Senadores norte-americanos querem processar China por genocídio de uigures

| 29 Out 20

uigures, China, Foto_ © Xinjiang Bureau of Justice WeChat Account

Uma imagem divulgada nas redes sociais do governo chinês mostra centenas de uigures detidos num campo de educação política em Xinjiang. Foto: © Xinjiang Bureau of Justice, através da HRW.

 

Um grupo de senadores norte-americanos apresentou na terça-feira, 27, uma resolução que visa declarar a China como culpada do genocídio de uigures e outras minorias muçulmanas na região de Xingiang, no extremo noroeste do país, noticiou o The Guardian.

A resolução foi apresentada por senadores eleitos dos partidos Republicano e Democrata, mas é improvável que avance rapidamente, dado que o Senado só voltará a reunir após as eleições presidenciais da próxima semana.

“Esta resolução é o primeiro passo para responsabilizar a China pelos seus atos monstruosos”, defende o senador republicano John Corbyn. O democrata Jeff Merkley reforça: “O ataque da China contra os uigures e outros grupos minoritários muçulmanos – a escalada de vigilância, a prisão, a tortura e os ‘campos de reeducação’ forçados – é puro e simples genocídio”.

A China reafirma, por seu lado, que estes campos são “centros de treino vocacional”, destinados a ajudar os uigures a encontrar empregos e a afastálos do extremismo religioso.

“Esses senadores norte-americanos estão empenhados em fabricar todos os tipos de mentiras para desacreditar a China e obter benefícios políticos”, disse Wang Wenbin, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em conferência de imprensa esta quarta-feira.

“Na verdade, entre 2010 e 2018, a população uigur de Xinjiang aumentou de 10,17 milhões para 12,72 milhões (…) Em que se baseiam essas acusações de um alegado genocídio?”, questionou.

De acordo com uma investigação do serviço árabe da BBC, divulgada na semana passada, o governo chinês detém não apenas os uigures que residem no seu território como persegue aqueles que saíram da China, pressionando países como a Arábia Saudita e o Egito a deportá-los de volta à força.

No início de setembro, um grupo composto por 130 deputados britânicos assinou uma carta, enviada ao embaixador chinês no Reino Unido, condenando aquilo que descreviam como “um programa sistemático e calculado de limpeza étnica contra o povo uigur” na região de Xinjiang.

Três semanas mais tarde, era apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU um relatório do Tribunal Penal Internacional (TPI), acusando a China de estar a matar membros de minorias religiosas para lhes retirar os órgãos e, com isso, alimentar o negócio dos transplantes.

 

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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