Papa pede diálogo

Sinais de apaziguamento no conflito social no Equador

| 27 Jun 2022

O presidente do Equadro, Guillermo Lasso. Foto © Assemblea Nacional de Ecuador

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, enfrenta muita contestação nas ruas. Foto © Assemblea Nacional de Ecuador

 

Cerca de um ano depois de empossado, o presidente do Equador, Guillermo Lasso, tem vindo a enfrentar uma onda de contestação nas ruas das principais cidades do país, que culminou, nos últimos dias, com a abertura de processo de impeachment no Parlamento, onde detém a maioria. Já morreram seis pessoas e duas centenas ficaram feridas nos recontros entre as forças da ordem e os manifestantes.

Os conflitos sociais, cortes de estrada, manifestações violentas e atuações igualmente violentas da parte da polícia agudizaram-se em meados de junho, na sequência de um forte aumento dos preços dos combustíveis, quando a uma greve marcada pelos produtores de banana, se juntou a poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie).

A movimentação da Conaie tinha já, atrás de si, um Parlamento onde os debates se agudizaram nos últimos meses em torno de medidas liberalizadoras e privatizadoras do Presidente. Em 1 de junho, uma votação obrigou mesmo a presidente daquele órgão legislativo e apoiante de Lasso a abandonar o cargo.

Ao longo da campanha eleitoral, na terceira vez que disputava o lugar, o Presidente defendeu “um futuro que leve a prosperidade, a uma sociedade livre, democrática e de oportunidades” que opunha ao “regresso a um passado de violação de direitos humanos, corrupção e má gestão da economia”. No entanto, o caderno reivindicativo de 14 pontos com que a Conaie parou uma boa parte do país, nas últimas duas semanas, ia de medidas mais conjunturais, como a redução e fim da subida dos preços dos combustíveis ou moratórias para pagamento de dívidas de quatro milhões de famílias, a propostas para políticas de investimento público para “travar a precarização laboral e assegurar a sustentabilidade da economia popular” ou o “fim da privatização dos setores estratégicos”, considerados património dos equatorianos”.

No dia 14 de junho, numa ação combinada da polícia e das Forças Armadas o presidente da Conaie, Leonidas Iza, foi preso. Apesar de, em discurso ao país, Lasso ter procurado acusar o dirigente como o principal responsável de alegados atos violentos de “vândalos que só querem provocar o caos”, a medida levou a uma maior radicalização dos movimentos populares, tendo sido, posteriormente anulada. Os cortes de vias, sobretudo na área da capital, Quito, têm-se mantido e ainda neste domingo, 26, Guillermo Lasso dizia sobre o presidente da Confederação, em declarações à CNN: “Aqui não há lutador social, aqui há um anarquista (…) que quer derrubar um governo.”

Apesar de tudo, o Governo procurou baixar a tensão interrompendo o estado de emergência, que vigorava em alguns locais, e reduziu o preço da gasolina em dez cêntimos de dólar. Esta última medida foi considerada “insuficiente” pela Conaie, que não desativou as barreiras nas vias públicas.

 

Papa pede diálogo e igrejas cristãs contra desestabilizadores

O clima de agitação e confrontação social do Equador levou o Papa Francisco a manifestar a sua preocupação e a apelar ao diálogo, depois da oração do Ângelus, no domingo, 26, no Vaticano.

“Estou próximo desse povo e encorajo todas as partes a abandonar a violência e as posições extremadas. Aprendamos: apenas com o diálogo se poderá encontrar a paz social – espero que em breve –, com particular atenção às populações marginalizadas e mais pobres, mas sempre respeitando os direitos de todos e as instituições do país”, afirmou.

Por sua vez, a Conferência Episcopal católica, a Confraternidade Evangélica Equatoriana e a Igreja Luterana emitiram uma declaração conjunta sobre a situação que o país tem estado a viver.

