“Situação alarmante” na Etiópia, com relatos de centenas de mortos

| 11 Fev 2021

Arte, Etiópia, Cristianismo, Igreja Ortodoxa, Ícones

São Jorge e o Dragão, uma pintura cristã ortodoxa em Yeha, próxima da Igreja de Abba Afse, na região Tigray. São Jorge é o patrono da Etiópia. Foto de A. Davey/Ethiopian Orthodox Christian Paintings/Wikimedia Commons.

 

“A situação no norte da Etiópia é alarmante”, diz Regina Lynch, directora de projectos da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) a nível internacional, que descreve “centenas de cidadãos a ser mortos na região de Tigray”, que está com comunicações muito precárias, sem telefone nem internet e praticamente isolada do resto do mundo há três semanas.

“As notícias” que chegam dos que puderam visitar a área “são terríveis”, com “lojas, escolas, igrejas e conventos roubados e destruídos”, diz aquela responsável. “Milhares de pessoas fugiram das suas casas. Muitos atravessaram a fronteira para o Sudão, mas outros procuraram refúgio em áreas remotas, nas montanhas, sem água ou acesso a comida”, acrescenta Regina Lynch, citada num comunicado da AIS.

Tigray, a região em causa, que faz fronteira com a Eritreia e o Sudão, tem a capital em Mekele e cerca de 95% da sua população é cristã – pertence à Igreja Copta Ortodoxa Etíope.

A mesma fonte recorda que, nas últimas semanas, já houve notícias do assassinato de mais de 700 pessoas num ataque, ocorrido em Novembro do ano passado, na igreja (ortodoxa) de Santa Maria de Sião (Maryam Tsiyon), em Aksum, local onde, segundo a tradição, poderia estar a Arca da Aliança. “Um verdadeiro massacre”, diz Regina Lynch, caso se confirme a informação, que pode vir a somar-se a uma outra notícia, também ainda não confirmada, de um segundo massacre, em Dezembro, de mais de uma centena de pessoas, na igreja de Maryam Dengelat.

Neste momento, é quase impossível viajar para a região e, apesar da dificuldade das comunicações, a AIS teve “a confirmação de uma série de mortes e ataques a pessoas inocentes em muitas partes da região e também na zona de Aksum”, o que deixou a população “aterrorizada”.

As causas para esta onda de violências estarão no facto de as eleições legislativas, previstas para Agosto do ano passado, terem sido adiadas por causa da pandemia. Na região de Tigray, o partido nacionalista Frente Popular para a Libertação de Tigray (PFLT), organizou por sua conta uma consulta popular que não teve o acordo do Governo central.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, que foi Prémio Nobel da Paz em 2019, decidiu então, em Novembro de 2020, enviar tropas federais para reforçar o exército na luta contra o PFLT, acabando os combates por se generalizarem, alegadamente com o envolvimento de tropas da Eritreia, com a qual Abiy Ahmed tinha assinado um acordo de paz que pôs fim a 20 anos de guerra entre os dois países.

“O problema é que as tropas da Eritreia estão envolvidas desde o início. O Governo negou, mas aqueles que estão a matar no leste e no noroeste de Tigray são as tropas eritreias”, diz uma fonte que, por razões de segurança, tem de permanecer anónima, citada pela AIS. “É quase impossível comprovar os números, mas recebemos informações de pessoas mortas pelas tropas eritreias em Irob, em Zalambassa e em Sebeya. Também ouvi falar de dezenas de pessoas, incluindo padres, mortas numa igreja em Gietelo, Gulemakada.”

Esta “situação terrível”, exige auxílio às populações atingidas, diz Regina Lynch. “Este é um problema político, mas aqueles que estão a pagar com a vida são os cidadãos e os civis. O sofrimento de tantas pessoas deve ser aliviado, e o conforto deve ser dado aos nossos irmãos e irmãs cristãos que estão isolados do mundo numa situação de angústia, ameaçados pela violência e pelo terror”, acrescenta.

Arte, Etiópia, Cristianismo, Igreja Ortodoxa, Ícones

Pintura cristã ortodoxa etíope em Yeha, próxima da Igreja de Abba Afse, na região Tigray. A pintura representa a Virgem Maria e Jesus. Foto de A. Davey/Ethiopian Orthodox Christian Paintings/Wikimedia Commons.

 

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