Páscoa na Palestina

Silwan, Jerusalém: “Queremos justiça para todos”

| 18 Mar 2022

Esta reportagem faz parte de uma série de trabalhos do serviço de imprensa do Conselho Mundial de Igrejas, intitulada Iniciativa da Páscoa, que pretende retratar instantâneos da vida quotidiana dos palestinianos, muçulmanos e cristãos que vivem em Jerusalém e arredores, alguns dos problemas que enfrentam e o que lhes dá esperança. Neste texto, Yacoub Rajabi fala da sacralidade da dignidade humana e da própria vida.

 

 

Yacoub Rajabi, palestiniano de Silwan (Jerusalém Oriental), com parte da família, ameaçados sde despejo da sua casa. Foto © Cortesia de Yacoub Rajabi, via CMI-WCC

Yacoub Rajabi, palestiniano de Silwan (Jerusalém Oriental), com parte da família, ameaçados de despejo da sua casa. Foto © Cortesia de Yacoub Rajabi, via CMI-WCC.

 

A partir da sua casa em Silwan, Jerusalém, Yacoub Rajabi – como muitas pessoas em todo o mundo –  tem vindo a assistir às notícias da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. E, juntamente com grande parte do mundo, ele reza pela paz.

Mas Yacoub também se pergunta porque é que o mundo parece ignorar a situação que afecta a sua pátria. “Hoje, vejo as notícias e a guerra na Ucrânia, e sinto que estamos numa situação semelhante: que alguém está a invadir a terra de outra pessoa, e o invasor quer homogeneizar toda a gente e expulsar a população indígena da sua pátria”, diz.

Yacoub Rajabi, a sua esposa e cinco filhos – o mais velho dos quais tem 25 anos – vivem sob constante ameaça de despejo da sua casa e comunidade. “Ver as notícias faz-me sentir mais perseguido do que nunca, porque vejo que o mundo inteiro e a ONU estão resolutamente do lado dos ucranianos, como deveriam estar”, diz ele, “mas vejo um padrão duplo: vejo o mundo a dar a Israel uma mão livre para fazer o que quiser para nos perseguir”.

Em Silwan, onde cerca de 800 pessoas vivem sob ameaça de despejo, muitos são informados de que, se não demolirem eles próprios as suas casas, o Estado exigirá que paguem 30 mil dólares americanos em custos de demolição.

Silwan está localizada em Jerusalém Oriental, a sul da Cidade Velha e da Mesquita de Al-Aqsa. É um dos bairros de Jerusalém Oriental onde os grupos de colonos e o Governo israelita têm exercido sistematicamente pressão para tomar posse de casas palestinianas. Muitos residentes de Silwan acreditam que existe um claro conluio entre as organizações de colonos e o sistema judicial israelita.

“Israel afirma ser uma democracia, mas quando vejo como Israel trata os palestinianos… não há democracia nenhuma”, lamenta Yacoub. “Os meus filhos vivem com medo.”

Ele e a sua família já se mudaram uma vez, após a trágica morte do seu filho de dez anos, quando ele reagiu a um ataque de gás lacrimogéneo pelas forças de segurança. “Agora os colonos andam atrás de nós”, diz. “Temos documentos de identificação israelitas, mas não gozamos de quaisquer direitos ou privilégios.”

Numa declaração pública em Novembro de 2021, o Comité Executivo do Conselho Mundial das Igrejas (CMI) manifestou a sua profunda preocupação com os recentes desenvolvimentos na Palestina e em Israel, que indicam “uma deterioração da situação na região, emblemática das muitas formas como a contínua ocupação militar dos Territórios Palestinianos impede a obtenção de uma paz justa entre os povos da Terra Santa”.

Para Rajabi, o conceito de “paz justa” implica que as pessoas devem ser capazes de viver com dignidade humana. Para ele, “paz justa” significa que a vida deveria ser suficientemente sagrada para nunca ter perdido o seu filho de forma violenta.

Muitos outros palestinianos que estão ameaçados de despejo pertencem a famílias de refugiados, assinala Yacoub. “São descendentes das famílias expulsas em 1948 das suas casas originais”, diz ele. “Agora enfrentam o despejo pela segunda vez.”

A família tentou ir a tribunal, mas pouco mudou, explica Rajabi. “Sentimos que o tribunal é tendencioso contra nós, e a polícia também”, diz ele. “Não sentimos que haja alguém disposto a ouvir.”

Neste momento, a sua esperança está com os filhos, diz Rajabi. “Mas estão a começar a desenvolver problemas psicológicos devido ao medo”, lamenta. “Queremos que os nossos filhos vivam em segurança.”

Rajabi quer partilhar a sua história porque ainda acredita que a mudança é possível em Israel e na Palestina. “Acreditamos que um dia viveremos as nossas vidas sem ocupação”, diz ele, “acreditamos que os nossos filhos viverão em paz, porque o mundo pode ajudar a acabar com este sofrimento.”

 

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