clara Raimundo 7MARGENS

Nacamura tem 12 anos, veio de Angola há dois e só aqui começou a frequentar a catequese. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Racismo, bullying e aumento das atitudes discriminatórias

Ao contrário dos outros entrevistados, porém, Nacamura diz já ter vivido situações de discriminação. Não por causa da sua religião, mas por causa da cor da pele. Na escola, conta ao 7MARGENS, alguns colegas dirigem-lhe insultos racistas. “Chamam-me preto, macaco, pão queimado…”, relata, sem dramatizar, mas também sem esconder a tristeza que isso lhe provoca.

Nacamura lamenta também que nem sempre os adultos intervenham para evitar que estas situações se repitam. “Digo aos professores o que se está a passar e, às vezes, eles não fazem nada”, afirma. Ainda assim, recusa generalizar e faz questão de sublinhar que tem muitos amigos e que nem todos os colegas têm essas atitudes. “Na catequese e no basquetebol, nunca fui vítima de racismo”, sublinha.

A experiência do racismo leva-o a valorizar ainda mais a tolerância em relação a quem é diferente. “Jesus diz que é para respeitar todas as pessoas”, afirma. E acrescenta que é Ele que o inspira a não sentir rancor de quem o discrimina. “Jesus perdoa logo se nós erramos ou pecamos, e eu também tento perdoar e não reagir com violência”, explica, acrescentando que trata da mesma forma colegas católicos, evangélicos, muçulmanos, hindus ou sem religião. “Somos todos iguais e temos os mesmos direitos”, insiste.

Mateus nunca foi vítima de racismo, mas conhece a experiência do bullying. Conta que sofreu agressões físicas na escola, algumas delas gravadas em vídeo e divulgadas nas redes sociais por alunos mais velhos. Apesar disso, acredita que as coisas melhoraram depois de ter denunciado a situação aos professores. E procura compreender as razões do comportamento agressivo dos colegas: “Talvez tenham problemas em casa.”

Já Veer, apesar de não ter sofrido na pele nenhum destes problemas, reconhece que tem havido um aumento das atitudes discriminatórias nas escolas, sobretudo contra imigrantes, e relaciona esse aumento com os discursos políticos da extrema-direita e com a falta de conhecimento mútuo: “As pessoas ouvem que a imigração é má e depois pensam que todos os imigrantes são maus. Mas quando conhecemos, já entendemos que isso não é verdade. Somos todos mais parecidos do que imaginamos.”

Veer tem 16 anos, veio da Índia e é sikh. Foto © Clara Raimundo 7MARGENS

“Somos todos mais parecidos do que imaginamos”, assegura Veer. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Sunny, que insiste que se sente muito bem acolhido em Portugal, acaba por admitir que já ouviu algumas pessoas fazerem comentários depreciativos por acharem que ele era indiano ou por causa dos seus hábitos culturais, como por exemplo comer com as mãos. E lembra que a integração também exige algum esforço de quem chega: “Quando vim para Portugal percebi que tinha de me adaptar à cultura daqui.”

Seja como for, o respeito deve ser “a base para tudo”, defende Matilde, a adolescente bahá’í. Sunny, o jovem muçulmano, concorda e reforça com o seu exemplo pessoal: “No Bangladesh, estudava numa escola cristã, que também era frequentada por muitos muçulmanos como eu e hindus, e não havia conflitos. Agora, aqui em Portugal, tenho muitos colegas de turma cristãos e tenho um que é judeu… damo-nos muito bem e estamos sempre na brincadeira um com o outro”.

Sunny. Foto Clara Raimundo

“Tenho muitos colegas de turma cristãos e tenho um que é judeu… damo-nos muito bem”, partilha Sunny. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

O jovem reconhece que a amizade entre um muçulmano e um judeu pode parecer improvável para quem acompanha as notícias sobre a guerra no Médio Oriente. Mas garante que nunca houve qualquer problema entre os dois. Para Sunny, as diferenças religiosas não devem impedir as pessoas de se conhecerem e respeitarem. “Todas as religiões querem paz e amor”, afirma. “Não faz sentido odiarmo-nos por causa da religião.”

