
As experiências comunitárias para seminaristas iniciam em setembro de 2023. Foto © Steffen Schmitz – CC-BY-SA-4.0
Os seminaristas “teólogos” de Milão deverão, a partir de setembro de 2023, passar o seu terceiro ano vivendo em pequenos grupos, em comunidades paroquiais, de modo a que a sua formação decorra “mais em contacto com a vida quotidiana das comunidades paroquiais e com as várias componentes do povo de Deus”.
O anúncio foi feito pelo arcebispo Mario Delpini que escolheu como oportunidade para anunciar a novidade precisamente a missa crismal de Quinta-feira Santa, celebrada na catedral. A notícia foi publicada no diário Avvenire.
A medida faz parte de um documento mais amplo intitulado “Reconfiguração da vida comunitária do Seminário”, que começará a vigorar a título experimental por um período de três anos (disponível em italiano aqui).
O texto de sete páginas foi elaborado inicialmente pela equipa de formadores do Seminário de Milão, debatido por toda a comunidade educativa desta instituição e, depois, em Conselho Episcopal, e aprovado, finalmente, pelo arcebispo. Acresce que se valoriza, no documento, articulações entre as medidas agora propostas e algumas das moções aprovadas no Conselho Pastoral Diocesano milanês.
Uma dessas moções defende que a formação inicial dos presbíteros possa acontecer em pequenos grupos que estejam numa maior proximidade com comunidades cristãs ou famílias, na sua vida quotidiana.
Na experiência que agora vai avançar “é considerado importante identificar um casal ou família que possa tornar-se um ponto de referência para o grupo de seminaristas”, desde que as pessoas, “identificadas pelos presbíteros locais”, estejam disponíveis para colaborar nesta formação “na dimensão doméstica e fraterna da vida”.
Além desta, outras medidas estão previstas, como a reestruturação dos espaços e tempos formativos de cada grupo e do conjunto dos seminaristas no Seminário, assim como o adiamento para o momento da ordenação como diácono, ou mesmo depois, da ‘tomada de hábito’ clerical.
Pretende-se com esta iniciativa “cultivar o estilo missionário de vida fraterna”. Bem como “desenvolver e ampliar um olhar crítico, interessado e realista sobre a atual condição cultural, social e eclesial”.
As medidas afetarão predominantemente o terceiro ano da formação e o facto de os pequenos grupos residirem nas comunidades não impedirá que os seminaristas frequentem diariamente aulas e outros momentos formativos no Seminário.
Uma das razões para esta experiência residiu na verificação de que, pelo terceiro ano consecutivo, se registou um número reduzido e em constante diminuição de admissões”. No ano de seminário 2013-14, segundo o documento dos formadores, havia um total de 150 seminaristas, que se tornaram 139 no ano 2017-18 e 78 no ano 2022-23. De então para cá, as admissões continuaram a diminuir drasticamente: foram 24 em 2017, 19 em 2018, 18 em 2019, 16 em 2020, 11 em 2021 e 6 em 2022.









