Sophia lida pelos mais novos (2) – O Cavaleiro da Dinamarca

| 2 Dez 19

Dante e Beatriz, ilustração de Henrique Cayatte no livro “O Cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner Andresen (ed. Porto Editora); ilustração da capa: Giotto, por Margarida Leite.

 

Assinalou-se a 6 de novembro o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner. Como (outra) forma de registar o acontecimento, o 7MARGENS pediu a crianças de uma turma de crianças do ensino básico que escrevessem pequenos apontamentos sobre os contos infantis.

São esses textos que, desde 28 de Novembro (A Fada Oriana) e até ao Natal, a um ritmo de duas vezes por semana, aqui serão publicados, acompanhados também de ilustrações feitas por outras crianças, bem como por uma ilustração de cada um dos livros publicados na última edição da Porto Editora.

Os textos são da autoria de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, do Porto. As ilustrações estão identificadas caso a caso.

Sophia foi evocada já no 7MARGENS por um artigo acerca do convite à viagem na sua poesia, bem como com um poema (quase) inédito e um outro texto sobre No Tempo Dividido e a temporalidade na sua obra poética.

 

Veneza. Ilustração dos alunos 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, para a história “O Cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

Um pinheiro a iluminar o caminho

O cavaleiro da Dinamarca foi rezar à gruta de Belém

No regresso, ele foi com um mercador para Veneza e lá contaram-lhe a história de uma menina chamada Vanina, que não cumpriu as ordens do seu pai e casou com um marinheiro. Ele continuou a sua viagem e encontrou um banqueiro, em Florença. Nesta cidade, o cavaleiro soube que Giotto era um menino, que pintava muito bem aos doze anos. Por fim, o cavaleiro juntou-se aos homens de Florença que discutiam sobre: a luz do Sol, a Matemática e a Geometria e eles também lhe falaram de Dante.

Filippo disse ao cavaleiro que Dante era um poeta e contou-lhe a história de Dante.

Certo dia, Dante conheceu uma menina chamada Beatriz mas, um dia, a Beatriz morreu e Dante ficou muito triste. Depois, ele foi governante, mas, mais tarde, foi derrotado. Num sonho, a sombra do poeta Virgílio disse-lhe:

– Se queres ver Beatriz vem comigo.

Eles passaram pelo inferno até chegarem ao paraíso, onde estava a Beatriz, que lhe disse que tinha de melhorar, porque só fazia asneiras. Depois, Dante fugiu de Florença e escreveu tudo isto no livro: “A Divina Comédia”.

Por fim, o cavaleiro quis partir em direção à Flandres, mas o banqueiro pediu-lhe que ficasse. O cavaleiro respondeu-lhe que não podia, porque tinha prometido à sua mulher, aos seus filhos e aos seus criados estar em casa, no Natal.

Dante. Ilustração dos alunos 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, para a história “O Cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

Em Génova, o cavaleiro adoeceu e, na Antuérpia, ficou em casa de um amigo do banqueiro que era comerciante. O capitão dos navios do comerciante contou-lhe as histórias das suas viagens nas caravelas dos portugueses. O comerciante também lhe propôs que ficasse, porque ele precisava de mais homens. O cavaleiro respondeu-lhe que gostava da ideia mas não podia, porque tinha prometido à sua mulher, aos seus filhos e aos seus criados estar em casa, no Natal.

Na véspera de Natal, o cavaleiro já estava na floresta, perto da sua casa, e ele queria chegar na noite de Natal a sua casa, como tinha prometido à sua família, porque se ele não chegasse a casa, nessa noite, a sua mulher, os seus filhos e os seus criados iriam achar que ele estava perdido ou morto.

O cavaleiro entrou na floresta e viu os olhos vermelhos dos lobos, mas disse-lhes:

– Hoje é dia de Natal e vocês não me podem atacar.

Quando o cavaleiro acabou de dizer isto, os lobos desapareceram.

O cavaleiro continuou o seu caminho e viu uns olhos de urso mas ele repetiu:

– Hoje é dia de Natal e não me podes atacar.

Nesse momento, ele pensou nos Reis Magos e rezou.

De repente, o cavaleiro viu umas luzes que o guiaram até sua casa. Quando chegou a casa, ele viu dois anjos a iluminar um grande pinheiro para o guiar até casa.

Ana Filipa Ferreira e Leonor Silva

 

Vanina. Ilustração dos alunos 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, para a história “O Cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner Andresen.

 
O cheiro do cabelo de Vanina

A parte da história “O cavaleiro da Dinamarca” que eu mais gostei foi aquela em que o marinheiro sentiu o cheiro do cabelo da Vanina e reparou nela. Ele amarrou uma corda a um cesto e meteu lá dentro uma escova de cabelo para lhe dar.

Maria Lima

 

 

“No próximo Natal não estarei aqui”

A parte da história “O cavaleiro da Dinamarca” que eu mais gostei foi aquela em que o cavaleiro que vivia na Dinamarca disse:

– Família, amigos, empregados e todos os que estão sentados à minha mesa, eu quero anunciar-vos que no próximo Natal não estarei aqui!

A família perguntou:

– A sério?

Ele respondeu:

– Sim, eu estou a falar a sério.

Mal terminou a festa de Natal, o cavaleiro montou no seu cavalo e foi, muito rápido, para o sítio onde Jesus nasceu.

Inês Guedes e Margarida Leite

Giotto. Ilustração dos alunos 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor, para a história “O Cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

(O 7MARGENS agradece a Manuela Sousa e à Porto Editora a colaboração prestada)

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