Sophia lida pelos mais novos (4) – A Menina do Mar

| 8 Dez 19

Ilustração de Fernada Fragateiro para “A Menina do Mar” (ed. Porto Editora)

 

Uma menina do mar, um menino de terra, uma raia má, um polvo, um peixe e um caranguejo, os pescadores. São os protagonistas de A Menina do Mar, hoje aqui recriada pelos alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto), que têm estado a reler os contos infantis de Sophia de Mello Breyner, a propósito do centenário do seu nascimento, assinalado a 6 de novembro.

Como (outra) forma de registar a efeméride, o 7MARGENS pediu a essas crianças do ensino básico impressões sobre os contos infantis da autora de Contos Exemplares, sendo os respectivos textos aqui publicados até ao Natal, duas vezes por semana.

Depois de A Fada Oriana, de O Cavaleiro da Dinamarca e O Rapaz de Bronze, é hoje a vez de A Menina do Mar. Aos textos, juntam-se ilustrações de alunos da mesma turma, bem como de outras crianças do Externato da Luz (Lisboa), além de uma ilustração do livro, publicada na última edição da Porto Editora (à qual se agradece a cedência para esta reprodução). A autoria das ilustrações está identificada caso a caso.

Sophia foi evocada já no 7MARGENS por um artigo acerca do convite à viagem na sua poesia, bem como com um poema (quase) inédito e um outro texto sobre No Tempo Dividido e a temporalidade na sua obra poética.

 
Vamos conversar naquele rochedo

Maquete para “A Menina do Mar”, dos alunos Joana Almeida, João Luís e Lara Ferreira, da turma 7ºA, do Externato da Luz (Lisboa). Foto © António Marujo

 

Era uma vez uma menina que se chamava Menina do Mar e vivia com um polvo, um peixe e um caranguejo. O polvo fazia todos os trabalhos: fazia a cama, punha a mesa e muitas outras coisas. O caranguejo fazia a comida e o peixe não fazia nada, apenas comia e brincava, mas ele era o melhor amigo da Menina do Mar.

Numa casa, um pouco distante, vivia um rapaz que ia todos os dias para a praia mas nunca tinha visto a Menina do Mar, nem o polvo, nem o caranguejo, nem o peixe.

Um dia, o rapaz viu a Menina do Mar e ela pensava que ele queria fritá-la.

– Por favor, não me frites, não me mates e não me faças mal – disse a Menina do Mar.

– Calma, eu não te faço mal – disse o rapaz.

– Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe – gritou a Menina.

– Tem calma. Vamos conversar e sentarmo-nos naquele rochedo – disse o rapaz.

– Ok – respondeu a Menina.

Alguns dias depois, o menino pegou num balde, encheu-o de água e de algas mas a Menina do Mar não podia ir com ele porque estava de castigo.

Mais tarde, o rapaz tomou uma poção e passou a ser um menino do mar. Ele viajou até encontrar a Menina do Mar e eles ficaram felizes para sempre.

Lucas Azevedo

 

Divertiram-se a dançar

Desenho para “A Menina do Mar”, dos alunos da turma 4ºC, da 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto).

 

Era uma vez uma menina que vivia no mar e tinha lá amigos, como por exemplo: o caranguejo, o peixe e o polvo. Ela era pequenina, do tamanho de um palmo da mão, e tinha cabelos verdes, olhos roxos e estava revestida por algas encarnadas.

No mar havia uma raia que era muito má e não gostava da menina mas não lhe fazia mal nenhum.

Um dia, um menino encontrou a Menina do Mar e disse:

– Quem és tu?

– Sou a Menina do Mar! – respondeu a Menina do Mar, fugindo do menino.

– Não fujas, eu não te faço mal – disse o menino.

Então, ela acreditou no menino e conversou com ele e ele prometeu voltar no próximo dia e levar-lhe uma coisa da terra.

