Sophia lida pelos mais novos (1) – A Fada Oriana

| 28 Nov 19

Chávena comemorativa do centenário de Sophia de Mello Breyner; trabalho dos alunos do 8º ano A, B, C, do Externato da Luz (Lisboa). Foto © António Marujo/7MARGENS

 

Assinalou-se a 6 de novembro o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner. Como (outra) forma de registar o acontecimento, o 7MARGENS pediu a uma turma de crianças do ensino básico que escrevessem pequenos apontamentos sobre os contos infantis.

São esses textos que hoje, e até ao Natal, a um ritmo de duas vezes por semana, aqui serão publicados, acompanhados também de ilustrações feitas por outras crianças, bem como por uma ilustração de cada um dos livros publicados na última edição da Porto Editora (à qual se agradece a cedência para esta reprodução).

Os textos são da autoria de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, do Porto. As ilustrações estão identificadas caso a caso.

Sophia foi evocada já no 7MARGENS por um artigo acerca do convite à viagem na sua poesia, bem como com um poema (quase) inédito e um outro texto sobre No Tempo Dividido e a temporalidade na sua obra poética.

 

A FADA ORIANA

A Fada Oriana, ilustração no livro de Sophia de Mello Breyner. © Teresa Calem/Porto Editora

 
Levar lenha até à cidade

Era uma vez uma fada chamada Oriana que, todos os dias, ajudava o moleiro, a velha e o lenhador. A velha era cega e a fada Oriana ajudava-a a levar a lenha até à cidade, mas a velhinha nem reparava nessa ajuda. A fada Oriana também arrumava a casa do moleiro, que tinha onze filhos.

Certo dia, a fada Oriana não cumpriu a promessa que fez à rainha de todas as fadas e, passados uns dias, a rainha das fadas tirou-lhe as asas e fada Oriana teve de calcar os picos do chão do caminho até chegar à casa do poeta. Quando lá chegou, a fada Oriana não viu o poeta.

Então, ela foi à casa do moleiro e o moleiro também não estava lá. Por fim, ela foi procurar a velha e encontrou-a a levar a lenha para a cidade. Nesse momento, a fada Oriana voltou a cumprir a sua promessa, porque se esqueceu de si para salvar a velha e a rainha das fadas devolveu-lhe as suas asas e a sua varinha.

Desde esse dia, a fada Oriana ajudou sempre todas as pessoas, animais e plantas, a rainha das fadas ficou feliz e todas as pessoas foram felizes.

(Francisco Leite e Leonor Leite)

 

Ia ter com o amigo poeta…

Era uma vez uma fada chamada Oriana, que protegia a floresta e os que lá viviam como: as plantas, os animais, a velhinha, o moleiro e o lenhador.

À noite, a fada Oriana ia ter com o seu amigo poeta a uma torre muito alta. A fada encantava a noite e o poeta lia-lhe os seus poemas.

Um dia, a fada viu um peixe fora da água e foi a correr ajudá-lo. Oriana colocou o peixe no rio e ele disse-lhe:

– Obrigado, quando precisares chama-me.

Quando a fada Oriana estava a olhar para o rio reparou na sua beleza.

– Peixe, peixe, achas que sou assim tão bonita como o meu reflexo na água do rio?

– Realmente ainda és mais bonita do que pareces.

Desde esse dia, a fada Oriana passou horas a olhar para o rio e deixou de se importar com os outros. Até que a rainha das fadas apareceu e disse-lhe:

– Oriana, não cumpriste a tua promessa, por isso vou tirar-te as asas e a varinha até remediares o mal que fizeste.

(Rita Martinho e Matilde Leite)

 

Gostava de ser bondosa

Era uma vez uma fada alegre que gostava de ser bondosa. Ela morava na floresta e quando acordava todos os animais ficavam felizes.

Todos os dias, a Fada Oriana ia pela floresta até à casa da velhinha, onde ela deixava o pão e o leite. A fada Oriana também ajudava o moleiro, que tinha onze filhos, o lenhador a quem dava roupa e tudo o que ele precisasse e o homem rico que não tinha cabelo.

Porque deixou de ajudar as pessoas a fada Oriana ficou sem asas e sem a varinha.

Certo dia, a velha caiu do penhasco e a fada Oriana mesmo sem asas saltou para salvar a velha e, nesse momento, a rainha das fadas apareceu e devolveu-lhe as asas e a varinha.

A fada Oriana conseguiu ajudar a velhinha e nunca mais se distraiu.

(Miguel Almeida e Éric Albret)

 

Dar a volta ao mundo

Era uma vez uma fada chamada Oriana que vivia na floresta. O objetivo dela era cuidar dos animais, de algumas pessoas e das plantas da floresta.

Um dia, uma andorinha perguntou à fada Oriana:

– Oriana, já que és uma fada queres vir comigo dar uma volta ao mundo?

E ela respondeu:

– Sim, claro, mas não posso abandonar a floresta!

A andorinha implorou, mas a fada Oriana não aceitou o seu pedido.

Certo dia, a fada Oriana encontrou uma velhinha que tinha de levar muita lenha para a cidade. A Oriana ajudou a velinha com a lenha e ela nem deu conta que a fada estava a ajudá-la.

Maquete alusiva ao conto “A Fada Oriana”, comemorativa do centenário de Sophia de Mello Breyner; trabalho dos alunos do 8º ano A, B, C, do Externato da Luz (Lisboa). Foto © António Marujo/7MARGENS

 

A fada Oriana começou a ajudar a velhinha mas também encontrou um moleiro e um lenhador e disse para si mesma: “Eu tenho de ajudar o moleiro e o lenhador.” O moleiro tinha onze filhos e o lenhador não tinha dinheiro para comprar comida, nem brinquedos para o filho. Em casa dele apenas existia uma bola estragada para o filho brincar. Então, a fada lançou um feitiço para o lenhador ter comida e brinquedos para dar aos filhos.

Depois, a fada Oriana viu um homem rico que queria ter cabelo e ela também lançou um feitiço e baixinho disse:

– Que este homem tenha cabelo!

Nesse momento, quando a fada Oriana olhou para o Homem Rico viu-o com cabelo loiro e bonito.

Por fim, a fada Oriana foi até à casa do poeta onde ela encantava a noite.

Um dia, quando a fada Oriana passava pelo rio, ouviu uma vozinha:

– Socorro, socorro – gritava um peixe que tinha caído fora da água.

A Oriana colocou-o novamente na água e o peixe disse:

– Obrigada, és muito linda!

– Podes continuar a elogiar-me – pediu a Oriana.

– Os teus cabelos são loiros como o sol – elogiou o peixe.

A rainha das fadas não via a fada Oriana há muito tempo e estava a estranhar. A fada Oriana esteve muito tempo com o peixe e esqueceu-se de tomar conta da floresta. Então, a rainha das fadas foi a correr ter com a fada Oriana e quando lá chegou tirou-lhe a varinha e as asas.

Desde esse dia, ao andar, a fada magoava-se com os picos que estavam no chão, porque não tinha asas.

Certo dia, a velhinha estava quase a cair de um penhasco e a fada Oriana sem asas e sem varinha arriscou a sua vida para salvar a velhinha. Nesse momento, a rainha das fadas devolveu-lhe as asas e a varinha e a fada Oriana prometeu-lhe que nunca mais iria abandonar a floresta.

(Maria Lima)

 

(O 7MARGENS agradece a Manuela Sousa a colaboração prestada)

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