
Ambovombe. Madagáscar, maio de 2021. Foto © Pierrot Men/Amnesty International
A crise climática em Madagáscar provocou uma seca devastadora no sul do país, deixando um milhão de pessoas à fome. Segundo a Amnistia Internacional (AI), que publicou agora o relatório “It will be too late to help us once we are dead” (“Quando estivermos mortos, será tarde demais para nos ajudarem”, numa tradução possível), 91% das pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza.
Para a organização de direitos humanos, que documenta o impacto da seca no usufruto dos direitos humanos da população na região do “Sul profundo” do país, “Madagáscar é um exemplo gritante do efeito arrasador das alterações climáticas nas vidas de milhares de pessoas”.
“As Nações Unidas afirmaram mesmo que Madagáscar está à beira de experimentar a primeira vaga de fome, resultante das alterações climáticas, no mundo”, nota a Amnistia.

Madagáscar © Pierrot Men/Amnesty International
Antecipando a COP26, a cimeira do clima em Glasgow, na Escócia, a AI “apela aos líderes mundiais para que tomem medidas ousadas e concretas para reduzir coletivamente as emissões de carbono em pelo menos 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, e chegar a zero antes ou até 2050, em conformidade com as provas científicas”.
Como recorda a organização, o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla inglesa) afirmaram, em maio, “que cerca de 1,14 milhões de pessoas enfrentavam elevados níveis de insegurança alimentar aguda no sul do país”, e que perto de 14 mil se “encontravam num estado de ‘catástrofe’”, que é o “nível mais elevado de insegurança alimentar” na escala da “Classificação da Fase Integrada da Segurança Alimentar” (IPC). É a primeira vez que é registada, desde que a metodologia IPC foi introduzida em Madagáscar em 2016.
A FAO relembra que 95 % das pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda no sul de Madagáscar dependem da agricultura, pecuária e pesca. No entanto, as estações chuvosas abaixo da média, ao longo dos últimos anos, levaram a uma grave redução da produção de alimentos básicos, como arroz e mandioca, e à diminuição do gado, já que a seca também provocou morte de animais.

Madagáscar © Pierrot Men/Amnesty International










