Modos de envelhecer (19)

“Sempre pensei envelhecer como queria viver”

| 21 Jun 2024

Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo nono depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Idosa. Restaurante

Imagem de Pressfoto / Freepik (transformada)

 

Helena, 83 anos

Eu nunca fui pessoa preocupada com uma carreira. Eu hei de ser assim ou assado…Não, a vida foi correndo.

Nunca a programei ou tive a preocupação de a programar. Fui aproveitando as oportunidades que a vida dava.

Nunca pensei como queria ou deixava de querer envelhecer. Sempre pensei envelhecer como queria viver, e fui vivendo.

Por isso mantenho a minha independência no envelhecimento. Ir ou não ir para um Lar também não foi pensado ou programado.

Os pais têm obrigação de apoiar os filhos, mas os filhos não têm obrigação de serem responsabilizados pelos pais.

Sei que posso contar com os meus filhos, mas nem sequer lhes pedi opinião sobre os Lares, sobre ir ou não ir para um Lar.

Os meus amigos eram mais velhos que eu. Encontrávamo-nos muito com as famílias e outros amigos. Quando se fica solteiro vê-se os casais e os amigos reunirem só com os casais.

Os encontros foram escasseando. Com o envelhecer isto agravou-se.

Nunca fui boa dona de casa. Tive sempre alguém que me apoiou a tratar dos filhos.

Cheguei a pensar viver em comum com um grupo de amigos. Entretanto o meu marido contactou o grupo que estava a criar um Lar e quis juntar-se a este grupo.

No Lar encontrei valores correspondentes às minhas expectativas.

Vais ser velho, queres que te tratem com carinho, mas ainda há Lares que tratam os utentes por tu…Isto significa menorização dos idosos.

Os valores são aqui os mesmos que eu sempre vivi e defendi. Por isso sinto-me bem.

O estar em casa, por si, não ajuda viver melhor o envelhecimento.

Hoje fui almoçar com três netos. Acabo por ter mais tempo com eles do que tinha antes de estar no Lar.

 

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