Publicamos hoje o segundo texto sobre os dados do inquérito realizado pelo 7MARGENS junto dos leitores e leitoras.
Ou muito longe, ou muito perto. Para mais de metade (55,33%) dos leitores que responderam ao inquérito do 7MARGENS, os maiores progressos da sinodalidade verificaram-se na Igreja Universal, ou no seu grupo, comunidade de base ou movimento. Apenas 16,53 por cento escolheu responder que foi na sua paróquia, na Igreja da sua diocese, ou na Igreja Católica em Portugal onde verificou maiores avanços. A paróquia só foi escolhida por 6,39 por cento dos inquiridos e há um imenso conjunto (28,46%) que não sabe responder a esta pergunta.
A personalidade, as atitudes e as decisões dos dois últimos Papas, bem como a atenção mediática que despertaram induziu nos leitores do 7MARGENS a perceção de que muita coisa mudou no Vaticano e na Igreja Católica em todo o mundo de 2021 para cá. Esta imagem de mudança contrasta vivamente com o imobilismo atribuído às estruturas eclesiais dirigidas por clérigos.
Entre todos os que sabem apontar onde se verificaram maiores avanços em ordem à sinodalidade, apenas menos de um em cada dez indica a paróquia (8,89%), menos ainda a diocese (7,78%) a que pertence, enquanto a Igreja portuguesa no seu conjunto só mereceu a escolha de 6,44 por cento dos inquiridos. Tudo somado não chega a um quarto dos leitores com opinião nesta matéria. A maioria destes (55,11%) é a Igreja universal que nomeia como estando a avançar de forma mais significativa para a sinodalidade, enquanto quase um em cada quatro (22,22%) prefere escolher o grupo, a comunidade ou movimento de que faz parte como as instâncias mais dinâmicas nesse processo.
Curioso é o facto de aqueles que celebram ou participam na eucaristia todos os dias, maioritariamente padres ou religioso(a)s, também apontarem a Igreja universal (41,86%) como a instância mais avançada em termos de sinodalidade. Partilham desta opinião os que só vão à missa uma ou duas vezes por mês (41,86%), ou algumas vezes por ano (39,22%). Também muitos (37,60%) dos que frequentam a eucaristia semanalmente indicam a Igreja universal como aquela em que são mais visíveis os sinais sinodais.
É neste conjunto de católicos de prática dominical que encontramos a maior percentagem (19,06%) de pessoas que apontam o seu grupo, comunidade ou movimento como aquele espaço em que mais avanços em direção à sinodalidade foram concretizados. Como seria expectável, 97,26 por cento dos que assim valorizam os avanços sinodais são católicos que vão à missa todos os domingos e estão envolvidos em algum movimento ou estrutura católica, ou desempenham algum serviço na sua comunidade.
Um quinto (20,00%) dos que pertencem a grupos, comunidades e movimentos católicos, não importa com que ritmo frequentem a eucaristia, também escolheram estas estruturas como aquelas em que identificam maiores mudanças. Já entre todos os católicos que de algum modo fazem um balanço positivo das mudanças sinodais ocorridas nesta última meia década, 16,03 por cento indica o seu grupo como sendo o que maiores alterações concretizou, enquanto 10,31 por cento escolhe a sua paróquia como lugar onde maiores foram essas mudanças.
Já entre os leitores mais críticos em relação às alterações que não veem concretizadas na Igreja Católica em Portugal só 3,72 por cento nomeiam a paróquia como a instância em que maiores mudanças se registaram, enquanto 16,62 por cento escolhe nesse critério o seu grupo, comunidade ou movimento.

Jornadas pastorais da Conferência Episcopal sobre sinodalidade, 20-21 Junho 2022, Fátima. Foto © Agência Ecclesia
Ficha Técnica
O inquérito aos leitores do 7MARGENS decorreu durante o mês de maio e recolheu 629 respostas válidas. Mais de metade (52%) dos que responderam são homens, 96 por cento dizem-se católico(a)s, sendo os restantes “de outra confissão”, “crentes sem religião” e “não crentes”. Entre os católicos, a esmagadora maioria (88%) são leigos e leigas, 3,5 por cento religioso(a)s e 8,5 por cento padres; a maioria vai à missa (63,62%) todos os domingos a que acrescem os 20,10 por cento que a celebram, ou nela participam, todos os dias. Além de serem mais “praticantes” do que a maioria da população que se diz católica, os participantes neste inquérito são também muito mais ativos nas suas comunidades do que a generalidade dos católicos: 75 por cento está envolvido em algum movimento ou estrutura católica, ou desempenha algum serviço na comunidade em que se integra.
A amostra obtida, que não permite extrapolações fidedignas para todo o universo por não ter base científica e ser de autorresposta voluntária, conta com católicos e católicas de todas as 20 dioceses do país, à exceção das de Portalegre-Castelo Branco e de Viana do Castelo. Naturalmente, Lisboa (43,8%) e Porto (16,5%), seguidas de Braga (7,0%), Coimbra (6,4%) e Setúbal (4,6%) são as mais representadas. A média de idade dos participantes é de 63 anos, superior em oito anos à média de idade da população portuguesa maior de 18 anos (55 anos).










