AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Seminário LOC/MTC: Trabalho, o “elo mais fraco” na era digital

| 17/03/2021

“O trabalho nesta era digital tornou-se o elo mais fraco, mais esquecido, invisível e dispensável”, considera o coordenador da LOC/MTC. Foto © Christina Wocintechchat/Unsplash.

O trabalho nesta era digital tornou-se “o elo mais fraco, mais esquecido, invisível e dispensável, embora seja o palco em que se joga boa parte da concretização dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana” – e esse é um dos temas que Américo Monteiro, coordenador nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), refere ao 7MARGENS como tendo sido dos mais significativos nos debates dinamizados durante o seminário internacional que decorreu no último fim-de-semana, 13 e 14 de março.

Sob o tema “Evolução das relações e formas de trabalho na era digital – ‘Trabalho’ ‘Trabalhador’ ‘Empresa’ – Organização dos trabalhadores e sua representação”, o seminário, organizado via internet a partir da Junta de Freguesia de Cacia (Aveiro), contou com a participação de inúmeros peritos nacionais e estrangeiros e representantes de organizações de trabalhadores católicos de Portugal, Alemanha, República Checa, França e Espanha.

O bispo de Aveiro, António Moiteiro, presidiu à abertura dos trabalhos e apresentou uma reflexão “aprofundada sobre a cultura digital e o trabalho”, as preocupações e oportunidades inerentes, e sublinhou a existência de “muitos circuitos fechados, que alimentam notícias falsas e provocam discórdia na sociedade”.

Na sessão de encerramento participou Cristina Tavares, operária corticeira, que “falou da sua experiência de vida e de luta no processo de assédio moral na empresa, bem conhecido dos portugueses”.

De acordo com Américo Monteiro, Cristina Tavares referiu que “nunca quis qualquer protagonismo e o que a motivou foi e é a necessidade de ter trabalho e salário para a sua subsistência”. O bispo sublinhou ainda que a operária “muitas vezes se refugiou na oração para continuar a ter forças e levar até ao fim a luta pelos seus direitos”.

Presente via online nesta sessão esteve também o presidente do Sindicato dos Corticeiros, Alírio Martins, que “acompanhou todo o processo e foi a primeira testemunha do que estava a acontecer”. Os participantes no seminário tiveram acesso a “uma panorâmica de toda a luta travada e ainda em curso” ficando “mais clara a importância da solidariedade”. Alírio Martins explicou também “como avançou para despoletar toda a onda de solidariedade que se desencadeou, pedindo audiências e colocando o assunto junto das entidades, junto da Igreja local e diocesana, junto da sua central sindical e a nível político”.

Cristina Tavares: “O que a motivou foi e é a necessidade de ter trabalho e salário para a sua subsistência”. Foto: Direitos reservados.

Diálogo social e Plano de Ação

Na avaliação pessoal do seminário feita ao 7MARGENS, o coordenador nacional da LOC/MTC valorizou também o debate que contou com a participação do ex-ministro da Saúde António Correia de Campos sobre “que assuntos dos trabalhadores colocar e como, na agenda política, sindical e empresarial, que fortaleçam o diálogo social e um desenvolvimento harmonioso?”.

Desse debate, Américo Monteiro reteve a necessidade de “fortalecer o diálogo social como um meio para alcançar o progresso social e económico”, mas também como “um fim em si mesmo, uma vez que dá voz e possibilita às comunidades uma participação ativa, na sociedade e nos locais de trabalho, pelo que é um agente de cidadania.”

Para o coordenador da LOC/MTC, ficam várias interrogações para reflexão futura: “Diálogo social existe sempre, a questão está em saber se ele se desenvolve com a qualidade necessária”, refere. Se “a qualidade pressupõe opiniões informadas, baseadas no conhecimento, estará o diálogo social a incidir sobre assuntos de interesse comum?”, questiona. E acrescenta: “Estará o diálogo social a incidir sobre tópicos atuais? A automação, a digitalização, a demografia e a globalização são vetores de mudança e de desafio – será que estão a ser tidas em conta no diálogo social?”.

Reflexões que “vêm complementar a formação dos participantes, na perspetiva de um maior empenhamento militante pela cidadania e o bem comum” e ajudam a “fundamentar as nossas convicções”, conclui Américo Monteiro, lembrando que o Plano de Ação Nacional da LOC/MTC para 2021 tem como ideia base “o valor da pessoa humana no centro de tudo”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia

Padre da Obra da Rua morreu

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia novidade

O padre Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e missão. Membro do clero da Diocese de Bragança-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro de 1925 e começou cedo o seu sacerdócio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a tragédia humanitária provocada pelas condições péssimas em que viviam quantos davam a vida na construção de barragens naquele Trás-os-Montes longínquo e abandonado dos anos 1950. [Texto de Tony Neves]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória

[Entre Margens]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória novidade

No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.