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Guerra e alterações climáticas

Seca atinge 12 milhões de pessoas na Síria e no Iraque

| 24/08/2021

OCHABilal al Hamoud Crianças levam baldes com água em campo de deslocados na Síria

Criança transporta balde com água em campo de deslocados na Síria. Foto © ONU/Bilal al Hamoud.

 

À medida que as temperaturas continuam a subir devido às mudanças climáticas, 12 milhões de pessoas na Síria e no Iraque correm sérios riscos de deixar de ter acesso a água potável, eletricidade e alimentos. O nível da água na bacia do Eufrates, controlado em boa parte pelas vizinhas autoridades turcas, continua a descer, depois de já ter atingido sucessivos recordes negativos, noticiava esta terça-feira, 24, a agência Asian News.

Desde o início de maio, observadores imparciais têm vindo a alertar para o facto de a Turquia ter reduzido substancialmente o débito de água do Eufrates, violando, inclusive, os compromissos estabelecidos com a Síria no acordo de 1987. A gestão do Governo de Ancara responde a sucessivos anos de fracas chuvas no seu território e é também uma forma de punir o povo e as autoridades curdas que administram a região do nordeste da Síria, a mais diretamente atingida pela seca. A Turquia trava há décadas uma guerra permanente, agravada nos últimos anos, contra os movimentos independentistas curdos, instalados de um e outro lado das suas fronteiras com a Síria e o Iraque.

O rio Eufrates nasce nas montanhas do leste da Turquia e segue para sudeste, atravessando a Síria e o Iraque, onde corre paralelo ao Tigre até se juntar a ele, formando o Shatt Al-Arab, que desagua no golfo Pérsico.

A emergência provocada pela falta de água afeta mais de 12 milhões de pessoas, incluindo cinco milhões na Síria que dependem diretamente do rio Eufrates. No vizinho Iraque, a descida do caudal do Eufrates e do Tigre coloca em risco pelo menos sete milhões de pessoas. A seca já tornou inutilizáveis cerca de 40 mil hectares de terras cultiváveis ​​e duas barragens que forneciam eletricidade a mais de três milhões de pessoas no Norte da Síria ameaçam ter de fechar.

O Grande Imã da Mesquita e Universidade de Al-Azhar (Cairo), Ahmad Al-Tayyeb  ­- com quem o Papa Francisco assinou a 4 de fevereiro de 2019 o célebre “Documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a convivência comum” [ver 7MARGENS] – veio recentemente a público pedindo “ações sérias e decididas” para neutralizar os efeitos devastadores da descida do nível da água dos rios Eufrates e Tigre.

 

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