A primeira coisa que ele trouxe foi uma rosa cheirosa e bonita, a segunda coisa foi uma caixa de fósforos e a menina quis tocar no fogo mas queimava e o menino disse-lhe que os fogos grandes não davam para apagar com um sopro. A terceira coisa que ele lhe trouxe foi vinho e a menina provou e gostou.

O menino contou muitas coisas da terra e a Menina do Mar quis ir à terra.

– Ok, amanhã, arranjo um balde com alga do mar e algas para te pôr lá dentro.

No dia seguinte, o menino chegou à praia, viu a Menina do Mar a chorar e perguntou-lhe o que tinha acontecido e ela disse-lhe que havia uns polvos atrás das rochas que tinham ouvido a conversa.

– NÓS VAMOS SIM! – disse o menino.

Ele tentou dar um salto por cima dos polvos mas não conseguiu e caiu nas rochas e um polvo, muito lentamente, agarrou-o pelo pescoço, começou a esganá-lo e ele começou a ver tudo preto. Passado um bocado, o menino acordou com a água a bater-lhe na cara e foi , lentamente, para casa.

Passado algum tempo, uma gaivota veio dizer que era para o menino tomar aquela poção que ela trouxe, para ele conseguir respirar na água. Depois, o menino foi procurar a Menina do Mar, em cima de um golfinho, e, após sessenta dias e sessenta noites, eles chegaram, finalmente, a uma gruta onde viram a Menina do Mar muito infeliz. Depois de ver o menino, a Menina do Mar ficou muito feliz e eles divertiram-se a dançar!

Matilde Leite, Mariana Sousa e Maria Lima

 

Os pescadores, o rapaz e golfinho

Trabalho em pasta de modelar para “A Menina do Mar”, dos alunos de Educação Tecnológica (6º ano, turmas A, B e C), do Externato da Luz (Lisboa). Foto © António Marujo

 

Era uma vez uma menina que se chamava Menina do Mar. Ela tinha olhos roxos e um vestido vermelho feito de algas. Ela estava a conversar com o rapaz e ele convidou-a a sair do mar mas a Menina do Mar respondeu-lhe que não podia sair do mar, porque a casa dela era o fundo do mar.

– Se tu fores para o fundo do mar tu apagas-te e se eu sair do mar fico seca – disse a Menina do Mar.

O rapazinho da casa branca adorava as rochas e a menina do mar e passavam o tempo a conversar. O rapaz tentou levar a Menina do Mar num balde para terra mas os polvos não deixaram e levaram a Menina do Mar para longe.

Depois, a gaivota trouxe um frasco com uma poção mágica e apareceu um golfinho que levou o rapaz até ao local onde estava a Menina do Mar.

A meio da viagem, eles encontraram os pescadores que, ao verem um rapaz em cima de um golfinho, quiseram pescá-lo mas eles mergulharam.

Por fim, eles pararam numa gruta onde encontraram a Menina do Mar.

Afonso Pinto e Ana Filipa Ferreira

 

Entrou na rosa e cheirou-a

Ilustração para “A Menina do Mar”, dos alunos Catarina Couto, Inês Polónio e João Ferreira, da turma 7ºC, do Externato da Luz (Lisboa). Foto © António Marujo

 

Era uma vez um menino que morava bem perto da praia, onde ele gostava de brincar. O menino brincava todo o dia mas, certo dia, ele foi para muito longe, onde já nem se via a própria casa. Até que ele decidiu construir um castelo e enquanto ele estava a construir o castelo, ouviu risadas. Ele foi em direção às risadas e descobriu que ali havia um polvo, um caranguejo, um peixe e uma menina, muito pequenina, do tamanho do palmo da mão. O menino pegou na menina mas o polvo agarrou-o pelos pés, o caranguejo pinicou-lhe os pés, enquanto o peixe lhe mordia nas canelas, mas o menino conseguiu escapar com a menina que gritava:

– Ó polvo, caranguejo e peixe!

