Integrou Comissão Independente sobre abusos

Socióloga Ana Nunes de Almeida passa a ser colaboradora regular do 7MARGENS

| 26 Mar 2024

Ana Nunes de Almeida, Abusos sexuais, Antena 1

A socióloga Ana Nunes de Almeida, em Fevereiro, no final da entrevista ao 7MARGENS/Antena 1. Foto © António Marujo/7MARGENS

 

A socióloga Ana Nunes de Almeida será, a partir desta quarta-feira da Semana Santa, 27 de Março, colaboradora regular do 7MARGENS. Depois de ter integrado durante pouco mais de um ano a Comissão Independente (CI) para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica portuguesa, Ana Nunes de Almeida pretende agora dar um contributo, enquanto católica, para que as coisas mudem na instituição em Portugal.

“Enquanto, ao longo de um ano e como socióloga, lidei cientificamente com os casos de abusos sexuais de crianças na Igreja Católica portuguesa, fui abafando tudo o que sentia (de revolta e indignação) para manter uma perspectiva profissional e objectiva sobre um tema tão sensível.”, diz a investigadora, numa curta declaração ao 7MARGENS sobre a sua motivação para passar a integrar o leque de colaboradores. “Mas prometi a mim mesma que, passado um tempo de nojo após a saída do relatório da CI, iria dar a minha parte – como católica praticante – para que as coisas mudassem na Igreja portuguesa.”

Para concretizar este desiderato, Ana Nunes de Almeida considerou que tinha “à mão, desde logo, um instrumento: a escrita”. E acrescenta: “Tomar a palavra é um acto de liberdade e um acto de cidadania. Fazê-lo no 7MARGENS é honrar todos aqueles que pensaram e deram vida a este projeto onde esses dois ingredientes da fé (a liberdade e a cidadania) constroem pontes e desafios que inspiram uma comunidade de leitores.”

Para o 7MARGENS, a diversidade e qualidade de vozes entre as suas e os seus colaboradores regulares é importante. Desde logo porque, como dizemos no nosso Estatuto Editorial, não temos temas-tabu e valorizamos “o debate sobre o sentido do religioso e a dimensão espiritual na sociedade democrática, entendendo-nos “como um espaço aberto à livre expressão do pensamento e à polémica, sujeita apenas às regras do bom senso, do bom gosto e do respeito pela diferença” [ver espaço Entre Margens].

Em entrevista ao programa 7MARGENS da Antena 1, emitido em 10 de Fevereiro, a socióloga confessava sentir-se “desiludida” com a resposta da hierarquia católica às conclusões da investigação da equipa liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht. [ver 7MARGENS], que deu conta da existência de pelo menos 512 vítimas que deram testemunho directos das suas histórias e que permitiram concluir que haveria pelo menos 4815 casos de vítimas. Na mesma entrevista, a investigadora confessava que vivera “períodos muito difíceis do ponto de vista humano: foi brutal, foi devastador, foi uma experiência transformadora”, concluindo: “Eu não sou a mesma pessoa; há um antes e um depois” do relatório.

Nascida em Abril de 1957, em Lisboa, Ana Nunes de Almeida sonhava ser investigadora em Física, mas por causa do 25 de Abril decidiu enveredar pela Sociologia, para procurar entender as dinâmicas sociais. Licenciada em 1979 na Universidade de Genebra (Suíça), doutorou-se depois, em 1991, no ISCTE em Lisboa e é actualmente investigadora-coordenadora no Instituto de Ciências Sociais.

A socióloga já assumira várias vezes publicamente a sua condição de católica. E considerava, E considerava, na entrevista referida (que pode ser escutada na RTP Play), que os abusos sexuais na Igreja têm “tudo a ver com uma certa organização desta instituição: uma organização que discrimina, fechada e demasiado secreta, uma organização que é raramente escrutinada”.

O primeiro texto de opinião de Ana Nunes de Almeida, uma reflexão relacionada com o tempo de aproximação à Páscoa, será publicado durante esta quarta-feira.

 

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