 

“Antes de sermos cristãos ou muçulmanos, somos humanos”

Veer, o adolescente sique, concorda com Sunny e resume assim aquilo que todos pensam: “Antes de sermos cristãos ou muçulmanos, portugueses ou indianos… somos humanos.”

Consciente de que há quem não pense assim e particularmente atento às desigualdades no seu país e  no mundo, Veer diz que, no futuro, gostaria de ser advogado. “Quero defender pessoas que enfrentam injustiças”, explica. Um sonho que é partilhado pelo pequeno Mateus, que também quer estar ao lado dos mais frágeis.

Quanto a Nacamura, gostaria de tornar-se jogador de basquetebol profissional e chegar à NBA, mas também com um propósito altruísta: “ganhar muito dinheiro e poder ajudar as crianças mais pobres de Angola”, o país onde nasceu.

Já Matilde sonha vir a ser bioquímica. A escolha tem origem no seu interesse pela ciência e pela área da saúde, e foi reforçada ao acompanhar a luta da mãe contra um cancro. A jovem fala com admiração dos profissionais que a têm seguido e sonha contribuir para o avanço da medicina em todo o mundo.

Matilde Mata. Foto DR

Matilde sonha vir a ser bioquímica e contribuir para o avanço da medicina. Foto: Direitos reservados

Sunny, por sua vez, gostaria de estudar economia e gestão para um dia abrir o seu próprio negócio. Filho de comerciantes, acredita que essa formação lhe dará as ferramentas necessárias para concretizar o sonho de ter uma loja e prosseguir o seu futuro em Portugal, o país que tão bem o acolheu.

E se fossem presidentes da República por um dia? À pergunta do 7MARGENS, todos dizem que mudariam alguma coisa – e as suas respostas revelam muito sobre aquilo que mais valorizam. Matilde reformaria o sistema educativo, para dar mais espaço ao raciocínio e ao pensamento crítico. Veer percorreria as escolas para ouvir os problemas dos alunos e combater o bullying e a discriminação. Sunny investiria na educação e na promoção de uma cultura de respeito entre professores e estudantes, pois recorda com tristeza a violência física ainda praticada por alguns professores no Bangladesh. Mateus procuraria ajudar as pessoas que vivem na pobreza e sem abrigo. E Nacamura reforçaria o combate ao racismo e criaria mais apoios para crianças em situação de vulnerabilidade.

Mateus Henriques. Foto Clara Raimundo

Se fosse Presidente, Mateus procuraria ajudar as pessoas que vivem na pobreza e sem abrigo. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Diferentes nas propostas, os cinco coincidem numa ideia essencial: um mundo que escute mais as crianças e jovens seria certamente melhor. Para Matilde, não restam dúvidas: a liberdade de expressão é o direito mais importante das crianças, até porque “se as pessoas não tiverem liberdade de expressão, não são verdadeiramente livres”. Mateus concorda, mas considera que esse direito nem sempre é respeitado, e aproveita para deixar um repto a todos os que lerem as suas palavras: “Dizem que as crianças são o futuro. Se somos o futuro, então temos de ter liberdade para falar e temos de ser ouvidos”.

E escutar (ou, neste caso, ler) as vozes destes cinco, num tempo em que os discursos de intolerância ganham espaço e em que as religiões parecem perdê-lo, revela uma geração capaz de falar da fé sem hostilidade, e da diferença sem medo.

Nacamura. Foto Pedro Gomes

Nacamura quer chegar à NBA poder ajudar as crianças mais pobres de Angola. Foto © Pedro Gomes/ 7MARGENS

Talvez seja essa uma das lições mais importantes deste Dia Internacional da Criança: ouvi-los não apenas como titulares de direitos, mas como pessoas capazes de pensar criticamente o mundo e imaginar formas mais humanas de vivermos juntos.

 

NOTA

* Portugal celebra o Dia Internacional da Criança, proclamado em 1925, em Genebra, durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança. É celebrado desde então a 1 de junho em vários países, Angola e Moçambique incluídos. A ONU reconhece o dia 20 de novembro como o Dia Mundial da Criança, por ser a data em que foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959 e a Convenção dos Direitos da Criança em 1989.

 

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