Sínodo da Igreja Lusitana aumenta serviço às vítimas mais frágeis da pandemia

| 8 Out 20

Sínodo Igreja Lusitana

O bispo Jorge Pina Cabral no Sínod da Igreja Lusitana. Foto: Direitos reservados

 

Tendo por base o Salmo 100 – “Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os moradores da terra” –, reuniu em 4 e 5 de outubro, o 98.º Sínodo da Igreja Lusitana (IL)-Comunhão Anglicana.

Composto por cerca de 40 representantes das comunidades lusitanas – eleitos pelas comunidades na sua qualidade de leigos e o clero –, o Sínodo aprovou, neste contexto de pandemia e de agravamento das condições sociais e económicas, o recém-criado Secretariado de Diaconia (Serviço), que visa atender às necessidades humanas e materiais da população. Nas diversas comunidades lusitanas será reforçado este serviço. Atualmente, e em colaboração com o Alto Comissariado para as Migrações, a IL está já a desenvolver um programa de apoio a famílias migrantes que apresentam diversas necessidades.

Na alocução inicial, o bispo Jorge de Pina Cabral focara a sua mensagem precisamente na situação que vivemos nestes tempos de pandemia, reafirmando que a “Igreja é comunhão (cosmo munhão)”, e é desta vivência cósmica que estaremos “fisicamente disponíveis uns para os outros, vivendo uma proximidade de relação humana impossível de atingir por outros meios e plataformas”.

Afirmou D. Jorge que sabendo que muitos não “regressaram ao seio da Igreja”, ainda, será necessário, além do apoio “material e humano”, um cuidado pastoral que se substancia numa “grande, grande necessidade de ajuda e alimento espiritual”.

Para tal é necessário que neste “contexto de pandemia, de sofrimento e de morte com que somos diariamente confrontados”, celebremos, como refere o Salmo 100, com “júbilo ao Senhor”, tornando-se imprescindível dar sentido a esta “celebração”. De tudo isto provêm grandes interrogações – como referia – que “são legítimas”, mas elas remetem-nos “para um ato de confiança, mesmo e principalmente num contexto de adversidade. Celebrar não é tanto fazer ou executar, mas antes colocarmo-nos humildemente perante Deus e a sua transcendência”. Por isso, chama os cristãos lusitanos (anglicanos), unidos em fraternal ecumenismo, para viverem na nossa Casa Comum, “num tempo diferente, mas de novas oportunidades”.

O Sínodo ainda se debruçou sobre este “Tempo da Criação” (que decorreu até 4 de Outubro) aprovando um conjunto de propostas, apresentadas pelo Secretariado Juvenil, que visam uma Igreja mais ecológica e ambientalmente sustentável. Com base nas propostas dos jovens será elaborado um Roteiro Verde para aplicação aos diversos níveis da Igreja contendo um conjunto de procedimentos a adotar na área da reciclagem, da redução das emissões de carbono, na opção por transportes menos poluentes, na redução do uso de plásticos e na opção por ementas com menor pegada ecológica.

Também, com muito agrado, acolheu, e no contexto da celebração dos 140 anos da constituição da Igreja, a edição de um livro da autoria de António Manuel S. P. Silva intitulado Igreja Lusitana – uma breve história. Nesta área da Comunicação, foram aprovadas um conjunto de recomendações que visam o reforço da presença da Igreja nas diferentes plataformas de comunicação existentes.

A Igreja Lusitana, Católica, Apostólica Evangélica é, desde 1980, membro da Comunhão Anglicana, tendo como autoridade metropolitana o arcebispo de Cantuária, na sua qualidade de foco visível de unidade desta família de Igrejas. A Comunhão Anglicana congrega 84 milhões de pessoas em todos os continentes, está presente em mais de 160 países e é constituída por cerca de 39 províncias ou Igrejas nacionais e autónomas, que se dirigem por si mesmas, respondendo às necessidades e particularidades de cada povo.

A Igreja Lusitana tem mantido, desde a década de 60 do século passado, uma postura ecuménica, participando em diálogos, encontros e celebrações com a Igreja Católica Romana e outras Igrejas.

A Igreja Lusitana-Comunhão Anglicana é membro do Conselho Português de Igrejas Cristãs, Conselho Mundial de Igrejas, Conferência das Igrejas Europeias, Comunhão de Porvoo e Conferência das Igrejas Protestantes dos Países Latinos da Europa. Traduzindo essa integração e ecumenismo, o sínodo recebeu mensagens de saudação da Comunhão Anglicana, diocese inglesa na Europa, diocese anglicana do Brasil, bispo do Porto, bispo da Igreja Metodista de Portugal e Igreja Presbiteriana.

 

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Comentário

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