Somália: Mutilação genital feminina “ao domicílio” durante a quarentena

Mulheres na Somália. Foto: Direitos reservados.
Com a generalidade das famílias em casa devido à pandemia de covid-19, os circuncisadores vão agora de porta em porta e oferecem os seus serviços. Na Somália, o país do mundo com a mais elevada taxa de mutilação genital feminina, e onde esta prática é considerada legal, o número de casos “aumentou consideravelmente” nas últimas semanas, alertou a organização não governamental Plan International.
De acordo com Sadia Allin, responsável da Plan International na Somália, o aumento do número de casos está diretamente ligado ao encerramento das escolas, o qual é encarado pelas famílias como “uma oportunidade, pois sabem que assim haverá mais tempo para a recuperação da operação”. A crise económica tem também funcionado como um incentivo à prática da excisão, dado que os circuncisadores, para não perderem a sua fonte de rendimento, começaram a dirigir-se proactivamente às casas das famílias, oferecendo os seus serviços.
Estima-se que 98% das mulheres somalis entre os 15 e os 49 anos sejam excisadas e, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), dois milhões de meninas no mundo inteiro serão sujeitas a esta prática, no contexto da situação de emergência provocada pelo novo coronavírus.
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