Solidariedade com Cabo Delgado (3): Helpo quer ajuda para construir salas de aula

| 7 Abr 21

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A Helpo tem projetos de educação em cinco comunidades, às quais chegaram muitas famílias de deslocados. Foto © Helpo.

No momento em que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) manifesta publicamente o receio de que, se a violência em Cabo Delgado não for travada, haja em junho mais de um milhão de deslocados na província do Nordeste de Moçambique, torna-se ainda mais urgente a ajuda humanitária prestada por diversas instituições e organizações.

No 7MARGENS, algumas delas têm dado conta de como veem o que se está a passar, que trabalho desenvolvem e o que podem os portugueses fazer para ajudar os moçambicanos desta zona. Depois do padre Jorge Vilaça, do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga; e ainda de Catarina Martins Bettencourt, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, transcrevemos a seguir as respostas de Carlos Almeida, coordenador nacional da Helpo.

 

Como vê a Helpo a situação em Cabo Delgado?

Esta é uma situação dramática que teve início no dia 5 de outubro de 2017, quando a Vila de Mocímboa da Praia foi atacada por insurgentes. Depois desse ataque, as ações violentas foram-se multiplicando e cobrindo uma vasta área geográfica.

O número de deslocados no final do ano de 2020 era de 669 mil, sendo que cerca de metade são crianças. Este ataque à Vila de Palma, talvez por envolver cidadãos de outras nacionalidades, ou por ter sido perto do projeto de gás natural da multinacional francesa na península de Afungi, fez eco na comunidade internacional e penso que agora esta situação dramática começa a ter a atenção merecida.

Vive-se em Cabo Delgado um profundo drama humanitário, suspeita-se de que já sejam mais de 700 mil deslocados internos, mais de 25% da população de Cabo Delgado, fora das suas localidades de origem, o que provoca também muitos problemas às comunidades de acolhimento.

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Além da entrega de bens alimentares e de primeira necessidade, a Helpo tem também efetuado rastreios nutricionais materno-infantis a mulheres grávidas e crianças até 2 anos. Foto: Helpo.

Que ações está a Helpo a empreender para ajudar as vítimas?

A Helpo tinha projetos em Mocímboa da Praia desde 2011, que fomos obrigados a suspender no final do ano de 2019. Em cinco comunidades onde a Helpo tem projetos de educação, chegaram muitas famílias de deslocados. Em Agosto de 2020, a Helpo fez uma campanha de recolha de fundos em Portugal, tendo feito entregas de bens alimentares e bens de primeira necessidade de higiene e material de cozinha, e também efetuado rastreios nutricionais materno-infantis a mulheres grávidas e crianças até 2 anos.

Neste momento, estamos muito empenhados no retorno das crianças às aulas, uma vez que o ano letivo começou no passado dia 22 de Março e a maior parte destas crianças não tem as condições mínimas para poder estudar (identificação, material escolar…).

 

Como podem os portugueses ajudar?

A Helpo tem neste momento a decorrer uma campanha de recolha de fundos para os deslocados internos de Cabo Delgado e o valor recolhido com a consignação de 0,5% do IRS este ano será destinado a construir salas de aula que irão beneficiar os deslocados internos que vieram engrossar o número de alunos da escola onde a Helpo trabalha, provocando uma enorme pressão.

 

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“A longa viagem começa por um passo”, recriemos…

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos… novidade

Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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