– Ó polvo, caranguejo e peixe! – repetia ela.

– Você vai esquentar-me até à morte! – gritava a menina com a tristeza nos olhos.

– Eu não vou esquentar-te, isso é coisa de pescadores. Eu não sou pescador – disse o menino.

Ele foi para longe dali com a menina e ela sugeriu:

– Eu vou dizer a minha história e você me solta.

– Eu sou a Menina do Mar… – contou ela.

Quando a Menina do Mar acabou de contar a sua história o menino devolveu a menina ao polvo, ao peixe e ao caranguejo que ficaram felizes.

– Eu contei a minha história mas você não contou a sua. Por favor, me traz alguma coisa da terra – pediu a Menina do Mar.

No dia seguinte, o rapaz deu à menina uma rosa e, como ela era bem pequena, entrou na rosa e cheirou-a. A Menina do Mar percebeu que a rosa era bem cheirosa e eles foram brincar.

A maré subiu e o menino foi para casa, mas, no dia seguinte, ele trouxe fósforos e depois vinho.

Alguém escutou tudo isto e contou à raia que era brava e ela ficou tão brava que colocou a Menina do Mar numa gruta, juntamente com o caranguejo, o polvo e o peixe.

No dia seguinte, o rapaz já não encontrou a Menina do Mar, mas uma gaivota trouxe alguma coisa no bico e deitou isso ao chão. O rapaz tomou aquela poção e agarrado a um golfinho viajou até encontrar a Menina do Mar. Todos, os cinco, conseguiram fugir!

Mário Aragão Pereira

 

A raia já sabe de tudo

Desenho para “A Menina do Mar”, dos alunos da turma 4ºC, da 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto).

 

Era uma vez uma casa branca. Lá havia um menino que olhou pela janela e viu que estava um dia lindo. Então, ele tirou a roupa da gaveta, colocou-a e saiu de casa mais rápido que a luz.

Quando chegou à praia, ele viu uma menina do tamanho da palma da mão dele, que estava brincando com seus amigos: o polvo, o caranguejo e o peixe. O menino correu, pulou na água e agarrou a menina mas ela começou a gritar:

– Socorro, socorro, ó peixe, ó polvo, ó caranguejo salvem-me.

O polvo, o peixe e o caranguejo ficaram assustados e fugiram, mas, depois, mesmo com medo, eles foram salvá-la. O polvo usou os seus braços e segurou as pernas do menino e o caranguejo beliscou-lhe as coxas, mas ele era mais forte do que eles e então, se soltou e nadou para a superfície com a menina e foi para a areia.

– Calma, calma não vou fazer-te mal.

– Não é verdade, eu sei que você vai fritar-me, porque o peixe disse-me que vocês fritam.

– Ah isso são os pescadores. Eles é que pescam para fritar mas eu não sou um pescador. Eu sou só um menino e vou levar-te de volta.

Ele pulou de volta à água e os amigos da menina iam fazer a mesma coisa, mas, antes deles começarem a atacar o menino, ela gritou:

– Parem! Ele é meu amigo.

O menino passou a visitá-los todos os dias mas, um dia, a menina disse:

– Eu gostaria de ver a terra porque, às vezes, o mar é um pouco triste.

Então, o menino pensou e teve uma ideia:

– Tive uma ideia! Amanhã, eu vou trazer um balde de água onde vou colocar água. Aí você não vai secar.

– Ótima ideia, amanhã, eu vou p’rá superfície.

Na manhã seguinte:

– Bom, …aonde estão eles? – perguntou-se o menino.

– Oi, oi – cumprimentou ele.

– Sinto muito, mas não posso ir. A raia já sabe de tudo e, hoje à noite, eu serei levada para uma praia distante de que não sei o nome nem onde fica.

– Puxa!

Pedro Silva

 

(O 7MARGENS agradece a Manuela Sousa a colaboração prestada)

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