Sondagem: 40% dos belgas aceitam fim dos tratamentos caros para pessoas com mais de 85 anos

| 26 Mar 19

Os inquiridos defendem a solução do fim dos tratamentos para poder salvar a Segurança Social. Foto © Rawpixel/Pexels

 

Podemos ainda surpreender-nos? Para já, é apenas uma sondagem realizada na Bélgica, mas o Le Soir, que divulgou os resultados, diz que a notícia é assombrosa: 40 por cento dos belgas “pensam seriamente conservar o equilíbrio” da Segurança Social cortando nos gastos de tratamentos dispendiosos que prolonguem a vida a pessoas com mais de 85 anos.

“Adivinha-se o que vem a seguir”, escrevia o jornal, dia 19, quando divulgou a notícia: “Teríamos rapidamente uma medicina a duas velocidades, entre os pacientes que devem contentar-se com a Segurança Social e aqueles que têm meios para pagar os medicamentos não reembolsados ou as operações”.

A mesma fonte acrescenta que na Holanda já não se colocam estimuladores cardíacos (pacemakers) a pessoas com mais de 75 anos, uma vez que o temo útil de vida do aparelho ultrapassa em muito a esperança de vida do paciente.

No lado oposto, apenas 35 por cento dos inquiridos se opõem à ideia de parar tratamentos e cuidados vitais para as pessoas mais idosas.

Há mais flamengos do que valões (francófonos) a defender a ideia do fim dos tratamentos. Em contraste, apenas 17 por cento são favoráveis a não reembolsar as despesas de doenças ou acidentes em resultado de comportamentos pessoais como o tabaco ou a alimentação que conduz à obesidade.

O resultado da sondagem diz ainda que 69 por cento dos inquiridos considera legítimo gastar 50 mil euros num tratamento que prolongue a vida, mas apenas 28 por cento aceita essa ideia se o doente tiver mais de 85 anos. Se a pessoa estiver em coma e o tratamento permitir apenas um ano de vida, um em cada três belgas (33 por cento) concorda.

“As percentagens a favor da exclusão são chocantes”, comentava o professor Elchardus, responsável pelo inquérito realizado pelo instituto Inami.

O Le Soir publicou, sobre o tema, um extenso dossiê, dedicado ao tema (apenas acessível aos assinantes da edição do jornal em linha). Nesse trabalho, o jornal recorda, por exemplo, que a deputada Corine Ellemeet, do partido GroenLinks (Esquerda Verde), colocou como condição sine qua non das próximas negociações para uma coligação de Governo a diminuição dos tratamentos a pessoas com mais de 70 anos.

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