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Estudantes, Bragança, Taizé

Segunda leitura – Quem dá o pão…

| 27/02/2021

Estudantes, Bragança, Taizé

Estudantes a tomar uma refeição: as saudades da escola são também as saudades de comer com os amigos. Foto © Dina Pinto

 

A reportagem era sobre as saudades da escola, sobre a falta que ela fazia. Melhor: sobre a falta que dela se sentia. Que não é exatamente a mesma coisa, mas adiante… Claro que sim, claro que sentiam a falta, meninas e meninos a uma só voz, e de quê?, pois de tudo, de estar com os amigos, de aprender muitas coisas novas, de estar com os amigos, de jogar e brincar no recreio, de estar com os amigos outra vez, de ouvir histórias, de ler, de pintar, de falar, de… de estar com os amigos… de estar com os amigos!

… E de… de… de comer na escola. De comer na escola? Sim, sim, de comer na escola. Porque comer na escola, dizia um com sorriso tímido (ou envergonhado?), era melhor do que comer em casa. Mas porquê? Porque… porque há mais… porque… não sei… porque a comida é melhor… Tu gostas mais? Gosto. E sentes falta? Sinto.

(…)

Entre parêntesis: “As escolas de Lisboa estão a distribuir, todos os dias, mais de 1.900 refeições a alunos carenciados. Além do apoio alimentar, as escolas estão também abertas para acolher os filhos dos trabalhadores essenciais.” (SIC Notícias, 4-2-2021)

Outro parêntesis: “O número de refeições servidas em regime de takeaway nas escolas a alunos da Ação Social Escolar continua a aumentar e já é quase o triplo das que foram distribuídas em período equivalente no ano passado. De acordo com dados enviados ao JN pelo Ministério da Educação, o número ‘aumenta a cada dia’: na primeira semana da pausa letiva, foram servidas uma média diária de 21 mil refeições nas 700 escolas de acolhimento; na segunda semana, esta média foi superior a 29 mil, tendo chegado às 31 mil refeições quarta-feira. Comparativamente, na segunda semana da pausa letiva de abril, foram servidas uma média de 10 mil refeições – um aumento de quase 300%.” (JN, 8-2-2021)

(…)

Quem dá o pão, dá a educação. Sim, sim. Mas quem dá a educação também dá o pão, tem de ser, tem de dar o pão, porque senão nem educação nem nada. Não, não é pão para alimentar a alma, é mesmo pão para o corpo, pão de trincar, de mastigar, de matar a fome na boca. E o pão da escola, nuns casos (e cada vez mais casos) será o único. Mas noutros casos (e quantos?), não sendo o único, é… é o melhor. Sim, o melhor. Sim, é bom comer na escola. Sim, na cantina. Sinto a falta de comer na escola. Porque é melhor do que comer em casa.

(…)

Mais um parêntesis, este já antigo: “(…) Neste Natal, só nos concelhos que responderam, mais de 33 mil crianças alimentam-se diariamente na escola. (…) Apesar de hoje o almoço ser peixe, esperam-se alguns pedidos para repetir a dose. É sempre assim nesta sala envidraçada, não há muitas esquisitices à mesa. “Repetem muito, muito, muito, mesmo muito”, garante Célia (…). Ao seu lado, H., aluna do 2.º ano (…) não está entusiasmada com o prato do dia. Tinha preferido a carne do dia anterior, mas gosta da comida da escola “mais do que da de casa”, confessa (…). A L., 8 anos, uma menina de cabelos claros e casaco cor-de-rosa, trouxe-a o pai: — “É melhor comer na escola do que em casa porque em casa há pouco dinheiro para comprar comida. Na escola, há fruta e outras coisas.” (Retirado de uma reportagem sobre o fornecimento de refeições nas escolas durante as férias, da autoria de Andreia Sanches, Idálio Revez, Samuel Silva e Sara Dias Oliveira, Público de 29-12-2013)

(…)

A reportagem era sobre as saudades da escola. Sim, os amigos, a brincadeira, o aprender, o recreio… E sim, a comida, comer na escola…  Comida de cantina, sim, que bom que é… Melhor do que em casa… E por aí adiante… A educação e o pão… Pois é…

Há tanta coisa que se passa aqui ao lado e a gente não sabe. Tanta!…

 

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