Solidariedade da AIS com Cabo Delgado: “É fundamental não ficar indiferente ao sofrimento”

| 5 Abr 21

Distribuição de mantimentos num campo de refugiados. Foto © ACN-Portugal

 

O ataque à cidade de Palma veio agravar a situação já muito alarmante que se vive na província de Cabo Delgado (Norte de Moçambique), mas contribuiu para chamar a atenção da comunidade internacional para um drama que não é recente. Desde há anos, a população – flagelada por doenças como a cólera ou a covid-19 e por uma insurreição terrorista que se reivindica de islamita – tem sido apoiada por diversas instituições e organizações.

O 7MARGENS quis saber como é que elas vêem o que se está a passar, que trabalho desenvolvem e o que podem os portugueses fazer para ajudar os moçambicanos desta zona do nordeste moçambicano. Ficam a seguir as respostas da Ajuda à Igreja que Sofre, depois de termos divulgado as do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga.

 

Como vê a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) a situação em Cabo Delgado?

A Fundação AIS está profundamente preocupada e empenhada em denunciar a situação que se vive em Cabo Delgado, Moçambique, já desde Outubro de 2017. Infelizmente, Moçambique tem sido um país que tem estado no centro das nossas preocupações não só agora, com o apoio aos deslocados que chegam a Pemba, mas já há vários anos, devido ao facto de ser uma Igreja necessitada, uma Igreja pobre que precisa de ajuda para que ela própria possa apoiar a comunidade.

Os grupos jihadistas têm actuado impunemente e quase sem qualquer actuação por parte das forças governamentais. Os ataques dos grupos armados, que se afirmam como sendo do Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, já começaram em Outubro de 2017, mas foi no ano passado que atingiram uma maior violência com a destruição de aldeias e vilas e todas as suas infraestruturas, com o rapto e decapitação de muitas pessoas. As últimas estimativas apontam para mais de dois mil mortos e mais de 700 mil deslocados.

A violência que se abateu sobre este país tem sido brutal, não só com a destruição das aldeias e vilas, mas também com a que é infligida a milhares de pessoas que viram familiares a serem assassinados brutalmente à sua frente. Os deslocados que têm chegado a Pemba estão muito fragilizados, física e psicologicamente, e precisam muito de apoio para poderem sobreviver e também para ultrapassar os dramas a que assistiram e vivem.

Além de toda a violência, não nos podemos esquecer que estão a surgir surtos de doenças como a cólera e a malária, devido às condições precárias em que se vive nos campos de deslocados, para além da pandemia de covid-19.

Religiosa das Irmãs Pobres de Jesus Cristo, em Mecúfi, que recebeu ajuda de subsistência em 2020, numa operação que abrangeu 26 religiosas em Pemba. Foto © ACN-Portugal.

 

Que acções está a Fundação a empreender para ajudar as vítimas?

A Fundação AIS tem procurado desde a primeira hora ajudar o esforço da Igreja local no apoio às populações deslocadas, tendo concedido uma primeira ajuda de emergência no valor de 160 mil euros. Ao longo dos anos, a AIS também tem prestado ajuda de subsistência aos sacerdotes e irmãs, bem como financiado a formação de seminaristas e de religiosas, além de outros projectos relacionados com as necessidades mais prementes da vida da Igreja em Moçambique.

O anterior bispo de Pemba, D. Luiz Lisboa, pediu-nos ajuda e sublinhou que era muito importante encaminhar o máximo de ajuda possível para os sacerdotes e as irmãs. São eles que estão lado a lado com o povo que sofre. Mas estão, também eles, de mãos vazias. “São padres que não têm nenhum tipo de rendimento e estão em dedicação total ao seu povo e ao trabalho pastoral”.

Por isso, a Fundação apoia todos os sacerdotes que trabalham na diocese, fornece ajuda de emergência aos refugiados, apoia o atendimento pastoral e o acompanhamento psicossocial aos deslocados e apoia também as rádios Sem Fronteiras e São Francisco, da Diocese de Pemba. Programas muitos semelhantes são desenvolvidas nas dioceses vizinhas de Nampula, Nacala e Lichinga.

Refeição para refugiados: os portugueses podem ajudar também através da solidariedade material com os moçambicanos de Cabo Delgado. Foto: Direitos reservados.

 

Como podem os portugueses ajudar?

Os portugueses podem ajudar de várias formas:

– através da oração pelos milhares de deslocados, pelas vítimas mortais, por todos os que perderam familiares e amigos, e pelos que têm provocado a violência;
– fazendo pressão junto do Governo e da comunidade internacional para que ponham fim à violência em Moçambique;
– e também através da solidariedade para com este povo, que é um dos mais pobres do mundo e que, sem o nosso apoio, não conseguirá sobreviver.

Convido todos, por isso, a visitar a página de Internet da Fundação AIS. Diariamente temos notícias sobre a situação em Moçambique e como apoiar Moçambique através da Fundação AIS. É fundamental que não fiquemos indiferentes ao sofrimento do povo de Moçambique e que os possamos apoiar num dos momentos mais violentos e difíceis das suas vidas. Ajude-nos a ajudar Moçambique!

 

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