
Uma igreja destruída no Iraque: cristãos e yazidis foram severamente persgeuidos nos últimos anos, neste país, uma das situações que preocupa mais a AIS. Foto © ACN-Portugal
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou para o “crescimento do terrorismo internacional” com base na religião e para a “tendência alarmante” de ataques a edifícios e símbolos religiosos. A situação da liberdade religiosa no mundo “só piorou”.
“Lamentavelmente, assistimos a uma tendência nova e alarmante em muitos países, onde edifícios e símbolos religiosos são atacados e destruídos para chamar a atenção para outras injustiças e direitos sociais legítimos”, afirmou o presidente executivo da AIS, a propósito do Dia Internacional das Vítimas de Violência baseada na Crença ou Religião, instituído pela ONU desde o ano passado.
De acordo com uma nota divulgada pelo secretariado português da AIS, e citada na Ecclesia, Thomas Heine-Geldern afirmou que “o ódio desenfreado contra grupos religiosos gera violência e destruição, e deveria ser repudiado publicamente”. Os governos “têm a obrigação de proteger as vítimas” e processar aqueles que praticam atos de violência”, acrescentou.
Lembrando várias vítimas da violência ou perseguição religiosa – algumas foram mortas, outras estão ainda detidas ou sequestradas –, o responsável da organização afirmou que as “notícias constantes” de actos de violência e assédio “com base na religião em países como o Paquistão, Nigéria ou Índia continuam a ser motivo de grande preocupação” para a fundação pontifícia. Também a situação em Cabo Delgado (Norte de Moçambique) é motivo de preocupação, bem como os cristãos e os yazidi no Iraque. “Os efeitos do terrorismo com base na religião internacional são devastadores.”
O presidente executivo da AIS acrescenta que os líderes religiosos “têm de desempenhar um papel crucial” na construção de relações mais pacíficas e que é necessário “pôr um fim aos preconceitos sociais e, através do diálogo, acabar com os medos daqueles que são diferentes”.
Este Dia Internacional das Vítimas de Violência baseada na Crença ou Religião “é um marco na direção certa” mas é preciso “reconhecer que a situação mundial não está a melhorar”. “Gostaríamos muito que no próximo ano houvesse menos vítimas a recordar”, acrescentou Thomas Heine-Geldern.
Guterres: liberdade religiosa é “pedra angular” de sociedades incluisivas
Também o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, apelou a que haja um trabalho conjunto no combate aos crimes de ódio baseados na religião e crença, abordando as causas profundas da intolerância e da discriminação e promovendo a inclusão e o respeito pela diversidade.
“O direito à liberdade de religião ou crença está firmemente enraizado no direito internacional dos direitos humanos e é uma pedra angular para sociedades inclusivas, prósperas e pacíficas”, afirmou Guterres, citado no Vatican News. “No entanto, em todo o mundo, continuamos a testemunhar uma discriminação profunda contra minorias religiosas, ataques a pessoas e locais religiosos, e crimes de ódio e crimes de atrocidade que visam populações simplesmente por causa da sua religião ou crença.”
Para sensibilizar para esta realidade, a Assembleia Geral da ONU instituiu, em Maio de 2019, este Dia Internacional, de modo a defender os direitos consignados nos artigos 18, 19 e 20 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Guterres lamentou ainda que a pandemia tenha também trazido, a par da resiliência das sociedades, “um aumento do estigma e do discurso racista que vilipendiam as comunidades, espalhando estereótipos vis e atribuindo culpas”. “Este momento extraordinário”, afirmou, “apela a todos nós para trabalharmos juntos como uma família humana para derrotar uma doença e pôr fim ao ódio e à discriminação”.
Sublinhando a responsabilidade primária dos Estados em proteger o direito à liberdade de religião e crença, Guterres exortou todas as pessoas a fazer mais para combater as causas profundas da intolerância e discriminação, promovendo a inclusão e o respeito pela diversidade e instando a que os autores de tais crimes fossem responsabilizados.
O Papa Francisco, que em várias ocasiões tem insistido na necessidade de não matar nem ofender outros em nome de Deus, juntou-se também ao Dia Internacional, escrevendo na sua conta de Twitter que “Deus não quer que o Seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas”.










