Mais de 50 mil pessoas envolvidas

Sínteses sinodais entram em debate, mas contributos não serão divulgados

| 9 Mai 2022

caderno 7 margens sobre o sinodo

 

A quase totalidade das dioceses portuguesas decidiu divulgar apenas as sínteses diocesanas do processo sinodal em curso na Igreja Católica. Os contributos recebidos de paróquias, grupos, movimentos, comunidades religiosas ou pessoas individuais apenas poderão vir a ser divulgados por Braga (que ainda não decidiu em definitivo), Aveiro e Viana do Castelo (que divulgará as sínteses enviadas pelos diferentes arciprestados). A diocese das Forças Armadas e de Segurança (FAS) tem colocado as diferentes respostas na sua página no Facebook.

Esta conclusão ressalta de um curto inquérito que o 7MARGENS fez às 21 dioceses do país (as 20 territoriais, mais a diocese das Forças Armadas e Segurança). Da leitura das 18 respostas recebidas (Bragança, Évora e Setúbal não enviaram até agora os seus dados), ficamos a saber também que, entre as que já decidiram realizar uma assembleia para discussão e/ou aprovação da síntese diocesana, só duas já a fizeram – a maior parte acontecerá ainda na segunda metade de Maio ou durante o mês de Junho (Lamego em 2 de Julho).

Quanto à participação, algumas dioceses destacam os números positivos, mas aqui é difícil aferir resultados que permitam quaisquer conclusões dentro de cada diocese ou mesmo comparações: algumas optaram por receber apenas sínteses dos arciprestados ou vigararias (ouvidorias, nos Açores), outras incluem no número de contributos as respostas individualmente ao inquérito do sínodo por via digital, outras ainda reúnem todos os contributos: paróquias e grupos, sínteses de vigararias, respostas individuais…

 

Indo por partes, a primeira pergunta dirigida às dioceses era:

1 – Quantos documentos/contributos foram recebidos a nível diocesano?

Das 18 respostas, em relação aos contributos recebidos, há quem destaque o número de participantes envolvidos: Aveiro regista mais de 4500 pessoas, Coimbra mais de 3000 e Guarda fica nos 2000. Se extrapolarmos estes números para as 21 dioceses do país, e tendo em conta os números de contributos em algumas das outras, é possível dizer, sem exagero, que pelo menos 50 mil pessoas terão até agora sido envolvidas em todo o país, neste processo.

Em vários casos, há contributos individuais e colectivos da ordem das centenas: 100 respostas a cada um dos quatro formulários temáticos criados em Braga, 200 grupos em Coimbra, 1100 contributos em Leiria-Fátima, 220 em Lisboa respeitantes a sínteses de paróquias, movimentos, capelanias, escolas, etc., ou 223 em Vila Real. No Porto, foram recebidos 169 contributos de paróquias, movimentos e outras estruturas, além de 517 individuais.

 

Na segunda pergunta, queríamos saber se:

2 – Os contributos recebidos serão colocados em linha na página da diocese ou noutro sítio (ou serão divulgados de alguma outra forma)?

Neste tema, cinco dioceses dizem que não irão divulgar os contributos recebidos: Guarda, Lamego (haverá apenas uma síntese no jornal diocesano), Leiria-Fátima, Portalegre e Castelo Branco (os diferentes relatores receberão) e Vila Real. Lisboa deixará ao critério de cada grupo ou instituição a decisão sobre a sua divulgação.

Das restantes, Funchal e Porto ainda irão decidir o que fazer; Braga divulgará, embora a decisão final não esteja ainda tomada; Aveiro e Viana divulgarão apenas as sínteses dos diferentes arciprestados. E, como já referido, a diocese das FAS divulga os contributos dos diferentes grupos na respectiva página no Facebook, assegura o major-capelão Leonel Castro. Aliás, o 7MARGENS publicou há dias notícia do texto de um desses grupos, que criticava o que considerava a “prepotência, indiferença e hierarquização da Igreja”.

Além das três dioceses que não reagiram ao inquérito, outras não responderam a esta pergunta ou o que dizem não permite inferir uma decisão clara. É o caso de Angra, Coimbra, Santarém e Viseu. O Algarve irá decidir no próximo dia 21 o que fará e Beja publicará uma lista de todas as paróquias, grupos, instituições ou pessoas que responderam para se perceber a “mobilização que o Sínodo operou ou não na Diocese”, responde o padre Manuel António Rosário, responsável da comissão diocesana do Sínodo. E pondera ainda publicar os diferentes contributos na página do jornal Notícias de Beja no Facebook e na página da Diocese na Internet.

 

A terceira pergunta inquiria sobre se

3 – Está previsto divulgar o documento de síntese da diocese? Quando? Há alguma data já fixada para assembleia diocesana de aprovação do documento final?

