Sophia lida pelos mais novos (5) – A Árvore

| 11 Dez 19

Uma árvore de que as pessoas gostam, que se transforma em sombra demasiada, que é cortada e partilhada, que se transforma em memória e cantiga, num barco grande ou em cerejeiras… A Árvore, um dos contos infantis de Sophia de Mello Breyner, é hoje aqui recontada com textos e ilustrações de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto). 

Esta releitura dos contos infantis de Sophia, a propósito do centenário do seu nascimento, assinalado a 6 de Novembro, constitui uma outra forma de registar essa efeméride no 7MARGENS, que passou já pelos textos e ilustrações dos alunos sobre A Fada Oriana, de O Cavaleiro da Dinamarca, O Rapaz de Bronze e A Menina do Mar.

Sophia foi evocada já no 7MARGENS por um artigo acerca do convite à viagem na sua poesia, bem como com um poema (quase) inédito e um outro texto sobre No Tempo Dividido e a temporalidade na sua obra poética.

 
A árvore que nunca foi esquecida

Era uma vez uma ilha muito pobre que tinha uma árvore muito grande, ao centro. Os japoneses têm um grande amor por todas as árvores e flores, que cuidam com cuidado e carinho.

O povo daquela ilha sentia-se muito feliz por possuir uma árvore tão bela. Em nenhuma ilha do Japão, nem nas maiores, existia uma árvore tão grande.

Mas, um dia, começaram todos a ficar doentes, porque a luz do sol não conseguia entrar na ilha com a sombra daquela árvore. Por isso, os habitantes da ilha tiveram de deitar a árvore ao chão. Eles cortaram a madeira da árvore em bocados e cada um ficou com um bocado, para construir: mesas, móveis e cadeiras.

A madeira restante ficou para os habitantes construírem um barco para viajarem para outras ilhas mais ricas. Um dia, o barco apodreceu, mas como as pessoas já eram ricas, tinham dinheiro suficiente para comprar outro barco.

Este povo viveu feliz para sempre com as cerejeiras a substituírem a antiga árvore, que nunca foi esquecida.

Samuel Freitas

 

Uma lembrança para cada um

Numa ilha havia uma árvore muito grande e todos gostavam dela.

Passaram-se anos e, certo dia, toda a gente da ilha fez uma roda à volta da árvore e, por fim, cortaram-na. Eles ficaram com muita pena mas tiveram de cortar a árvore, porque ela era enorme, ocupava toda a ilha e fazia imensa sombra.

Cortada a árvore ainda ocupava mais espaço, por isso cortaram-na em pedacinhos para que cada um ficasse com uma lembrança da árvore.

Ana Filipa Ferreira

 

Uma árvore transformada em cantiga

No Japão, havia uma árvore no meio de uma ilha. Os japoneses, que têm um grande amor a plantas, estavam muito felizes, porque não havia árvore maior do que aquela. Assim foi por muito tempo, mas a árvore cresceu tanto, tanto que os seus ramos ficaram muito espessos e tapavam um lado da ilha, que ficou triste e húmido.

Como as pessoas da ilha ficariam doentes com a humidade, os seus habitantes chegaram à conclusão que tinham de cortar a árvore. Mas mesmo cortada ela ocupava muito espaço e eles decidiram cortá-la em bocados. Os bocados de madeira foram divididos entre todos os cidadãos e a árvore foi substituída por cerejeiras.

Começaram a chegar à ilha estrangeiros que queriam aquilo que restou da árvore, o seu tronco, mas os cidadãos não aceitaram e fizeram o seu próprio barco com o tronco da árvore. Quando o barco começou a navegar houve uma bela festa com balões e etc.

Os habitantes da ilha começaram a viajar e a negociar, ficaram mais ricos e passaram a fazer a festa da flor, quando a cerejeira floria.

Um dia, o barco começou a apodrecer muito e o povo ficou triste, mas os carpinteiros disseram que podiam comprar madeira e fazer um barco novo, porque já tinham dinheiro. Com o que restou do barco antigo, eles fizeram uma viola e cantaram canções sobre a árvore, que assim se transformou em cantiga.

Rita Martinho

 

Um barco para ir mais longe

Em tempos muito antigos, os japoneses tomavam conta de uma árvore gigante, porque eles têm um grande amor à Natureza: às flores, às árvores e aos arbustos.

Todas as famílias estavam orgulhosas por terem uma árvore tão bonita na sua ilha. No verão, as pessoas iam para debaixo da árvore saborear a sua sombra.

Passado algum tempo, a árvore cresceu, cresceu e as casas ficaram húmidas e as pessoas pálidas passavam a vida a suspirar, porque nunca apanhavam sol. Então, todas as pessoas concordarem em deitar a árvore abaixo.

Os habitantes daquela ilha só tinham barcos de pesca e, por isso, só podiam ir até às ilhas vizinhas mas com o barco que construíram com a madeira da árvore já podiam ir mais longe.

No dia em que o barco ficou pronto houve uma grande festa com fogo-de-artifício. Eles também puseram o leão de papel a dançar e havia flores por todo o lado. A vida do povo daquela terra passou a ser mais animada mas a árvore era recordada por todos que diziam:

– Ai como era bela a nossa árvore.

Toda a gente da ilha falava da árvore e ela nunca foi esquecida, porque a recordação da árvore estava a passar de geração em geração.

Maria Lima

(O 7MARGENS agradece a Manuela Sousa a colaboração prestada)

Continuar a ler...

Artigos relacionados

Campanha 15.000 euros para o 7M: no final de junho passámos os €12.000 !

Campanha 15.000 euros para o 7M: no final de junho passámos os €12.000 !

