Lideradas pela Save the Children

Sete ONG lançam projeto de combate ao tráfico de pessoas na Europa

| 29 Dez 2023

Projeto de luta contra tráfico humano liderado pela Save the Children. Foto Save the Children Itália

Adultos e crianças são explorados de muitas maneiras, com diferentes tipos de tráfico: a exploração sexual e a do trabalho são muito difundidas, mas há outras, alerta a Save the Children. Foto © Save the Children Itália

 

Seis organizações da sociedade civil a operar em Itália, França e Espanha, lideradas por uma sétima – a Save the Children – acabam de lançar um projeto para ajudar a combater o tráfico de pessoas nas fronteiras daqueles três países. Chama-se E.V.A. – Early identification and protection of Victims of trafficking in border Areas e irá apostar no desenvolvimento de estratégias nacionais e transnacionais para identificar precocemente as pessoas em risco e assegurar proteção às vítimas.

O grande objetivo deste novo projeto – adianta o Vatican News esta sexta-feira, 29 de dezembro – é “garantir que os rapazes e raparigas de países terceiros com menos de 18 anos e as mulheres jovens até aos 30 anos, com ou sem filhos, que são ou foram sobreviventes de tráfico e correm o risco de voltar a ser traficados, sejam libertados da exploração”.

Entre as medidas previstas no projeto E.V.A. – que é cofinanciado com fundos europeus – incluem-se “o acesso a um abrigo, um lugar onde as mulheres traficadas e seus possíveis filhos possam escapar da coerção e do controle das redes de tráfico”.

“Adultos e crianças são explorados de muitas maneiras, com diferentes tipos de tráfico: a exploração sexual e a exploração do trabalho são muito difundidas, mas também há vítimas de mendicância forçada, servidão doméstica, casamentos forçados, economias criminosas forçadas”, sublinha Raffaella Milano, diretora de Programas Nacionais e Advocacia da Save the Children Itália, explicando que o projeto visa também “identificar vítimas de tráfico ligadas a movimentos secundários na Europa e quer ser uma peça no mosaico de intervenções que devem ter como objetivo, em grande escala, estudar o fenómeno e desenvolver prevenção, deteção e contramedidas eficazes”.

 

Tráfico é terceira maior fonte de rendimento do crime em Itália

Pagamento ilegal, exploração. Foto JM_Image_Factory

No caso de Itália, o tráfico de pessoas é a terceira maior fonte de rendimento para o crime organizado, a seguir ao tráfico de armas e de drogas. Foto © JM_Image_Factory

 

O projeto foca-se em Itália, França e Espanha por serem três países onde o risco de tráfico e exploração é particularmente elevado, dado o crescente número de migrantes que cruzam as suas fronteiras, maoritariamente vindos de África.

No caso de Itália, o tráfico de pessoas é a terceira maior fonte de rendimento para o crime organizado, a seguir ao tráfico de armas e de drogas, assinala o artigo do Vatican News. Só nos primeiros seis meses de 2023, houve 1.477 pessoas assistidas pelo sistema antitráfico, gerido pelo Departamento de Igualdade de Oportunidades daquele país. Destas, 64,2% eram mulheres e 2,4% menores, principalmente da Nigéria (51,5%), Paquistão (6,4%), Marrocos (5,5%), Brasil (4,5%), e Costa do Marfim (3,9%).

Localizada entre Itália e Espanha, a França é o destino ou local de trânsito para muitos migrantes traficados a partir daqueles países. E de acordo com o Grupo de Especialistas do Conselho da Europa sobre ações contra o tráfico de seres humanos (GRETA), citado no mesmo artigo, “os esforços para combater o tráfico em França ainda são amplamente inadequados e há uma necessidade urgente de melhorar a identificação, a proteção e o apoio aos sobreviventes”, sendo as deficiências mais importantes “a falta de habilitações específicas para o tráfico da parte dos funcionários que trabalham nos centros de receção e a falta de acomodações seguras para as pessoas traficadas”.

Embora menos preocupante do que a fronteira entre Itália e França, a fronteira entre Espanha e França também tem registado um aumento do tráfico de migrantes, sobretudo nigerianos, marfinenses e guineenses que entram na Europa pela fronteira sul de Espanha, refere ainda o artigo.

As ações deste novo projeto irão, assim, incidir “não apenas nas passagens de fronteira”, mas também em centros de acolhimento localizados em Paris e perto das fronteiras francesas com Itália e Espanha.

 

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