
Fiéis numa missa numa igreja do Porto. Foto © João Lopes Cardoso/Diocese do Porto.
Apesar de largamente céticos (69,82%) em relação às mudanças que o Sínodo que agora começou provocará na Igreja Católica em Portugal e embora discordando (46,38) das práticas de participação existentes na comunidade católica, a esmagadora maioria dos leitores do 7MARGENS desejam que ao longo deste processo sejam auscultados todos os homens e mulheres que tomem a iniciativa de se pronunciar (47%) ou que sejam ouvidos não apenas o clero e as pessoas consagradas, mas também todos os leigos e leigas (42%).
Dividindo-se quase por igual entre aquelas duas hipóteses, o certo é que os leitores rejeitam claramente que o Sínodo dos Bispos decorra apenas em consultas no âmbito dos bispos, presbíteros e demais pessoas consagradas (0,4%), ou mesmo participado apenas pelos leigos e leigas mais envolvidos na vida da Igreja (11%). O reconhecimento da necessidade de ouvir todos os que queiram ser ouvidos é mais vincado nas respostas masculinas (52%) do que nas femininas (44%). Os jovens adultos (25-34 anos) constituem o grupo etário que mais fortemente (62%) também defende esta auscultação generalizada.
Se esta é a opinião sobre quem deve ser ouvido durante esta fase inicial do Sínodo, ao serem questionados sobre que meios de escuta devem ser usados neste processo, os 1036 leitores que reponderam ao inquérito do 7MARGENS elegem dois meios: o lançamento de um questionário para recolher a opinião e as sugestões das comunidades e movimentos e a realização de conferências abertas à participação de todos para recolher críticas, opiniões e sugestões. Estas foram, entre cinco hipóteses que os leitores eram convidados a ordenar, aquelas que surgem mais vezes em primeiro lugar dessa hierarquia. O questionário é o preferido de um em cada quatro dos inquiridos (25,58%), seguido de muito perto pela organização de conferências abertas (24,52%). Mas os meios digitais estão também muito bem cotados.
Assembleia diocesana não basta
O que a maioria dos leitores considera como um recurso a não utilizar é a organização de uma assembleia diocesana com representantes do clero e dos movimentos e obras católicas. De facto, 46,72 por cento coloca este meio em último lugar (porque o esquema do inquérito o obrigava a colocá-lo em algum lugar), e apenas um em cada dez (9,94%) o privilegia como meio de auscultação.
Pelo contrário, o que parece serem meios de escuta a que os católicos dão cada vez maior preferência são os meios digitais. Fruto, ou não, dos hábitos de comunicação a distância impostos pela pandemia, ou simplesmente pelo progressivo crescimento da utilização destes veículos de comunicação, mais de 40 por cento dos inquiridos preferem instrumentos da área digital para que seja possível ouvir todos aqueles que o devem ser na preparação do Sínodo.
Assim, criar um site em que estejam acessíveis as contribuições recebidas consideradas válidas e se divulgue, a quem nele se inscreva, os vários documentos preparatórios é uma opção que surge em 20,85 por cento das respostas como o meio ideal ao desenvolvimento da escuta desejada. Em quase o mesmo número de respostas (19,11%) o primeiro lugar nas preferências é concedido à utilização de plataformas e redes digitais e do e-mail, garantindo que todas as opiniões e sugestões recebidas são tratadas. Estas duas hipóteses quando não colocadas em primeiro lugar surgem em segundo lugar das preferências, totalizando, em conjunto, 45,18 por cento das respostas recebidas.
O inquérito do 7MARGENS
Este artigo foi escrito a partir da análise de 1036 respostas válidas ao questionário enviado aos assinantes do 7MARGENS e recebidas entre 24 de setembro e 4 de outubro de 2021. O questionário esteve também acessível a partir do próprio site do 7MARGENS.
A estrutura etária e de género, a distribuição espacial, a relação com a religião e os indicadores da participação na celebração da eucarística e em movimentos, ou estruturas eclesiais, foram divulgados em artigo publicado antes.










