Livro de oração

Silêncio: devolver à vida a sua beleza

| 5 Out 2022

Capa do Breviário do Silêncio

 

Será um passo paradoxal falar do silêncio: afinal, ele será rompido para que dele se fale. Mas sabemos, na nossa experiência quotidiana, como a ausência de reflexão pode ser sinónimo, não de silêncio, mas de um adormecimento nos ruídos, distrações e imagens que constantemente nos interpelam.

Capa do Breviário do Silêncio

Capa do Breviário do Silêncio

O caminho aqui desenvolvido com coragem por João Barrento – com um percurso invejável na área da tradução, da crítica literária e do ensino, dedicados de modo particular à poesia e à literatura alemãs – transporta o leitor, num registo de prosa muito próximo de uma poética da linguagem, para as diversas facetas com que o silêncio regista o humano. As imagens que acompanham o corpo do texto contêm um valor simbólico denso, ajudando a criar pausas na leitura. Da poesia de Echevarría à escrita de Llansol – de cuja obra o autor é um dos principais curadores –, da arte de Rui Chafes ao património literário de Paul Celan, de Holderlin e da poesia clássica chinesa – Barrento conduz-nos por um saborear este bem tão raro e tão gratuito como é o silêncio. Mas também o silêncio da natureza, da leitura ou da tradição monástica são aqui convocados para um exercício de atenção e de escuta. Porque o silêncio não é inimigo da palavra, mas sim do ruído, do excesso, da distração. Há leituras que se fazem devagar, que despertam a atenção, que deixam um travo de sabedoria que devolve à vida a sua beleza. Beleza que é um dom, como o silêncio. Palavra capaz de nos acompanhar.

“O silêncio não é explicável. Não só porque se furta aos princípios de articulação da linguagem, mas também porque ele é, em si e quando irrompe e se demarca do som, uma realidade e uma experiência auto-suficiente e autónoma. Qualquer tentativa de explicação da experiência (não do fenómeno!) do silêncio seria uma contradição. O silêncio propicia, em última análise, o acesso a uma ‘fala’ do mundo e das coisas na sua radicalidade ontológica, sem explicações. É a pura presença.”

 

Breviário do Silêncio, de João Barrento

Edição: Alambique, 2021, 160 pág.

 

(Este texto foi inicialmente publicado na revista Mensageiro de Santo António)

https://santoantonio.live/breviario-do-silencio/

 

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