Na resposta, a maioria esmagadora das dioceses assegura que a síntese diocesana será divulgada; diferem, no entanto, o calendário, método ou tipo de assembleia. Em alguns casos está prevista uma assembleia para debate de uma versão prévia, noutros casos o debate é para votar um texto definitivo. Nos Açores, haverá assembleias por ilhas, Beja prevê várias reuniões.

No final de Abril, na conferência de imprensa de conclusão da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o presidente do episcopado referiu-se às próximas jornadas da CEP (20-22 de Junho) como destinadas a fazer a síntese que será o contributo português para a fase continental do Sínodo. “Todas as dioceses devem enviar as suas sínteses até dia 31 de maio”, disse na ocasião o secretário da CEP, padre Manuel Barbosa, responsável nacional do Sínodo.

De qualquer modo, como se pode ver na tabela que se publica no final deste texto, durante o mês de Junho haverá ainda várias dioceses a trabalhar nas suas sínteses. Uma coisa é certa: nas Jornadas da CEP, cada bispo terá consigo dois representantes das comissões diocesanas do Sínodo.

Das respostas ao inquérito, podem destacar-se ainda alguns pormenores mais de algumas dioceses (indicam-se entre parêntesis os responsáveis diocesanos das respectivas comissões sinodais):

Algarve (P. António Freitas):
“A nossa diocese procurou um método de consulta que envolvesse o maior número de pessoas possível a partir das paróquias [e] até mesmo para além da comunidade eclesial”.

Angra (P. Hélder Fonseca)
“Pedimos que os contributos individuais e de grupo fossem recolhidos e entregues a partir das 17 ouvidorias (em nove ilhas) e não da comissão central”.

Aveiro (P. Licínio Cardoso)
“O documento com a síntese diocesana será (…) o documento base para programar o próximo ano pastoral”.

Beja (P. Manuel António Rosário)
“[Há] contributos fruto de outras iniciativas, algumas da nossa responsabilidade, nas quais procurámos recolher, por exemplo, contributos de católicos não-praticantes; de cristãos de outras Igrejas e pessoas não-crentes ou indiferentes.
A Comissão Sinodal desdobrou-se em múltiplas iniciativas, (…) realizou alguns filmes, com o objectivo de tornar a mensagem do Sínodo mais acessível, apelativa e envolvente”.

Guarda (P. Jorge Castela)
“De acordo com decisão do senhor bispo e como naturalmente se compreende (uma vez que foram elaborados com o objectivo específico de serem usados para elaboração do relatório da diocese e poderia ser falta de respeito o seu uso sem consentimento dos mesmo intervenientes), estes relatórios serão arquivados na Cúria diocesana”.

Lamego (P. Diamantino Duarte)
“O documento final/síntese resultante do tratamento dos dados que chegarem através dos questionários feitos, será aprovado pelo Bispo diocesano e pela Equipa Sinodal da Diocese”.

Leiria-Fátima (P. José Augusto Rodrigues)
“Apresentámos à diocese um percurso de 5 encontros sinodais a realizar em pequenos grupos. Como resultado, recebemos até ao momento cerca de 1100 contributos”.

Porto (P. Joaquim Santos)
“A síntese final enviada à Conferência Episcopal Portuguesa será divulgada aos diocesanos, para que possam continuar a dinâmica sinodal nas comunidades”.

Santarém (P. Pedro Marques)
“Propusemos uma organização vicarial e paroquial: em cada vigararia há duas ou três pessoas que se ocupam deste processo, dando apoio e suporte às equipas paroquiais. Reunimos mensalmente com as equipas vicariais para avaliar, motivar e ajudar essas equipas neste processo, nomeadamente fornecendo documentação, informação e propostas de trabalho”.

Vila Real (P. Márcio Martins)
“[Entre os contributos recebidos, há] um de prisioneiros na Cadeia de Chaves”.

Forças Armadas e Segurança (P. Leonel Marques de Castro]
“Os contributos que saiam das reuniões sempre foram anunciados e divulgados na página do Ordinariato Castrense e Facebook”.

As respostas em síntese:

 

Respostas das dioceses na fase diocesana do Sínodo.

 

Notas de leitura

1 – Dada a diferença de critérios e métodos usados pelas diversas dioceses, optou-se aqui por indicar o número total de respostas recenseadas, sendo que, em alguns casos, os contributos recebidos correspondem a sínteses já elaboradas (por exemplo, de um conjunto de paróquias na respectiva vigararia).

2 – Quando se indica grupos e paróquias, isso pode incluir comunidades religiosas, movimentos e outras estruturas ou instituições católicas, bem como vigararias ou arciprestados.

3 – Tendo em conta o espaçamento temporal com que as respostas foram chegando ao 7MARGENS, é possível que alguns dos números estejam, entretanto, ultrapassados.

 

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