
Pessoas clamam por comida na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. © Unicef/Abed Zagout
Várias centenas de antigos generais e outros altos cargos da segurança israelitas acabam de alertar para os riscos que representa para a segurança de Israel a situação humanitária em Gaza, a cada dia mais insustentável.
Organizados num movimento já com dez anos de vida, designado Comandantes para a Segurança de Israel (CIS, na sigla em inglês), os subscritores de uma carta dirigida ao gabinete de guerra e, entretanto, divulgada em inglês, mostram-se também preocupados com as consequências que a situação em Gaza pode ter para as relações com os parceiros israelitas ocidentais e árabes.
Os mais de 500 antigos generais e oficiais superiores do exército israelita, dos serviços secretos (Mossad, Shin Bet) e da polícia enviaram a carta ao primeiro-ministro e ao ministro da Defesa de Israel, na qual, sem questionar a guerra e o modo como ela tem sido levada a cabo, põem a tónica no “aumento significativo” da ajuda humanitária, no seu transporte e no “número de pontos de passagem dedicados, assegurando ao mesmo tempo que a distribuição é sustentada para os dois milhões de não-combatentes”.
Para o jornal francês La Croix, que publicou uma notícia sobre este assunto, a recomendação do CIS está em contradição com a opinião maioritária israelita. “Segundo uma sondagem realizada pela cadeia de televisão Channel 12 no final de janeiro, 72% dos israelitas consideram que o enclave palestiniano não deve receber ajuda humanitária enquanto não forem libertados os cerca de 130 reféns israelitas ainda detidos pelo Hamas”, escreve aquele jornal.
O CIS teme “danos irreparáveis” se o governo israelita não alterar a sua “abordagem” à situação em Gaza. Alerta, nomeadamente, para o facto de o que designa por “avareza humanitária” de Israel já ter levado à suspensão do fornecimento de armas por governos de países europeus como a Bélgica, Espanha e Itália.
O movimento Comandantes pela Segurança de Israel define-se como um movimento apartidário que defende o princípio de “dois estados para dois povos”, que deve levar a acordos com os palestinianos e a “acordos de segurança política com o mundo árabe”.









