Sínodo de esperança ou nem isso

| 25 Out 21

Papa Francisco em oração no Momento de Reflexão que deu início ao Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. Foto © Vatican Media 2021

 

Tenhamos esperança de que o Sínodo começado em Portugal e em todas as dioceses do mundo católico-romano não seja um esfrangalhado tecido que nada terá a ver com a vontade indomável de um homem, que se chama Francisco, bispo de Roma e Papa. As primeiras notas não são nada animadoras: basta sentirmos o que a Igreja Católica em Portugal fez com a encíclica Laudato Si’, que simplesmente silenciou e, embora alguns pequenos grupos teimem em levá-la à luz do dia, o clero português, na sua generalidade, não estará para aí virado. Ouvimos e refletimos sobre os sinais do Sínodo amazónico e depois, embora castrado, do documento Querida Amazónia, para percebermos o tecido que incorpora as autoridades eclesiásticas portuguesas. A Fratelli Tutti, já está esquecida, o que me leva a perguntar o que pensam de tudo isto os portugueses.

Uma onda de escuridão sopra no panorama religioso católico-romano, que faz que tudo o que venha de Francisco para nada serve. Não estou a dizer “mal” de ninguém”, nem sequer do clero, ao qual ainda pertenço, mas o Papa Francisco pede que sejamos honestos e falemos cara-a-cara daquilo que nos vai no coração, senão seremos desonestos. Não me esqueci ainda do que disse Francisco após a sua recente operação, que existiriam cardeais preocupados em realizar um novo conclave para eleger outro Papa.

De acordo com uma amostragem realizada aos leitores do jornal 7MARGENS, a maioria não espera uma mudança com o sínodo, que será para, mais uma vez em Portugal, ser esquecido, como têm sido todas as posições que não encaixam nos poderes de quem diz querer ser como Jesus, mas atabalhoadamente não quer ver desautorizadas as suas ordens de poder.

Não se pretende que uns sejam melhores que outros, mas que todos deixem ouvir a voz do Povo de Deus, de onde emerge o Espírito do Senhor.

Ouvir as pessoas não em “catedrais-confessionários”, mas na liberdade de serem mulheres e homens, criados por Deus, e com a infinitude de ser como os demais. Nomear comissões ou pessoas que nada esperam do sínodo, ou se esperam, será como uma nova melancolia de uma Igreja onde o Espírito Santo está ausente. É matar o sínodo, à nascença. Francisco disse que se o Espírito Santo não fosse o dinamizador do processo sinodal, então para nada serviria o sínodo. Mas o Espírito Santo sai do interior do Povo de Deus, Ele é subjacente ao Povo, não lhe passa ao lado, se o Povo não tiver voz, e são milhões de vozes, então o sínodo para nada serve. Ou melhor, servirá, para mais uma vez, ser esquecido e deturpado.

O Sínodo da Amazónia foi para todo o mundo, um sínodo cosmológico, mas não foi levado à prática; o Povo de Deus foi ouvido, mas logo mergulhou na solidão do mundo inteiro, e só resquícios se fazem ouvir na Amazónia. Se já no seu início as pessoas duvidam, por que estão cientes do amarfanhamento que as forças poderosas possuem, como é líquido verificar no inquérito realizado pelo 7MARGENS, o Sínodo em Portugal não passará, as muralhas dos numerosos castelos existentes estarão atentas a que as suas decisões, mesmo conservadoras que sejam, não terão qualquer efeito na pátria lusa. Mas ainda tenho esperança que os poderes instituídos e que amesquinham as vozes possam ser tocados pelo Espírito de Deus.

 

Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.

 

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