Os donativos entregues por 136 leitores e amigos somaram, até terça, 30 de junho, €12.020,00. Estes números mostram uma grande adesão ao apelo que lançámos a 7 de junho, com o objetivo de reunirmos €15.000 para expandir o 7MARGENS ao longo do segundo semestre de 2020. A campanha decorre até ao final de julho e já só faltam menos de €3.000! Contamos consigo para a divulgar.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

CE volta a ter enviado especial para promover liberdade religiosa no mundo novidade

O cargo de enviado especial para a defesa da liberdade religiosa tinha sido extinto no ano passado pela presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, mas as pressões de inúmeros líderes religiosos e políticos para reverter essa decisão parecem ter surtido efeito. O vice-presidente da CE, Margaritis Schinas, anunciou que a função irá ser recuperada.

Papa assinala sete anos da viagem a Lampedusa com missa especial online

O Papa Francisco celebra esta quarta-feira, 8 de julho, o sétimo aniversário daquela que foi a primeira (e talvez mais icónica) viagem do seu pontificado: a visita à ilha de Lampedusa. A data é assinalada com uma eucaristia presidida por Francisco na Casa Santa Marta, a qual terá início às 10 horas de Lisboa, e será transmitida online através dos meios de comunicação do Vaticano.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Hospital pediátrico do Vaticano separa com êxito gémeas siamesas unidas pelo crâneo

Hospital pediátrico do Vaticano separa com êxito gémeas siamesas unidas pelo crâneo

O hospital pediátrico Bambino Gesú, em Roma, gerido pelo Vaticano, separou com êxito duas irmãs siamesas de 2 anos, que nasceram unidas pelo crâneo na República Centro Africana. A complexa operação, que durou 18 horas e contou com uma equipa de 30 profissionais de saúde, teve lugar no passado dia 5 de junho, mas o hospital só revelou todos os detalhes esta quarta-feira, 8 de julho, numa conferência de imprensa.

É notícia

Entre margens

Re-cristianizar é preciso! novidade

Muita gente pensa que se eliminarmos a religião da arena pública, também acabarão as noções éticas que (ainda) sustentam a nossa sociedade. Mas para essas pessoas a moral cristã é a mãe de todas as repressões. A sociedade utópica está na música de John Lennon. É preciso deixar de cultivar moralismos “medievais”. Sejamos livres. Sejamos livres para gritar e estrebuchar.

Do confinamento às Minas novidade

Vestígios dos trilhos usados para o contrabando abundante nesta zona da raia. Algum complemento a um salário magro. Histórias de perigos, ousadia, dignidade, persistência e superação. Na aldeia de Santana das Cambas existe um Museu do Contrabando que soubemos estar encerrado.   
Curvo-me perante uma realidade que desconhecia, apenas intuía… Ao olhar para os mineiros envelhecidos e suas famílias passei a vê-los como heróis, príncipes daquela terra, figuras exemplares de cidadania e coragem.

A favor do argumento ontológico

A realidade é um extraordinário abismo de Ilimitado em todas as direções e dimensões. É isto o Absoluto. Não tendo na sua constituição nenhuma descontinuidade, nenhum vazio absoluto (pois nele o nada absoluto [ou Nada] não pode simplesmente ter lugar), o Absoluto é plenitude de Ser. A isto se chega pela simples consideração de que o Nada, precisamente por ser Nada, não existe nem pode existir, pelo que sobra “apenas” aquilo que existe de facto, que é Tudo.

Cultura e artes

Aquilino e Bartolomeu dos Mártires: o “pai dos pobres e mártir sem desejos”

Aquilino Ribeiro, escritor de prosa escorreita, pujante, honrou a dignidade da língua portuguesa à altura de outros antigos prosadores de grande qualidade. Irmanado com a Natureza beirã: aves, árvores, animais e homens. Espirituoso e de fina ironia, é bem o Mestre da nossa Língua. Em “Dom Frei Bertolameu” faz uma espécie de hagiografia do arcebispo de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590), canonizado pelo Papa Francisco a 6 de Julho de 2019.

Ennio Morricone: O compositor que nos ensinou a “sonhar, emocionar e reflectir”

Na sequência de uma queda em casa, que lhe provocou a ruptura do fémur, o maestro e compositor italiano Ennio Morricone morreu esta segunda-feira em Roma, na unidade de saúde onde estava hospitalizado. Tinha 91 anos. O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, evocou com “infinito reconhecimento” o “génio artístico” do compositor, que fez o público “sonhar, emocionar, refletir, escrevendo acordes memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema”.

Teologia bela, à escuta do Humano

Pensar a fé, a vivência e o exercício do espírito evangélico nos dias comuns, é a tarefa da teologia, mais do que enunciar e provar fórmulas doutrinárias. Tal exercício pede atenção, humildade e escuta dos rumores divinos na vida humana, no que de mais belo e também de mais dramático acontece na comunidade dos crentes e de toda a humanidade.

Sete Partidas

STOP nas nossas vidas: Parar e continuar

Ao chegar aos EUA tive que tirar a carta condução novamente. De raiz. Estudar o código. Praticar. Fazer testes. Nos EUA existe um sinal de trânsito que todos conhecemos. Porque é igual em todo o mundo. Diz “STOP”. Octogonal, fundo branco, letras brancas. Maiúsculas. Impossível não ver. Todos vemos. Nada de novo. O que me surpreendeu desde que cheguei aos EUA, é que aqui todos param num STOP. Mesmo. Não abrandam. Param. O carro imobiliza-se. As ruas desertas, sem trânsito. Um cruzamento com visibilidade total. Um bairro residencial. E o carro imobiliza-se. Não abranda. Para mesmo. E depois segue.

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco