Sopas do Espírito Santo dão a volta ao mundo em novos selos de correio

| 1 Ago 20

Selos. Festas do Espírito Santo. Açores

Um “teatro”, um bodo e uma coroa para a circulação de âmbito nacional; foliões, um “balho” e uma pomba para a Europa; e uma bênção do bodo, as sopas e uma rosquilha de massa sovada para o resto do mundo. O culto do Paráclito, ou seja, “aquele que ajuda, conforta, anima, protege, intercede” está desde a última quinta-feira, 30 de Julho, representado numa emissão filatélica dos Correios de Portugal, dedicada às festas do “Senhor Espírito Santo”, como é habitualmente designada nos Açores a terceira pessoa da Santíssima Trindade cristã.

No arquipélago, recorre-se “a Ele, sobretudo, em busca de ajuda e ânimo”, escreve o historiador e museólogo açoriano Francisco Maduro-Dias na pagela de apresentação da emissão. “Porque alguma doença visitou o lar, a vida não corre bem, em tempo de terramotos ou guerra, quando, perante adversidades em demasia, as forças tendem a faltar. Não é entregar-se, é pedir ajuda! O que é bem diferente e faz todo o sentido a quem mora no meio do oceano, às vezes tempestuoso e agreste.”

O historiador acrescenta que é impossível resumir tudo o que envolvem as festas ao Divino Espírito Santo, como se designam. “Poder-se-á dizer que são momentos de encontro, de partilha, de irmandade, de alegria e de paz, celebrando-se, todos os anos, entre o Domingo de Páscoa e o Domingo da Trindade, sete semanas depois.”

Maduro-Dias diz ainda, sobre o carácter da celebração: “Trata-se de uma festa fortemente comunitária e de cariz solidário profundo. Como já acontecia na Idade Média, o que se pretende, nestas semanas, é recordar que todos são dignos de misericórdia, todos são pobres e merecedores de esmola, todos merecem, ao menos uma vez por ano, ter mesa farta e alegre. Tudo isso sem esquecer, nunca, que o Paráclito é Aquele que conforta, protege e anima.”

São esses diferentes aspectos que acentuam os selos agora postos em circulação: seja a partilha do alimento (pão, bodo, sopas…), a devoção (os impérios ou pequenas capelas) ou o espírito comunitário e a alegria.

 

Rainha Santa trouxe a festa de Itália

Tradicionalmente, no primeiro dia de uma nova emissão, os Correios fazem uma pequena cerimónia de aposição do carimbo com essa data em algum lugar relacionado com o tema (além das estações centrais de Lisboa, Porto, Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo) – o que valoriza os sobrescritos com a emissão e a marca do primeiro dia de circulação junto dos coleccionadores. A apresentação desta nova emissão, com a aposição do carimbo de primeiro dia, decorreu quinta-feira, ao final da tarde, no Império do Terreiro, em Porto Judeu (Angra do Heroísmo), reproduzido no selo destinado a circular em território nacional.

Além dos três selos para circulação, a emissão inclui ainda um bloco filatélico que inclui imagens da Casa do Espírito Santo, na ilha do Corvo, do grupo de foliões da freguesia da Caveira nas orações à Santíssima Trindade, a Casa do Espírito Santo da Caveira (ilha das Flores) e decorações em carros de bois na ilha de São Jorge.

No texto citado, Francisco Maduro-Dias recorda a origem da Itália medieval para as festas e o culto em honra do Divino. A sua chegada a a Portugal deveu-se, segundo a tradição, à Rainha Santa Isabel, mulher do rei D. Dinis. “As navegações oceânicas portuguesas trouxeram este culto até às ilhas atlânticas e, desde então, aqui floresce, tendo acompanhado as rotas de emigração açoriana para o Maranhão e Sul do Brasil, para os Estados Unidos, Bermuda e Canadá.”

As festas incluem sempre um peditório e recolha de bens, a oração do rosário, a coroação e o cortejo, uma refeição festiva e um bodo ou dádiva de esmolas de alimentos. Os impérios, pequenas ermidas que são um dos centros das festas, podem ter uma arquitectura mais próxima de uma capela, ser muito ou pouco ornamentados ou ser quase uma casa no meio das outras, descreve o historiador.

As iguarias tradicionais próprias das festas incluem as sopas do Espírito Santo, “cuja receita varia de ilha para ilha, a alcatra, carne guisada, o arroz doce, e uma variedade assinalável de pães de leite, de água ou de massa sovada, de rosquilhas, de bolos de véspera”, entre outras. Dependendo da ilha e da região, pode haver ainda cantos à porta dos mordomos, ou cantos característicos de foliões.

 

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