Para estes responsáveis religiosos, “é injustificável que a luta social seja manchada pela presença de grupos armados criminosos que buscam semear caos, terror e desestabilização”, nas ruas do Equador.  “É injustificável que a busca por dias melhores para todos esteja contaminada com a perversa intenção de desestabilizar a ordem democrática legalmente constituída, seja a partir da rua ou dos interesses de partidos ou grupos”, acrescenta a declaração que, neste ponto, se aproxima da posição de Lasso, tido como membro da Opus Dei.

As igrejas entendem que é hora de governantes e governados fazerem uma opção pela defesa dos mais vulneráveis ​​e pelo progresso de todos. “A partir da pastoral, mas também das múltiplas obras das diversas confissões cristãs na saúde e na educação, comprometemo-nos a colocar no centro de nossa ação a defesa dos direitos dos povos e comunidades indígenas e de todos os equatorianos, bem como a defesa da ordem constituída, como o único quadro político e social para resolver as nossas diferenças”, diz o comunicado.

 

Luigino Bruni: “Se organizarmos a JMJ Lisboa como há dez anos, será um falhanço total”

Diretor d'A Economia de Francisco, em Assis, ao 7M

Luigino Bruni: “Se organizarmos a JMJ Lisboa como há dez anos, será um falhanço total” novidade

Professor de Economia Política da Universidade Lumsa de Roma, e consultor do Dicastério para os Leigos, Luigino Bruni é um apaixonado pela Bíblia e pelo cruzamento entre disciplinas como a Ética e a Economia. No final do encontro global d’A Economia de Francisco, que decorreu entre os passados dias 22 e 24 de setembro em Assis, falou ao 7MARGENS sobre o balanço que faz desta iniciativa, e deixou alguns conselhos aos organizadores da Jornada Mundial da Juventude 2023, que irá realizar-se em Lisboa.

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Breves

 

Índia

Carnataca é o décimo Estado a aprovar lei anticonversão

O Estado de Carnataca, no sudoeste da Índia, tornou-se, no passado dia 15 de setembro, o décimo estado daquele país a adotar leis anticonversão no âmbito das quais cristãos e muçulmanos e outras minorias têm sido alvo de duras perseguições, noticiou nesta sexta-feira, 23, o Vatican News, portal de notícias do Vaticano.

Neste sábado, em Lisboa

“Famílias naturais” em convívio contra a ideologia de género

Prometem uma “tarde de convívio e proximidade”, um concerto, diversão e “múltiplas actividades para crianças e adultos: o “Encontro da Família no Parque” decorre esta tarde de sábado, 24 de Setembro, no Parque Eduardo VII (Lisboa), a partir das 15h45, e “pretende demonstrar um apoio incondicional à família natural e pela defesa das crianças”.

Gratuito e universal

Documentário sobre a Laudato Si’ é lançado a 4 de outubro

O filme A Carta (The Letter) será lançado no YouTube Originals no dia 4 de outubro, anunciou, hoje, 21 de setembro, o Movimento Laudato Si’. O documentário relata a história da encíclica Laudato Si’, recolhe depoimentos de vários ativistas do clima e defensores da sustentabilidade do planeta e tem como estrela principal o próprio Papa Francisco.

Prémio D. António Francisco homenageou pediatria e Serviço Nacional de Saúde

Ala pediátrica do São João e Centro Materno Infantil

Prémio D. António Francisco homenageou pediatria e Serviço Nacional de Saúde novidade

A ala pediátrica do Centro Hospitalar Universitário de São João e o Centro Materno Infantil do Norte (CMIN) receberam, ao início da tarde desta segunda-feira, o Prémio D. António Francisco correspondente à edição deste galardão para o ano de 2020. Em virtude da pandemia, o prémio só agora foi entregue, em cerimónia que decorreu no Palácio da Bolsa, no Porto. Ambas as entidades foram consideradas pelo júri como cumprindo “de forma exemplar os valores do Prémio”, que com esta atribuição fqaz também um “reconhecimento público ao Serviço Nacional de Saúde, pelo esforço desenvolvido na resposta à pandemia”.

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