
Bispos espanhóis querem uma maior e melhor coordenação no apoio aos migrantes. Foto © Fifaliana-Joy/Pixabay.
“Não são invasores, são seres humanos que procuram chegar à Europa fugindo da guerra e da fome” lembram os bispos da Subcomissão para a Migração e a Mobilidade Humana da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) em nota intitulada Não a Mais Mortes nas Fronteiras emitida sexta-feira, 25 de junho, a propósito dos graves incidentes do dia anterior em Melilla, durante os quais foram mortos pelo menos 23 migrantes.
Depois de recordar que as cerca de 130 pessoas que conseguiram atravessar a fronteira entre Marrocos e o lado espanhol em Melilla eram refugiados sudaneses, os bispos pedem que estas questões sejam abordadas “numa perspetiva humanitária”: “Entendemos ser necessária a regulação dos fluxos migratórios, mas devemos considerar a situação crítica e de miséria em que milhares de migrantes subsaarianos se encontram do outro lado da fronteira.”
“Precisamos de uma migração ordenada através de canais legais e seguros, além de promover a colaboração para o desenvolvimento com os países que sofrem guerras, conflitos e fome. A [entrega do controlo a entidades externas] e a militarização das fronteiras por si sós não acabarão com os problemas nem com as causas que levam à fuga de milhões de migrantes, refugiados ou deslocados no mundo”, lê-se na nota da CEE.
Este foi “o primeiro ataque massivo desde que Marrocos obteve em março a carta em que o presidente [do Governo espanhol] Pedro Sánchez apoia abertamente a proposta de autonomia marroquina para o Sara Ocidental, em detrimento do referendo de autodeterminação exigido pela Frente Polisario”, escreve o correspondente do El País em Melilla, Francisco Peregil.
Pouco passava das 8h30 de sexta-feira, dia 24 de junho, quando cerca de 1.500 migrantes tentaram forçar a passagem fronteiriça de Chinatown (entre Marrocos e Espanha, na cidade de Melilla, no norte de África). A resistência da polícia marroquina resultou em 23 migrantes mortos e uma dezena de feridos graves (número oficiais não confirmados por observadores independentes) e apenas 133 conseguiram cruzar a fronteira.
A Comissão Espanhola de Ajuda aos Refugiados (CEAR), uma organização que há quatro décadas apoia refugiados e migrantes em território espanhol, denunciou o “uso indiscriminado da violência” para gerir as migrações, controlar as fronteiras e impedir a entrada de pessoas que possam precisar de proteção.
“Este é o custo” de entregar o controlo das fronteiras a entidades externas “e colocar a responsabilidade de controlá-las nas mãos de um país como Marrocos que não respeita os direitos humanos. Ter um escritório de asilo na nossa fronteira Sul para tratar do expediente, mas a que não podem aceder pessoas de origem subsariana, é uma falácia e a maior hipocrisia que um Estado de Direito pode ter”, escreveu Estrella Galán, diretora-geral da CEAR, no sítio da organização.









