
A Cáritas Ucrânia a distribuir ajuda em Donetsk, no Leste do país: a situação irá piorar dramaticamente. Foto © Cáritas Ucrânia/Twitter.
Condenações da invasão, apelos à paz e ao cessar-fogo imediato, avisos contra a “colossal catástrofe humanitária” que aí vem. No primeiro dia do ataque da Rússia à Ucrânia, multiplicaram-se declarações de líderes religiosos condenando a acção militar e promessas de solidariedade. Vigílias e tempos de oração estão também a ser preparados ou decorreram já em diversos locais. (ver outra notícia no 7MARGENS)
A iniciativa que mais destaque tem merecido é a jornada de jejum proposta na última audiência-geral pelo Papa Francisco: “Convido todos a fazer no próximo dia 2 de Março, Quarta-feira de Cinzas, um dia de jejum pela paz. Encorajo de modo especial os crentes a fim de que naquele dia se dediquem intensamente à oração e ao jejum. Que a Rainha da paz preserve o mundo da loucura da guerra”, afirmou o Papa, referindo a sua tristeza pelo agravamento da situação na Ucrânia, precisamente na véspera do início da invasão.
Citado no Vatican News, o portal de notícias do Vaticano, Francisco apelou na ocasião à abstenção de “qualquer acção que possa causar ainda mais sofrimento às populações, desestabilizando a convivência entre as nações e desacreditando o direito internacional”. Os que têm responsabilidade política devem também “fazer um sério exame de consciência diante de Deus, que é o Deus da paz e não da guerra” e que “quer que sejamos irmãos e não inimigos”, acrescentara o Papa, que no domingo criticara o facto de países de tradição cristã se estarem a envolver numa guerra.
Já nesta quinta-feira, ao final da tarde, o Papa referiu-se às migrações como “um dos dramas mais sérios” da actualidade, citando a situação que se começou a viver na Ucrânia. Num encontro em vídeo com estudantes da Loyola University de Chicago (EUA), uma universidade dos jesuítas, afirmou que “estamos a ver pessoas que têm de deixar a sua terra por causa de problemas políticos, guerras”.
O apelo dramático

Ajuda alimentar da Fundação AIS na cidade de Zaphorizhya, no Leste. Foto © ACN.
O alerta mais dramático chegou entretanto da Confederação Internacional da Cáritas, que insistiu na necessidade de garantir a assistência humanitária à população necessitada e avisou para “a catástrofe humanitária colossal” que resultará deste conflito. A organização fala ainda da “desacreditação do direito internacional” e na necessidade de assegurar a “liberdade de movimentos aos que fogem do conflito.
“Os acontecimentos que tiveram início nesta madrugada [de quinta-feira] vão, inevitavelmente conduzir a uma catástrofe humanitária colossal. Não é possível acreditar que no século XXI, no centro da Europa as pessoas tenham que acordar às 5 da manhã com explosões e o som de sirenes de ataque aéreo”, lamentou Tetiana Stawnychy, presidente da Cáritas Ucrânia, citada na Ecclesia.
Desde que o conflito de baixa intensidade começou há oito anos, no Leste da Ucrânia, morreram já 14 mil pessoas e 1,5 milhões ficaram desalojadas. Por isso, a organização católica lançou um apelo de emergência para apoiar a Cáritas Ucrânia, apelando a que haja donativos que sirvam para comprar alimentos, água, abrigos e conjuntos de higiene, garantindo ainda transporte seguro para pessoas vulneráveis chegarem a áreas seguras.
A mesma responsável afirmou que desde o Verão a organização “formou funcionários e voluntários para aumentar sua capacidade de atendimento às necessidades das comunidades locais e fortalecer a sua rede”, incluindo de centros de assistência aos deslocados internos, cujo número provavelmente aumentará agora. Antes do ataque de quinta-feira, 2,9 milhões de pessoas em ambos os lados da linha de contacto no Leste da Ucrânia “precisavam de assistência humanitária”, tendo agora esse número aumentado “exponencialmente”.
Outras Cáritas de vários países mostraram-se solidárias com a congénere ucraniana. A alemã pediu a garantia do acesso humanitário e o fim da guerra, a suíça enviou 200 mil francos suíços (cerca de 194 mil euros) para ajuda de emergência.
Num comunicado enviado ao 7MARGENS, a Cáritas Portuguesa anunciou que doará também 20 mil euros do seu Fundo de Emergências Internacionais.
“Com este gesto queremos dar um sinal da nossa solidariedade para com estas população e garantir que a Cáritas da Ucrânia tem condições de continuar o seu trabalho junto das pessoas afectadas”, explica Rita Valadas, presidente da instituição.
O primeiro-ministro António Costa afirmou que os ucranianos que assim o queiram serão bem-vindos a Portugal. Paralelamente, o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS Portugal) e a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), condenando a invasão, manifestaram-se também disponíveis para ajudar a acolher quem chegue, de acordo com um comunicado enviado a esta Redacção.










